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No trecho “...não era apenas ausência de palavras, mas um ...

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Q4070560 Português
TEXTO 2

“Minha irmã encontrou a faca escondida na mala de nossa avó. Brincávamos de cortar folhas, talos, fingindo cozinhar como víamos fazer. Não sabíamos que aquele gesto inocente mudaria tudo. Foi num instante, um descuido, e o sangue tomou conta do silêncio da casa. 
Quando arrancaram a língua de minha irmã, foi como se arrancassem também a nossa história. Ficamos presas a um silêncio que não era apenas ausência de palavras, mas um peso que carregávamos no corpo e na memória.” VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto Arado. Salvador: Editora Todavia, 2019. 
No trecho “...não era apenas ausência de palavras, mas um peso que carregávamos...”, o conectivo “mas” estabelece relação de: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trecho “não era apenas ausência de palavras, mas um peso que carregávamos no corpo e na memória.”, o conectivo "mas" tem valor adversativo e introduz contraste entre uma caracterização insuficiente do silêncio e outra mais densa; por isso, a relação pedida no gabarito é de contraposição.

Tema central: valor adversativo do conectivo
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Não há nexo causal entre os segmentos. Em “não era apenas ausência de palavras, mas um peso que carregávamos no corpo e na memória.”, a segunda parte não apresenta a causa da primeira; ela contrapõe uma definição limitada do silêncio a outra mais profunda.
B
Errada
Incorreta. O segundo segmento não expressa resultado do primeiro. O trecho não diz que o silêncio se tornou um peso como consequência de ser ausência de palavras; ele opõe duas caracterizações do silêncio, com valor contrastivo.
C
Certa
Correta. "Mas" liga dois segmentos em oposição semântica. O texto nega que o silêncio se reduza a “ausência de palavras” e o redefine de modo contrastivo como “um peso que carregávamos no corpo e na memória”. Portanto, a relação estabelecida é de contraste entre duas formas de caracterizar o mesmo referente.
D
Errada
Incorreta. O segundo segmento não explica o primeiro. Se fosse explicação, haveria uma justificativa elucidativa da primeira afirmação. Aqui, o que ocorre é reformulação em chave adversativa: a primeira caracterização é apresentada como insuficiente, e a segunda a contrapõe.
E
Errada
Incorreta. Não há conclusão derivada do segmento anterior. O trecho não fecha um raciocínio; ele requalifica o silêncio por contraste, marcado diretamente pelo conectivo "mas".
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de o candidato se deixar levar pela carga emocional do trecho e ler causa ou consequência do trauma narrado. Mas a pergunta recorta apenas a relação semântica estabelecida por "mas" no segmento citado, que é de contraposição entre uma definição insuficiente e outra mais densa.
Dica para questões semelhantes
  • Observe o valor semântico do conectivo no trecho local, sem deslocar a análise para a história narrada como um todo.
  • Na estrutura “não apenas..., mas...”, verifique se a segunda parte contrapõe ou redireciona o sentido da primeira.
  • Elimine causa, consequência, explicação e conclusão quando o conectivo estiver requalificando o mesmo referente por oposição semântica.

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