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Q4017313 Psicologia

“Como fenômeno complexo e multifatorial, os acidentes devem ser compreendidos como consequência das condutas, ações e omissões humanas, somadas aos aspectos sociais, econômicos, culturais e políticos que envolvem sua ocorrência. [...] Os fatores de risco e o estudo dos dados epidemiológicos ajudam na compreensão do cenário de acidentes de trânsito, possibilitando a criação de ações preventivas, educativas e de promoção de saúde, com vistas a reduzir os expressivos números de mortalidade por acidentes, assim como minimizar os impactos físicos, hospitalares, previdenciários e psicológicos causados pelos acidentes.”


(Brasil, 2005, apud Cunha et al., 2021).



Neste cenário de adversidades, a Psicologia da Saúde pode contribuir com estudos e intervenções sobre o comportamento humano no trânsito, por meio de ações preventivas e de promoção da saúde nos diferentes níveis de atenção — primária, secundária e terciária — no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). No contexto hospitalar, o psicólogo pode atuar nos hospitais de referência que atendem vítimas de acidentes de trânsito, prestando assistência psicológica humanizada ao paciente, à família e à equipe de saúde. (Cunha, 2021).


Com base nos textos apresentados e nas referências teóricas sobre a Psicologia Hospitalar no trauma, analise os itens a seguir:



I. A atuação do psicólogo hospitalar junto às vítimas de acidentes de trânsito limita-se à escuta empática, não sendo recomendada sua participação em discussões de caso ou em ações interdisciplinares, para evitar interferência no tratamento clínico.


II. O psicólogo que atua em hospitais de referência para trauma deve considerar os aspectos emocionais e sociais envolvidos no adoecimento, contribuindo para a humanização e integralidade da assistência.


III. A compreensão dos acidentes de trânsito como fenômeno multifatorial implica reconhecer a influência de variáveis comportamentais, sociais, culturais e econômicas na produção e prevenção desses eventos.


IV. As ações da Psicologia da Saúde voltadas à prevenção e promoção de saúde devem restringir-se à atenção primária, já que o contexto hospitalar não é considerado campo de atuação preventiva.



Assinale a alternativa CORRETA

Alternativas
Q4017312 Psicologia

Ana é psicóloga hospitalar e realiza atendimentos na enfermaria ortopédica de um hospital público. Durante o atendimento à paciente Sra. Maria das Dores, de 45 anos, internada com fratura de fêmur e múltiplos agravos físicos decorrentes de uma agressão doméstica, a psicóloga identifica sinais compatíveis com sofrimento psíquico intenso e ideação de medo em relação ao agressor. Ao ser questionada sobre o ocorrido, a paciente relata que o autor da violência é seu companheiro, mas solicita expressamente que essa informação não seja compartilhada com a equipe de saúde ou com outros profissionais.



Considerando os princípios éticos e bioéticos que norteiam a atuação da(o) psicóloga(o) em ambiente hospitalar, bem como as Referências Técnicas do Conselho Federal de Psicologia, qual deve ser a conduta profissional adequada?

Alternativas
Q4017311 Psicologia

A Psicologia Hospitalar é compreendida como um campo de intersecção entre diferentes contribuições científicas, educativas e profissionais da Psicologia, voltadas à qualificação da assistência e ao cuidado integral do paciente no contexto hospitalar. Para alcançar esse propósito, deve-se considerar não apenas a doença em si, mas também os recursos subjetivos e as forças adaptativas do indivíduo. A inserção do psicólogo no ambiente hospitalar justifica-se pela presença de sofrimento psíquico decorrente da vivência de adoecimento ou trauma físico, exigindo uma abordagem que integre aspectos orgânicos, emocionais e sociais.


(Fonte adaptada: Conselho Federal de Psicologia (CFP). Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) nos Serviços Hospitalares do SUS. Brasília: CFP, 2019.)



Avalie as seguintes informações:


I. A Psicologia Hospitalar é um campo de atuação restrito à aplicação breves voltadas à estabilização emocional do paciente hospitalizado. de técnicas psicoterápicas


II. A justificativa da presença da Psicologia no hospital está centrada na necessidade de compreender a dimensão orgânica da doença como fenômeno isolado do sofrimento psíquico.


