Os cristais de Charcot-Leyden estão presentes na patologia ...
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Tema central: Cristais de Charcot-Leyden são cristais derivados da proteína galectina-10 de eosinófilos, observados em contextos de inflamação eosinofílica, especialmente no muco alérgico. Na Otorrinolaringologia, seu achado é clássico na rinossinusite fúngica alérgica (RFA).
Alternativa correta: C — rinossinusite fúngica alérgica.
Justificativa clínica: A RFA cursa com hipersensibilidade tipo I a fungos, pólipos nasais e muco espesso (mucina alérgica) repleto de eosinófilos. A degradação eosinofílica gera cristais de Charcot-Leyden e hifas fúngicas sem invasão tecidual. Critérios de Bent & Kuhn: alergia a fungos, pólipos, TC com opacidades heterogêneas hiperatenuantes, mucina eosinofílica com hifas e prova micológica positiva. Fontes: UpToDate (Allergic fungal rhinosinusitis), ICAR-RS/ICAR-Allergy 2021–2023.
Por que as outras estão incorretas?
- A — Bola fúngica (micetoma): aglomerado denso de hifas, geralmente em seio maxilar, em imunocompetentes. Não há mucina alérgica rica em eosinófilos nem Charcot-Leyden. TC com hiperatenuação e calcificações; hifas sem invasão. Tratamento: cirurgia endoscópica; corticosteroide não é essencial.
- B — Mucormicose: forma invasiva angioinvasiva em diabéticos descompensados ou imunossuprimidos, com necrose/escara negra. Histologia: hifas largas, paucisseptadas, com invasão vascular. Não se associa a mucina eosinofílica ou Charcot-Leyden. Conduta: desbridamento + anfotericina B.
- D — Rinossinusite fúngica invasiva: aguda fulminante (neutropenia) ou crônica invasiva (diabetes). Há invasão tecidual por Aspergillus/Mucor; pode haver granulomas, mas não há padrão de mucina alérgica com cristais de Charcot-Leyden.
Diagnóstico da RFA (como pensar na prova):
- Pistas-chave: “Charcot-Leyden” = eosinófilo/alergia; presença de pólipos; TC com opacidades heterogêneas hiperatenuantes.
- Confirmação: endoscopia com coleta de mucina; histo com mucina eosinofílica + hifas não invasivas; IgE elevada; testes cutâneos para fungos.
Tratamento da RFA (conduta de escolha): Cirurgia endoscópica funcional para remoção completa da mucina alérgica e ventilação dos seios, seguida de corticosteroides tópicos de manutenção e, em recidivas/exacerbações, curtos cursos de sistêmicos. Antifúngicos têm papel controverso; imunoterapia pode ser considerada em casos selecionados. Referências: UpToDate; ICAR 2021/2023.
Pegadinha comum: confundir “não invasiva” (RFA e bola fúngica) — lembre-se: Charcot-Leyden aponta para RFA; “bola fúngica” não tem mucina eosinofílica.
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