Sobre cistite intersticial, assinale a alternativa incorreta:
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Tema central: Cistite intersticial/Bladder Pain Syndrome (IC/BPS) é uma síndrome de dor vesical crônica, com dor pélvica relacionada ao enchimento vesical, acompanhada de urgência, polaquiúria e noctúria, na ausência de infecção ou outra causa identificável.
Alternativa incorreta (gabarito): B – “Ausência de noctúria”
Justificativa: A noctúria é frequente em IC/BPS devido à hipersensibilidade vesical e à dor que piora com o enchimento noturno. Logo, afirmar “ausência de noctúria” contradiz a clínica típica. Diretrizes AUA (2022) e EAU (2024) descrevem noctúria como sintoma comum.
Análise das demais alternativas:
- A – Úlcera de Hunner: Lesão clássica em subgrupo de IC/BPS (“fenótipo ulcerativo”), visível à cistoscopia, associada a capacidade vesical reduzida e dor intensa. Não é obrigatória, mas sua presença é compatível com a doença.
- C – Dor pélvica e urgência: São marcadores clínicos centrais. Dor relacionada ao enchimento e alívio ao esvaziamento orientam o diagnóstico.
- D – Urgência na cistometria com 150 mL: A urodinâmica pode mostrar hipersensibilidade vesical com sensação/urgência em baixos volumes. Embora não seja exame obrigatório para diagnóstico, esse achado é compatível.
- E – Capacidade vesical < 350 mL na cistometria: Comum em IC/BPS, especialmente com lesões de Hunner. Não é critério único, mas é um achado frequente.
Como pensar na prova:
- Procure por tríade: dor vesical crônica + urgência/frequência + noctúria, com urocultura negativa.
- Lembre que Hunner aponta para fenótipo específico; ausência de infecção é mandatória.
- Pegadinha: enunciados que negam noctúria costumam estar equivocados.
Diagnóstico (resumo): Clínico, após excluir infecção, neoplasia, litíase e endometriose. Urina/urocultura para exclusão; cistoscopia útil para identificar Hunner, mas não é obrigatória; urodinâmica pode evidenciar hipersensibilidade, sem achado patognomônico.
Fisiopatologia (essencial): Disfunção urotelial, ativação mastocitária, inflamação neurogênica e sensibilização central, resultando em baixa tolerância ao enchimento e dor.
Conduta (lembrar): Abordagem em camadas (AUA/EAU, UpToDate): medidas comportamentais, fisioterapia do assoalho pélvico; fármacos como amitriptilina, anti-histamínicos, pentosana; instilações; e, em Hunner, fulguração/injeção de corticoide. Individualizar e evitar opioides crônicos.
Referências: AUA Guideline on IC/BPS (2022); EAU Guidelines on Chronic Pelvic Pain (2024); UpToDate – Clinical features and diagnosis of IC/BPS.
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