III. A Psicologia Hospitalar constitui-se como um campo interdisciplinar, que integra aspectos científicos, educativos e práticos da Psicologia, visando à assistência integral e humanizada ao paciente.


IV. A inserção do psicólogo no contexto hospitalar fundamenta-se na compreensão do adoecimento como experiência biopsicossocial, que envolve dimensões orgânicas, subjetivas e relacionais.



Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.

Alternativas
Q4017310 Psicologia

No contexto hospitalar, o paciente em crise, entendido por Simon (1989) como “ser em sua unidade”, frequentemente encontra-se vulnerável diante das rupturas impostas pela experiência de adoecimento. Sartre, ao discutir o ser-em-situação, destaca que cada pessoa é chamada a atribuir sentido próprio ao vivido, o que confere à crise um caráter singular e existencial. Assim, o adoecimento não se separa do ser que adoece, pois envolve afetos, significados e relações que atravessam paciente, família e equipe de saúde.


(Fonte adaptada: Simon, R. Psicologia Hospitalar: o espaço psicológico do hospital geral. São Paulo: EPU, 1989. VERGEZ, A.; Huisman, D. História da Filosofia Contemporânea. São Paulo: Nacional, 1970.)



À luz da concepção de Simon (1989) e da perspectiva existencial-fenomenológica, o adoecimento pode ser compreendido como

Alternativas
Q4017309 Psicologia

A Política Nacional de Humanização (PNH) propõe transformar as práticas de atenção e gestão no Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecendo o usuário, o trabalhador e o gestor como sujeitos implicados na produção da saúde. Fundamenta-se em princípios como a autonomia e o protagonismo dos sujeitos, a co-responsabilidade, a transversalidade e a valorização das dimensões subjetivas e coletivas do cuidado. Entre suas ações estratégicas, destacam-se aquelas que visam reconfigurar as relações entre os diferentes participativo. Considerando os princípios e atores do SUS, tornando o sistema mais acolhedor, resolutivo e


(Fonte adaptada: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) nos Serviços Hospitalares do SUS. Brasília: CFP, 2019.)



Considerando os princípios e diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH), qual das alternativas expressa, de forma mais consistente, uma ação coerente com a consolidação de práticas humanizadas no SUS? 

Alternativas
Q4017308 Psicologia

Os psicólogos que atuam na área da saúde buscam compreender os fenômenos relacionados com a saúde e a doença, o processo de adoecimento e as maneiras pelas quais os indivíduos se mantêm saudáveis ao longo da vida. A atuação envolve ações de promoção da saúde, prevenção e tratamento de pessoas portadoras de doenças (recuperação e reabilitação), bem como a elaboração de projetos que visem a melhorias no sistema e nas políticas públicas.


(Fonte: Adaptado do Conselho Federal de Psicologia. Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) na Saúde. CFP, 2019.)



Nesse sentido, a avaliação psicológica é de extrema importância, pois

Alternativas
Q4016551 Literatura
Fernando Sabino, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Luís Fernando Veríssimo, Millôr Fernandes, Otto Lara Resende e Moacyr Scliar são alguns nomes de destaque na produção de quais gêneros literários?
Alternativas
Q4016550 Literatura
Considerando a periodização da literatura brasileira, os autores: Machado de Assis, Castro Alves, Cruz e Sousa e Torquato Neto pertencem, respectivamente, às seguintes escolas ou manifestações literárias:
Alternativas
Q4016548 Português

Lembrei de Nós

João Gomes - (part. Mestrinho e Jota.pê)

Quando o Sol vai, você vem

Pra competir com as estrelas

Do seu amor, sou refém

Você é minha certeza

Hoje eu lembrei de nós

Embaixo dos lençóis

Viajando sem sair do quarto

Sonhando acordado

Você é meu norte

Minha sorte, não me deixe

Me deixa mais forte

A razão do meu corre

Você me envolve

Você me resolve

Você é meu norte

Minha sorte, não me deixe

Me deixa mais forte

A razão dos meus corres

Você me envolve (você me envolve)

Você me resolve (vai)


CARNEIRO, Kaique; COMPOSITOR, Kinho; COMPOSITOR, Luizinho; LUCAS, Rian. Lembrei de nós. Intérprete: João Gomes; Mestrinho e Jota.pê. In: Dominguinho. 2025. Disponível em: https://bfan.link/dominguinho. Acesso em: 01 fev. 2026.

