Ver outras questões
Usar o filtro de questões
Ano: 2019
Banca:
CETAP
Órgão:
Prefeitura de Tailândia - PA
Prova:
CETAP - 2019 - Prefeitura de Tailândia - PA - Nível Fundamental Incompleto |
Q4415790
Não definido
Texto associado
Boas e más ideias.
Morreu outro dia, nos EUA, um homem chamado Alan
Haberman, 81 anos. Não era famoso, mas tremendamente
poderoso, e sua morte saiu em vários jornais. Foi o responsável,
em 1974, pela implantação do código de barras, aquele
retangulinho zebrado que, passado por um leitor ótico, indica o
preço de qualquer coisa, de um cacho de bananas no hortifrúti a
um exemplar de "Fenomenologia da Percepção", de MerleauPonty, na livraria, e a uma caçamba de entulhos na loja de
material pesado.
Não apenas isso, mas concentra informações sobre
qualquer produto em que venha impresso. É infalível como
identificação - não existem dois códigos de barra iguais. Não sei
como as crianças já não nascem com um desses impresso no
bumbum.
Mas Haberman não foi seu inventor. Apenas convenceu
os americanos de que não podiam viver sem ele, e os
americanos fizeram o mesmo com o mundo. Não importa -
passou à história como o responsável por um dispositivo que, em
seu próprio tempo, atingiu bilhões de pessoas, talvez toda
humanidade. Nem Cristo nem os Beatles puderam se gabar
disso.
O código de barra, ou seu rascunho, foi bolado em 1948
por dois jovens inventores da Filadélfia, Norman Woodland e
Bernard Silver. Já era uma extensão dos pontos e traços do
Morse em linhas finas e grossas, só que circulares. Chegaram
até a patenteá-lo. Mas ninguém se interessou, nem mesmo a
IBM para quem Woodland trabalhava. Com isso, venderam a
ideia para a Philco, que a vendeu para RCA, que não fez nada
com ela, até que a patente expirou em 1969.
Em 1973, outro inventor, George Laurer, da própria IBM,
retomou a ideia e adaptou-a para um sistema de barras verticais.
Mostrou-a a Haberman, que enxergou o potencial da coisa, e o
resto é história. Moral: se você inventar um código de barras, não
o venda para ninguém.
(CASTRO, Ruy. A arte de querer bem. São Paulo: Estação Brasil, 2018. p.159/160)
De acordo com a crônica, o "retangulinho zebrado" que indica o
preço só não é usado: