Se os outros não precisassem dele nem o desejassem, o dinhei...
[Modos de valor]
“O ouro é uma coisa maravilhosa”, escreveu Colombo, da Jamaica, aos reis de Espanha em 1503, “seu dono é o senhor de tudo que deseja; o ouro faz até mesmo as almas entrarem no paraíso”. A fé no padrão-ouro e a crença no paraíso cristão saíram combalidas do correr dos séculos, mas o poder do dinheiro se mantém incólume.
O que lhe dá essa força? Papel-moeda ou bit digital, o poder do dinheiro na sua carteira depende da falta dele na carteira dos demais. Se os outros não precisassem dele nem o desejassem, o dinheiro de nada valeria. O dinheiro é poder de mando sobre o trabalho e os bens disponíveis no mercado, mas ele vai muito além disso: o dinheiro representa uma singular fonte de poder nas relações interpessoais – tem o dom de proporcionar ao seu possuidor a renda psíquica suplementar de um especial comando sobre a atenção, o respeito, a deferência e o afeto alheios.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo, Companhia das Letras, 2016, p. 107-108)
Se os outros não precisassem dele nem o desejassem, o dinheiro de nada valeria.
O sentido e a correção da frase acima estarão resguardados numa nova redação, iniciando-a agora por O dinheiro de nada valeria e complementando-a com o segmento
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Tema central da questão:
Esta questão envolve interpretação de texto e, principalmente, o domínio rigoroso da regência verbal e do emprego adequado de pronomes oblíquos átonos (como "lhe", "o", "dele"), conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Justificativa da alternativa correta – (C):
A opção C – “caso os outros dele não carecessem nem o ambicionassem” – está correta porque:
- Regência de “carecer”: é transitivo indireto e exige a preposição “de” (carecer de algo). Logo, utiliza-se “dele”. Exemplo: “Muitos carecem dele”.
- Regência de “ambicionar”: é transitivo direto, portanto pede objeto direto, representado por “o”. Exemplo: “Muitos o ambicionam”.
- A estrutura condicional (“caso...”) preserva o sentido lógico da oração original.
Assim, a resposta respeita as regras gramaticais e mantém o sentido do texto, conforme exigem Bechara e Cunha & Cintra.
Análise das alternativas incorretas:
- A) “ainda que os outros não o desejassem nem lhe necessitassem” – Erro de regência: o verbo “necessitar” exige “de”, logo, o correto seria “deles necessitassem”. “Lhe” indica objeto indireto regrado por “a”.
- B) “mesmo porque aos outros não seria necessário nem desejado” – Erro de estrutura e sentido: “mesmo porque” não apresenta sentido condicional, e a frase perde coesão com o texto-base.
- D) “a menos que não fosse desejado tanto quanto carecido pelos outros” – Dupla negação ("a menos que" + "não") altera/desfaz o sentido original; além disso, a estrutura fica ambígua.
- E) “na hipótese de que os outros não lhe valorizassem nem lhes fizesse falta” – Erro de regência: “valorizar” é transitivo direto, o correto seria “não o valorizassem”. “Lhe” não se encaixa aqui.
Estratégia para provas:
Sempre observe a regência verbal e a função dos pronomes. Identifique o verbo, determine se ele pede preposição e escolha o pronome correto – dica valiosa para evitar pegadinhas, como troca de “lhe” por “o”. Segundo Bechara, essa atenção diferencia respostas certas das erradas.
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Comentários
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GABARITO: LETRA C
? Se os outros não precisassem dele nem o desejassem, o dinheiro de nada valeria ? temos a conjunção subordinativa condicional, nós queremos uma alternativa que esteja com esse mesmo valor e plenamente correta:
? O dinheiro de nada valeria caso os outros dele não carecessem nem o ambicionassem ? temos uma conjunção subordinativa condicional, valor semântico mantido e conjugação verbal correta.
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? FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
GAB C
As conjunções condicionais iniciam uma oração subordinada em que é indicada uma hipótese ou uma condição necessária para que seja realizada ou não o fato principal: Exemplos: Se, caso, quando, conquanto que, salvo se, sem que, dado que, desde que, a menos que, a não ser que.
Conjunções Subordinativas - Toda Matéria
"Se", procuramos uma conjunção subordinativa condicional. Exemplos: Caso, quando, conquanto que, salvo se, sem que, dado que, desde que, a menos que, a não ser que.
A. ainda que - conjunção subordinativa concessiva, ou seja, carrega o sentido de ressalva.
B. mesmo porque - conjunção causal, introduze uma oração que é causa da ocorrência da oração principal.
C. GABARITO - O dinheiro de nada valeria, caso os outros dele não carecessem nem o ambicionassem.
D. a menos que - conjunção condicional, porém, traz a ideia de comparação entre os verbos desejado e carecido através da conjunção "tanto quanto", alterando o sentido original.
E. na hipótese de - traz ideia de condição, porém peca ao confundir objeto direto com indireto nos pronomes "lhe" e "lhes"
Poderia ter gabarito comentado, ou uma explicação sobre o erro nos obj direito e indireto da E.
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