O encontro de complemento: C3 e C4 baixos confirmará o diag...

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Q1374174 Medicina

        Um menino de cinco anos de idade foi levado à emergência pediátrica pela mãe, que relatou que o filho estava acordando com os olhos inchados e que, havia dois dias, esse inchaço havia piorado. A mãe informou, ainda, que o menino parecia estar com o abdome aumentado, além de mostrar-se irritadiço, sem apetite e com a urina espumosa. No exame físico, o pediatra constatou edema na face, nos MMII e no abdome, ascite e pressão arterial normal. Foram solicitados exames, que apresentaram os seguintes resultados: EAS (proteinúria /4+); albumina sérica (2,4 g/dL); creatinina sérica (0,6 mg/dL). Foram realizados, ainda, exames de colesterol total e frações e dosagem de complemento C3 e C4, cujos resultados estavam sendo aguardados.


Com referência ao caso clínico apresentado, julgue o item a seguir

O encontro de complemento: C3 e C4 baixos confirmará o diagnóstico da doença.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda o diagnóstico diferencial da síndrome nefrótica em crianças, com foco na utilidade da dosagem do complemento C3 e C4.

Análise clínica: A criança apresenta edema generalizado (face, membros inferiores, abdome), ascite, proteinúria maciça (4+), hipoalbuminemia e história de urina espumosa. A pressão arterial normal e ausência de sinais infecciosos direcionam para síndrome nefrótica idiopática, particularmente doença de lesões mínimas, a causa mais comum nesta faixa etária.

Justificativa para a alternativa correta (“E” – Errado):

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Síndrome Nefrótica Primária em Crianças e Adolescentes (Ministério da Saúde), “a síndrome nefrótica idiopática... não cursa com consumo do complemento” (Introdução, página 7).

Ou seja, os níveis de complemento C3 e C4 permanecem normais na maioria dos casos de síndrome nefrótica idiopática. A redução do complemento sugere outros diagnósticos, como glomerulonefrite pós-infecciosa ou nefrite lúpica, patologias em que há formação de complexos imunes e consumo do complemento.

Por que as alternativas incorretas estão erradas?

Alternativa “C” (Certo): Está errada porque o consumo do complemento não confirma síndrome nefrótica idiopática, e sim outros quadros glomerulares. Em doença de lesões mínimas, os níveis de complemento permanecem normais (Nelson Tratado de Pediatria, 21ª ed., capítulo 474).

Estratégia para provas:

Preste atenção nos elementos clínicos do enunciado: síndrome nefrótica sem hipertensão ou hematúria em criança, geralmente não cursa com hipocomplementemia. A dosagem de complemento serve para descartar causas secundárias!

Resumo: Na síndrome nefrótica idiopática da infância, complemento C3 e C4 são normais. Encontrar níveis baixos indica doença glomerular secundária a processos imunológicos, e não confirma síndrome nefrótica primária.

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Comentários

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A afirmativa está errada porque, na maioria dos casos de síndrome nefrótica em crianças, como o sugerido pelo caso clínico, o complemento C3 e C4 tendem a estar normais. Isso ocorre porque as formas mais comuns da doença em crianças costumam ser a doença de lesões mínimas, nefrose mesangial difusa e glomerulosclerose segmentar e focal, que não estão geralmente associadas a alterações nos níveis de complemento. Portanto, a confirmação do diagnóstico não depende de encontrar níveis baixos de complemento C3 e C4. Em vez disso, o diagnóstico é geralmente confirmado por sinais clínicos e laboratoriais de síndrome nefrótica, como edema, proteinúria massiva (maior que 3,5 g/dia ou 50 mg/kg/dia), hipoalbuminemia (menor que 2,5 g/dL) e dislipidemia.

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