No período “A ideia de que o mundo é criado pela palavra, p...

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Q3503585 Português
        No princípio era o verbo. A frase que abre o primeiro capítulo do Evangelho de João e remete à criação do mundo, assim como também faz o Gênesis, é a mais famosa da Bíblia. A ideia de que o mundo é criado pela palavra, porém, é tão estruturante que está presente em outras religiões, para muito além das fundadas no cristianismo. Como humanos, a linguagem é o mundo que habitamos. Basta tentar imaginar um mundo em que não podemos usar palavras para dizer de nós e dos outros para compreender o que isso significa. Ou um mundo em que aquilo que você diz não é entendido pelo outro, e o que o outro diz não é entendido por você.

         O que acontece então quando a palavra é destruída e, com ela, a linguagem?

    Durante séculos, em diferentes sociedades e línguas, é importante lembrar que a linguagem serviu — e ainda serve — para manter privilégios de grupos de poder e deixar todos os outros de fora. Quem entende linguagem de advogados, juízes e promotores, linguagem de médicos, linguagem de burocratas, linguagem de cientistas? A maior parte da população foi submetida à violência de propositalmente ser impedida de compreender a linguagem daqueles que determinam seus destinos.

       Se o princípio é o verbo, o fim pode ser o silenciamento. Mesmo que ele seja cheio de gritos entre aqueles que já não têm linguagem comum para compreender uns aos outros.


BRUM, E. Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 13. abr. 2025.
No período “A ideia de que o mundo é criado pela palavra, porém, é tão estruturante que está presente em outras religiões”, a oração realçada é tipificada como
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito comentado: A) subordinada adverbial consecutiva

O tema central dessa questão é a identificação de orações subordinadas adverbiais consecutivas, fundamentais para a análise síntaxe em textos e muito cobradas em concursos de Língua Portuguesa. Esse conteúdo abrange a compreensão de como as orações se conectam, atribuindo ideias de causa, condição, concessão, consequência ou comparação entre informações do texto, conforme a norma-padrão.

No período analisado, observe a estrutura: “A ideia (...) é tão estruturante que está presente em outras religiões. A oração subordinada destacada, introduzida por “que” após o intensificador “tão”, indica uma consequência da intensidade atribuída à ideia da oração principal.

De acordo com Evanildo Bechara em “Moderna Gramática Portuguesa”, a oração subordinada consecutiva “exprime a consequência do que se declara na principal”. Esse padrão estrutural típico é: tão/tanto/tamanho(a)(s) ... que.

Análise das alternativas:

A) subordinada adverbial consecutiva (correta): expressa a consequência de a ideia ser “tão estruturante”.

B) causal: expressaria causa, exigindo conectores como “porque”, “já que” (não é o caso).
C) concessiva: indicaria contraste ou oposição (ex: “embora”, “mesmo que”), ausentes aqui.
D) condicional: exigiria condição (“se”, “desde que”), o que não ocorre.
E) comparativa: demanda comparação (“como”, “mais que”), impossível nesse trecho.

Estratégia para futuras provas: Fique atento(a) à presença de intensificadores (“tão”, “tanto”, “tamanho”) seguidos de “que”, pois sinalizam consequência. Outras alternativas citam conectores que não aparecem no trecho, evidenciando caminhos equivocados.

Resumo: A identificação da alternativa correta exige reconhecer o valor de consequência trazido pela oração subordinada, sustentado por regras clássicas de gramáticas como Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra.

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Comentários

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Alguém explica!!!

GAB: A

Note o termo intensificador "tão" antes do adjetivo "estruturante". Isso já nos dá uma pista de que uma consequência está por vir. A ideia de ser "tão estruturante" aponta para um resultado.

"que está presente em outras religiões." Ela é introduzida pela conjunção "que" e expressa a consequência de a ideia ser "tão estruturante". Qual é o resultado de algo ser "tão estruturante"? É que ele "está presente em outras religiões".

Geralmente, elas vêm introduzidas por conjunções ou locuções conjuntivas como:

que (quase sempre depois de um termo intensificador na principal)

tão... que

tanto... que

tamanho(a)(s)... que

de forma que

de sorte que

de modo que

sem que (com sentido de "de modo que não")

O ponto chave para as consecutivas é a presença de um termo intensificador (tão, tanto, tamanho) na oração principal, que "antecipa" a consequência que virá na oração subordinada.

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GAB: A

Consecutivas -> que (precedido de tal, tanto, tamanho, tão).

de modo que, de maneira que, de forma que, tamanho que, tanto que, tal que...

Bizu: depois do Tzão (tão) vem a consequência

Pelo menos uma eu acertei. Todo TESÃO gera uma CONSEQUÊNCIA

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