Paciente de 60 anos de idade, sexo feminino, com diabetes m...
Com base no caso clínico precedente, julgue o próximo item.
Uma dieta de muito baixas calorias (< 800 kcal por dia) deve ser instituída durante a internação da paciente, seguida por acompanhamento semestral com clínico da atenção básica para tratamento da obesidade e redução das complicações de saúde.
Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda o manejo nutricional de uma paciente com obesidade grau III e diabetes melito tipo 2 (DM2) durante a internação por erisipela. A discussão gira em torno da adequação de uma dieta de muito baixas calorias (< 800 kcal por dia) e o acompanhamento ambulatorial subsequente.
Justificativa para a alternativa correta (E - errado): Instituir uma dieta de muito baixas calorias durante a internação não é uma abordagem recomendada para esta paciente. Segundo diretrizes da American Diabetes Association (ADA) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), dietas de muito baixas calorias devem ser usadas com cautela e, geralmente, são indicadas apenas em contextos específicos e sob supervisão rigorosa. Isso se deve ao risco de deficiências nutricionais, perda de massa muscular e outras complicações metabólicas.
Além disso, durante uma internação por erisipela, o foco deve estar no tratamento da infecção e na estabilização clínica da paciente, não na perda de peso extrema. A obesidade e o DM2 devem ser manejados de forma contínua e integrada, com mudanças sustentáveis a longo prazo no estilo de vida, incluindo uma alimentação equilibrada e atividade física regular, conforme recomendado por diretrizes como as da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Análise da alternativa incorreta:
Erro conceitual: A proposta de iniciar uma dieta de muito baixas calorias imediatamente na internação subestima o risco potencial de complicações e ignora as prioridades clínicas imediatas. Em casos de infecção como a erisipela, é essencial garantir o suporte nutricional adequado para promover a cicatrização e combater a infecção.
Abordagem inadequada: O acompanhamento semestral sugerido é insuficiente para o manejo eficaz da obesidade e do DM2. Uma abordagem mais frequente e integrada, envolvendo uma equipe multidisciplinar, é necessária para garantir a adesão ao tratamento e o monitoramento adequado das condições de saúde.
Em resumo, a alternativa está incorreta porque não alinha a estratégia nutricional com as necessidades e diretrizes clínicas adequadas para o tratamento desta paciente específica.
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Comentários
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- Dietas muito baixas calorias (VLCD < 800 kcal/dia)
- Não são recomendadas rotineiramente durante internação por infecção aguda, como erisipela.
- Diretrizes reforçam que, em contexto de doença aguda, há maior risco de:
- piora do estado nutricional,
- perda de massa magra,
- descompensação glicêmica,
- pior cicatrização.
- VLCD só é indicada em programas estruturados, com supervisão intensiva, geralmente em ambulatório especializado, e não durante processo infeccioso ativo.
- Acompanhamento semestral não é suficiente
- Endocrine Society e AACE recomendam follow-up frequente, principalmente em obesidade grau III:
- consultas mensais a trimestrais,
- abordagem multidisciplinar (nutrição, endocrinologia, atenção primária).
- Apenas acompanhamento semestral é inadequado para controle de obesidade severa e DM2.
Dieta < 800 kcal/dia durante internação + acompanhamento semestral não seguem as recomendações dos principais guidelines.
Resposta: E — Errado.
Fonte: guidelines (ADA, AACE, ESPEN, Endocrine Society)
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