Leia, analise e assinale a alternativa INCORRETA, sobre o texto:
Alternativas
Q4016547 Literatura
O fragmento abaixo faz parte do conto “No moinho”, do escritor Eça de Queirós, e revela o momento em que Maria da Piedade apaixona-se por Adrião. Leia-o atenciosamente para responder à questão.

Refugiava-se então naquele amor como uma compensação deliciosa. Julgando-o todo puro, todo de alma, deixava-se penetrar dele e da sua lenta influência. Adrião tornara-se, na sua imaginação, como um ser de proporções extraordinárias, tudo o que é forte, e que é belo, e que dá razão à vida. […] Leu todos os seus livros, sobretudo aquela Madalena que também amara, e morrera de um abandono. Estas leituras acalmavam-na, davam-lhe como uma vaga satisfação ao desejo. Chorando as dores das heroínas de romance, parecia sentir alívio às suas.

Lentamente, esta necessidade de encher a imaginação desses lances de amor, de dramas infelizes, apoderou-se dela. Foi durante meses um devorar constante de romances. Ia-se assim criando no seu espírito um mundo artificial e idealizado. A realidade tornava-se-lhe odiosa, sobretudo sob aquele aspecto da sua casa, onde encontrava sempre agarrado às saias um ser enfermo. Vieram as primeiras revoltas. Tornou-se impaciente e áspera. Não suportava ser arrancada aos episódios sentimentais do seu livro, para ir ajudar a voltar o marido e sentir-lhe o hálito mau. Veio-lhe o nojo das garrafadas, dos emplastros, das feridas dos pequenos a lavar. Começou a ler versos. Passava horas só, num mutismo, à janela, tendo sob o seu olhar de virgem loura toda a rebelião duma apaixonada. Acreditava nos amantes que escalam os balcões, entre o canto dos rouxinóis: e queria ser amada assim, possuída num mistério de noite romântica…

Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/no-moinho-eca-de-queiros/#google_vignette. Acesso em: 05 fev. 2026.
Sobre a análise do conto, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q4016546 Literatura

Sextilhas Românticas


Paisagens da minha terra,

Onde o rouxinol não canta

- Mas que importa o rouxinol?

Frio, nevoeiros da serra

Quando a manhã se levanta

Toda banhada de sol!

Sou romântico? Concedo.

Exibo, sem evasiva,

A alma ruim que Deus me deu.

Decorei "Amor e medo”,

"No lar”, "Meus oito anos”... Viva

José Casimiro Abreu!


Sou assim, por vício inato.

Ainda hoje gosto de Diva,

Nem não posso renegar

Peri tão pouco índio, é fato,

Mas tão brasileiro... Viva,

Viva José de Alencar!

[...]


BANDEIRA, M. Bandeira de bolso: uma antologia poética. Org. de Mara Jardim. Porto Alegre: LP&M, 2010.p. 113-114.

São referências ao movimento romântico encontradas nesse poema, EXCETO:
Alternativas
Q4016545 Português
Madama Carlota havia acertado tudo. Macabéa estava espantada. Só então vira que sua vida era uma miséria. Teve vontade de chorar ao ver o seu lado oposto, ela que, como disse, até então se julgava feliz.

Saiu da casa da cartomante aos tropeços e parou no beco escurecido pelo crepúsculo — crepúsculo que é hora de ninguém. Mas ela de olhos ofuscados como se o último final da tarde fosse mancha de sangue e ouro quase negro. Tanta riqueza de atmosfera a recebeu e o primeiro esgar da noite que, sim, sim, era funda e faustosa. Macabéa ficou um pouco aturdida sem saber se atravessaria a rua pois sua vida já estava mudada. E mudada por palavras — desde Moisés se sabe que a palavra é divina. Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro. Sentia em si uma esperança tão violenta como jamais sentira tamanho desespero. Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho. Assim como havia sentença de morte, a cartomante lhe decretara sentença de vida. Tudo de repente era muito e muito e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar. Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria.

