Um menino de 3 anos e meio estava a caminho da Unidade de Sa...

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Q4071757 Medicina
Um menino de 3 anos e meio estava a caminho da Unidade de Saúde da Família (USF), acompanhado de sua mãe, devido a um quadro de febre e coriza. No caminho, já próximo ao destino, acabou desmaiando. Até então, ele nunca havia apresentado esse tipo de evento. Chegou à USF com rigidez em braços e pernas, seguida de movimentos clônicos. Seus sinais vitais eram temperatura axilar [Tax] de 38,9 ºC; frequência respiratória (FR) de 28 irpm, sem esforço; frequência cardíaca (FC) de 136 bpm. Não havia sinais ou sintomas de doenças neurológicas. Houve dificuldade em conseguir um acesso venoso, mas a criança saiu da crise em menos de cinco minutos, antes mesmo de serem administrados medicamentos. Aos poucos, foi retomando a consciência no período pós-comicial. Considerando que o paciente do caso clínico estava no período pós-comicial, o que deveria ser indicado?  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso preenche os critérios de convulsão febril simples: criança de 3 anos e meio, febre documentada, crise generalizada breve, primeiro episódio, sem sinais de doença neurológica ou infecção do SNC e com recuperação pós-comicial progressiva; por isso, a conduta indicada após o término espontâneo da crise é observação clínica, sem indicação rotineira de punção lombar, EEG de urgência ou neuroimagem.

Tema central: Convulsão febril simples
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o quadro é compatível com convulsão febril simples: faixa etária típica, febre, evento tônico-clônico generalizado, duração menor que cinco minutos, episódio único no contexto febril, ausência de doença neurológica prévia e recuperação pós-ictal esperada. Após cessação espontânea da crise e estabilização clínica, a conduta indicada é observação clínica e avaliação da causa da febre, sem investigação neurológica de urgência de rotina.
B
Errada
Punção lombar não é rotina em convulsão febril simples. Faltam sinais clínicos de suspeita de meningite/encefalite, irritação meníngea ou alteração persistente do sensório não explicada pelo pós-ictal. No caso, a criança apresenta recuperação progressiva da consciência, sem sinais ou sintomas de doença neurológica.
C
Errada
EEG de urgência não faz parte da avaliação rotineira da convulsão febril simples e não muda a conduta imediata após crise única, breve, generalizada e já resolvida, com recuperação clínica progressiva. O fato de ser o primeiro episódio não cria, por si só, indicação de EEG emergencial.
D
Errada
Exame de imagem não é indicado rotineiramente em convulsão febril simples na ausência de sinais focais, trauma, suspeita estrutural, hipertensão intracraniana ou déficit neurológico persistente. O caso descreve crise típica, sem focalidade e com recuperação pós-ictal compatível.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de transformar febre associada a primeiro episódio convulsivo em indicação automática de investigação neurológica urgente; o dado decisivo é que a descrição completa caracteriza convulsão febril simples já encerrada, e o período pós-comicial fisiológico não equivale a rebaixamento patológico.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique primeiro a crise: febre, idade entre 6 meses e 5 anos, generalização, curta duração e ausência de recorrência no mesmo episódio apontam para convulsão febril simples.
  • No pós-ictal, recuperação progressiva da consciência é compatível com evolução esperada e, isoladamente, não indica punção lombar, EEG de urgência ou imagem.
  • Só desvie de observação clínica quando houver sinais que mudem o cenário, como suspeita de infecção do SNC, focalidade, déficit persistente, recorrência ou crise prolongada.

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