Então ao dar o passo de descida da calçada para atravessar a rua, o Destino (explosão) sussurrou veloz e guloso: é agora é já, chegou a minha vez! E enorme como um transatlântico o Mercedes amarelo pegou-a — e neste mesmo instante em algum único lugar do mundo um cavalo como resposta empinou-se em gargalhada de relincho.

Macabéa ao cair ainda teve tempo de ver, antes que o carro fugisse, que já começavam a ser cumpridas as predições de madama Carlota, pois o carro era de alto luxo. Sua queda não era nada, pensou ela, apenas um empurrão. Batera com a cabeça na quina da calçada e ficara caída, a cara mansamente voltada para a sarjeta. E da cabeça um fio de sangue inesperadamente vermelho e rico. O que queria dizer que apesar de tudo ela pertencia a uma resistente raça anã teimosa que um dia vai talvez reivindicar o direito ao grito.

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p.79-80.
Em qual dos trechos a seguir o narrador insere Macabéa como representativa de um grupo social?
Alternativas
Q4016544 Português
Os provérbios, enquanto ditados populares, apresentam, em sua constituição, figuras de linguagem das mais variadas. Leia, atentamente, os provérbios a seguir e marque a única opção em que a associação NÃO está correta.
Alternativas
Q4016543 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



Insensivelmente, ele parou para verificar quem o chamava. De dentro da taverna, com passo apressado, veio ao seu encontro uma negra suja, carapinha desgrenhada, com um caco de pente atravessado no alto da cabeça, calçando umas remendadas chinelas de tapete. Estava meio embriagada. Cassi espantou-se com aquele conhecimento; fazendo um ar de contrariedade, perguntou amuado:


- Que é que você quer?


A negra, bamboleando, pôs as mãos nas cadeiras e fez com olhar de desafio:


- Então, você não me conhece mais, “seu canaia”? Então você não “si” lembra da Inês, aquela crioulinha que sua mãe criou e você...


Lembrou-se, então, Cassi, de quem se tratava. Era a sua primeira vítima, que sua mãe, sem nenhuma consideração, tinha expulsado de casa em adiantado estado de gravidez. Reconhecendo-a e se lembrando disso, Cassi quis fugir. A rapariga pegou-o pelo braço:


- Não fuja, não, "seu" patife! Você tem que "ouvi" uma "pouca" mas de "sustança".


A esse tempo, já os frequentadores habituais do lugar tinham acorrido das tascas e hospedarias e formavam roda, em torno dos dois. Havia homens e mulheres, que perguntavam:


- O que há, Inês?


- O que te fez esse moço?


Cassi estava atarantado no meio daquelas caras antipáticas de sujeitos afeitos a brigas e assassinatos. Quis falar:


- Eu não conheço essa mulher. Juro...


- "Muié", não! - fez a tal Inês, gingando. - Quando você "mi" fazia "festa", "mi" beijava e "mi" abraçava, eu não era "muié", era outra coisa, seu "cosa" ruim!


Um negro esguio, de olhar afoito, com um ar decidido de capoeira, interveio:


- Mas, Inês, quem é afi nal esse moço?


- É o "home qui mi" fez mal; que "mi" desonrou, "mi pois" nesta "disgraça".


- Eu! - exclamou Cassi.


- Sim! Você "memo", "seu" caradura! "Mi alembro" bem... Foi até no quarto de sua mãe...


Estava arrumando a casa.


Uma outra mulher, mas esta branca, com uns lindos cabelos castanhos, em que se viam lêndeas, comentou:- É sempre assim. Esses "nhonhôs gostosos" desgraçam a gente, deixam a gente com o filho e vão-se. A mulher que se fomente... Malvados!


Cassi ouvia tudo isso sem saber que alvitre tornar. Estava amarelo e olhava, por baixo das pálpebras, todas as faces daquele ajuntamento. Esperava a polícia, um socorro qualquer. A preta continuava:


- Você sabe onde "tá" teu "fio"? "Tá" na detenção, fique você sabendo. "Si" meteu com ladrão, é "pivete" e foi “pra chacr’a". Eis aí que você fez, "seu marvado", "home mardiçoado". Pior do que você só aquela galinha-d'angola de "tua" mãe, "seu" sem-vergonha!


BARRETO, L. Clara dos Anjos. Belo Horizonte: Autêntica, 2023. p.150-151.

Sobre o uso da variação linguística na fala da personagem Inês, podemos AFIRMAR que:
Alternativas
Q4016542 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



Insensivelmente, ele parou para verificar quem o chamava. De dentro da taverna, com passo apressado, veio ao seu encontro uma negra suja, carapinha desgrenhada, com um caco de pente atravessado no alto da cabeça, calçando umas remendadas chinelas de tapete. Estava meio embriagada. Cassi espantou-se com aquele conhecimento; fazendo um ar de contrariedade, perguntou amuado:


- Que é que você quer?


A negra, bamboleando, pôs as mãos nas cadeiras e fez com olhar de desafio:


- Então, você não me conhece mais, “seu canaia”? Então você não “si” lembra da Inês, aquela crioulinha que sua mãe criou e você...


Lembrou-se, então, Cassi, de quem se tratava. Era a sua primeira vítima, que sua mãe, sem nenhuma consideração, tinha expulsado de casa em adiantado estado de gravidez. Reconhecendo-a e se lembrando disso, Cassi quis fugir. A rapariga pegou-o pelo braço:


- Não fuja, não, "seu" patife! Você tem que "ouvi" uma "pouca" mas de "sustança".


A esse tempo, já os frequentadores habituais do lugar tinham acorrido das tascas e hospedarias e formavam roda, em torno dos dois. Havia homens e mulheres, que perguntavam:


- O que há, Inês?


- O que te fez esse moço?


Cassi estava atarantado no meio daquelas caras antipáticas de sujeitos afeitos a brigas e assassinatos. Quis falar:


- Eu não conheço essa mulher. Juro...


- "Muié", não! - fez a tal Inês, gingando. - Quando você "mi" fazia "festa", "mi" beijava e "mi" abraçava, eu não era "muié", era outra coisa, seu "cosa" ruim!


Um negro esguio, de olhar afoito, com um ar decidido de capoeira, interveio:


- Mas, Inês, quem é afi nal esse moço?


- É o "home qui mi" fez mal; que "mi" desonrou, "mi pois" nesta "disgraça".


- Eu! - exclamou Cassi.


- Sim! Você "memo", "seu" caradura! "Mi alembro" bem... Foi até no quarto de sua mãe...


Estava arrumando a casa.


Uma outra mulher, mas esta branca, com uns lindos cabelos castanhos, em que se viam lêndeas, comentou:- É sempre assim. Esses "nhonhôs gostosos" desgraçam a gente, deixam a gente com o filho e vão-se. A mulher que se fomente... Malvados!


Cassi ouvia tudo isso sem saber que alvitre tornar. Estava amarelo e olhava, por baixo das pálpebras, todas as faces daquele ajuntamento. Esperava a polícia, um socorro qualquer. A preta continuava:


- Você sabe onde "tá" teu "fio"? "Tá" na detenção, fique você sabendo. "Si" meteu com ladrão, é "pivete" e foi “pra chacr’a". Eis aí que você fez, "seu marvado", "home mardiçoado". Pior do que você só aquela galinha-d'angola de "tua" mãe, "seu" sem-vergonha!


BARRETO, L. Clara dos Anjos. Belo Horizonte: Autêntica, 2023. p.150-151.

A obra Clara dos Anjos (1948) retrata várias críticas sociais, dentre elas podemos citar CORRETAMENTE:
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Q4016540 Português
O texto a seguir refere-se ao trecho de uma fala de Ataliba Castilho, linguista brasileiro, que concedeu uma entrevista a Carlos Fioravante.


O r caipira tem 500 anos?


Ninguém sabe ao certo. Uns dizem que índios do Vale do Paraíba teriam esse r, mas a explicação só vale se se provar que essa tribo se estendeu sobre São Paulo e foi com os bandeirantes para o interior. Outros fonólogos acham que o r caipira é um traço que não se desenvolveu na fonologia portuguesa, mas poderia ter surgido naturalmente, como uma consequência do sistema fonológico, e não do contato com os índios. Sistema fonológico quer dizer sistema de sons. Sempre existem tendências para combinações de sons que explicam essas mudanças. Uma tendência do português brasileiro é a forma de tratar os sons sibilantes, é o que faz a diferença entre nós, paulistas, e os moradores do Rio de Janeiro, do Sul e do Nordeste. De onde veio o s chiado, como em “ach criançach”? Foi uma tendência palatizar o som sibilante. Agora essa mudança deu outro passo, porque a vogal em contexto palatal está se ditongando, como em “aichs pessoaisch”. 

FIORAVANTI, C. Ataliba Teixeira de Castilho: o linguista libertário. Entrevistado: Ataliba Teixeira de Castilho. Pesquisa Fapesp, São Paulo, n.259, set 2017. Disponível em: https:// revistapesquisa.fapesp.br/ataliba-teixeira-de-castilho-o-linguista-libertario/. Acesso em: 30 jan. 2026.
Ao longo da entrevista, o linguista reflete sobre as variações linguísticas e seus diferentes aspectos. Ao se referir à diferença entre sons sibilantes falados entre paulistas, moradores do Rio, do Sul e do Nordeste, Castilho demonstra que:
Alternativas
Q4016534 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



A Dança da Maçã



Antônio chegou na hora marcada. Ainda tinha a chave do apartamento, mas preferiu bater. Luiza abriu a porta. Os dois se cumprimentaram secamente.


– Oi.


– Oi.


Antônio fez um gesto indicando os dois homens que estavam com ele. Um senhor e um mais moço.


– Este e o seu Molina e este... Como é seu nome mesmo?


– Arlei disse o mais moco.


– Arlei. Eles vieram me ajudar com a mudança.


– Bom dia – disse Luiza. – Já está tudo mais ou menos separado. Algumas caixas de papelão e sacolas de plástico, uma lâmpada articulada de mesa de desenho, a mesa de desenho desmontada, uma taça de metal. Tudo junto perto da porta.


– Eu resolvi levar a poltrona – disse Antônio.


– Tudo bem – disse Luiza.


– E isso aí, pessoal ? disse Antônio, abrindo os braços para mostrar o que seria levado. Isto, e aquela poltrona ali. [...]


– Álbum de fotografia. Vai também?


– Vai – disse Luiza. Tudo que esta nas sacolas vai embora. Arlei estava olhando o álbum. Mostrou para o seu Molina:


– Olha os dois na praia. 


E fez um aceno de cabeça para Luiza, com as pontas da boca puxadas para baixo, querendo dizer “Sim senhora, hein?”, e que a Luiza de biquíni não era de se jogar fora. Mas o seu Molina estava sério, olhando para Luiza.


– Você não quer ficar com o álbum?


Luiza perdeu a paciência.


– Não quero ficar com nada disto, entende? O que está nas caixas e nos sacos, é para ir embora.


São dele. [...]


Disponível em: http://www.scribd.com/doc/10940016/ CronicasSelecionadas-Do-Jornal-Estadao-Luis-Fernando-Verissimo . Acesso em 05/02/2026.

No trecho “querendo dizer ‘Sim senhora, hein?’”, do texto A dança da maçã, considerando-se o contexto enunciativo e pragmático em que se insere, observa-se que o enunciado extrapola o sentido literal e constrói um efeito de sentido que depende da situação comunicativa e da relação estabelecida entre os interlocutores. À luz da teoria dos atos de fala, o segmento realiza, predominantemente, um:
Alternativas
Q4016533 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



A Dança da Maçã



Antônio chegou na hora marcada. Ainda tinha a chave do apartamento, mas preferiu bater. Luiza abriu a porta. Os dois se cumprimentaram secamente.


– Oi.


– Oi.


Antônio fez um gesto indicando os dois homens que estavam com ele. Um senhor e um mais moço.


– Este e o seu Molina e este... Como é seu nome mesmo?


– Arlei disse o mais moco.


– Arlei. Eles vieram me ajudar com a mudança.


– Bom dia – disse Luiza. – Já está tudo mais ou menos separado. Algumas caixas de papelão e sacolas de plástico, uma lâmpada articulada de mesa de desenho, a mesa de desenho desmontada, uma taça de metal. Tudo junto perto da porta.


– Eu resolvi levar a poltrona – disse Antônio.


– Tudo bem – disse Luiza.


– E isso aí, pessoal ? disse Antônio, abrindo os braços para mostrar o que seria levado. Isto, e aquela poltrona ali. [...]


– Álbum de fotografia. Vai também?


– Vai – disse Luiza. Tudo que esta nas sacolas vai embora. Arlei estava olhando o álbum. Mostrou para o seu Molina:


– Olha os dois na praia. 


E fez um aceno de cabeça para Luiza, com as pontas da boca puxadas para baixo, querendo dizer “Sim senhora, hein?”, e que a Luiza de biquíni não era de se jogar fora. Mas o seu Molina estava sério, olhando para Luiza.


– Você não quer ficar com o álbum?


Luiza perdeu a paciência.


– Não quero ficar com nada disto, entende? O que está nas caixas e nos sacos, é para ir embora.


São dele. [...]


Disponível em: http://www.scribd.com/doc/10940016/ CronicasSelecionadas-Do-Jornal-Estadao-Luis-Fernando-Verissimo . Acesso em 05/02/2026.

Considere os fragmentos de texto:
I. “Antônio chegou na hora marcada.”
II. “Ainda tendo a chave do apartamento, preferiu bater.”
III. “Tudo estando nas sacolas, vai embora.”
IV. “O que está nas caixas e nos sacos, é para ir embora.”
Assinale a alternativa CORRETA quanto à análise sintática das orações reduzidas presentes nos fragmentos.
Alternativas
Q4016532 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO


Seu trajo era um primor do gênero, pelo mimoso e delicado. Trazia o vestido de alvas escumilhas, com a saia toda rofada de largos folhos. Pequenos ramos de urze, com um só botão cor-de-rosa, apanhavam os fofos transparentes, que o menor sopro fazia arfar. O forro de seda do corpinho, ligeiramente decotado, apenas debuxava entre a fina gaza os contornos nascentes do gárceo colo; e dentre as nuvens de rendas das mangas só escapava a parte inferior do mais lindo braço. Era o toque severo do pudor corrigindo a túnica da vestal imolada à admiração ardente das turbas. Quando Emília sentava-se, abatendo com a mão afilada os rofos da Escócia, parecia-me um cisne colhendo as asas à margem do lago, e arrufando as níveas penas. Quando erguia-se e coleava o talhe flexível fazendo tremular as brancas roupagens, lembrava o gracioso mito da beleza, que surgiu mulher da espuma das ondas.


ALENCAR, José de. Diva. Rio de Janeiro: Edições de Ouro. [s.d.]. p. 48-49.

Considerando a composição da obra O Nascimento de Vênus e o horizonte - estético filosófico do Renascimento, em especial a concepção neoplatônica de beleza, segundo a qual o corpo sensível funciona como mediação simbólica do ideal e do divino, assinale a alternativa que melhor interpreta o modo como o texto visual constrói o mito da beleza.
Alternativas
Q4016530 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO


Seu trajo era um primor do gênero, pelo mimoso e delicado. Trazia o vestido de alvas escumilhas, com a saia toda rofada de largos folhos. Pequenos ramos de urze, com um só botão cor-de-rosa, apanhavam os fofos transparentes, que o menor sopro fazia arfar. O forro de seda do corpinho, ligeiramente decotado, apenas debuxava entre a fina gaza os contornos nascentes do gárceo colo; e dentre as nuvens de rendas das mangas só escapava a parte inferior do mais lindo braço. Era o toque severo do pudor corrigindo a túnica da vestal imolada à admiração ardente das turbas. Quando Emília sentava-se, abatendo com a mão afilada os rofos da Escócia, parecia-me um cisne colhendo as asas à margem do lago, e arrufando as níveas penas. Quando erguia-se e coleava o talhe flexível fazendo tremular as brancas roupagens, lembrava o gracioso mito da beleza, que surgiu mulher da espuma das ondas.


ALENCAR, José de. Diva. Rio de Janeiro: Edições de Ouro. [s.d.]. p. 48-49.

Considere os seguintes trechos extraídos do fragmento de Diva, de José de Alencar:
I. “o mais lindo braço”
II. “admiração ardente das turbas”
III. “as turbas”
Com base na identificação das figuras de linguagem presentes em cada expressão e na estilística de José de Alencar, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Respostas
1141: A
1142: C
1143: C
1144: B
1145: D
1146: A
1147: A
1148: E
1149: E
1150: B
1151: E
1152: E
1153: E
1154: B
1155: B
1156: B
1157: B
1158: D
1159: E
1160: B