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Q1674259 Medicina
Uma paciente de 62 anos de idade, hipertensa, com dor e edema em membro superior direito após mastectomia direita, refere impressão de membro “ïnchado”, com sensação de peso, aperto em região distal do membro e diminuição da flexibilidade das articulações do segmento acometido, há três meses, com piora progressiva, e limitações nas atividades domésticas diárias. Ao exame físico, demonstra redução leve de amplitude de movimento nas articulações de ombro e dedos. Verificam-se edema de membro superior direito (++/4), pulsos radiais presentes e simétricos, FC = 94 bpm, FR = 12 irpm e SatO2 = 99%.  
Tendo em vista esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir:
É comum a incidência de fenômenos tromboembólicos nessa população, com comprometimento de membro superior ipsilateral, sendo mandatória a realização de exames complementares.
Alternativas

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Tema central: O caso clínico aborda uma complicação pós-mastectomia, salientando sintomas como dor, edema, sensação de peso e diminuição da mobilidade no membro superior direito. O ponto focal é diferenciar linfedema de fenômenos tromboembólicos (TEV), especialmente trombose venosa profunda (TVP) de membro superior.

Análise e justificativa da alternativa correta (E – errado):

Os achados clínicos descritos – edema crônico, sensação de peso, diminuição da flexibilidade – são altamente compatíveis com linfedema, uma das principais causas de edema de membro superior após mastectomia, devido à interrupção dos linfáticos axilares durante a cirurgia.

Embora pacientes oncológicas tenham risco aumentado para tromboembolismo venoso (TEV), a incidência de TVP em membros superiores permanece baixa. Segundo Chew et al., em artigo revisado na Mastology, “a incidência de TEV em pacientes com câncer de mama é de cerca de 1% nos primeiros dois anos, com a vasta maioria dos eventos ocorrendo em membros inferiores”. A literatura reforça que TVP de membros superiores responde por apenas 3% dos casos de trombose venosa profunda (Secad/Artmed), sendo consideravelmente menos frequente que o linfedema nesta população.

Protocolos clínicos e diretrizes recomendam investigação de fenômenos tromboembólicos somente diante de sinais de TEV (veia palpável dolorosa, rubor, enduração localizada, dor súbita), o que não corresponde ao caso em questão. O Ministério da Saúde não estabelece a obrigatoriedade de exames complementares para TEV frente a quadro típico de linfedema.

Pegadinhas e pontos-chave:

  • Confundir sintomas comuns do linfedema com trombose pode induzir ao erro.
  • Palavras como “comum” e “mandatória” no enunciado devem ser analisadas criticamente: nem todo edema pós-mastectomia é trombótico.

Conclusão: A alternativa está ERRADA. O caso clínico descreve quadro típico de linfedema, cuja incidência é muito maior que a de TEV em membros superiores neste contexto, não sendo obrigatória a realização de exames para trombose sem indicação clínica.

Referências utilizadas: Mastology (Chew et al.), Secad/Artmed, protocolos do Ministério da Saúde.

Dica de prova: Sempre associe o perfil clínico, o tempo de evolução e o contexto cirúrgico para diferenciar linfedema de trombose!

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Comentários

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A afirmação é falsa. O cenário clínico descreve um caso típico de linfedema, uma consequência comum após mastectomia. O linfedema é uma condição crônica caracterizada pelo inchaço de membros devido ao acúmulo de linfa, devido à disfunção do sistema linfático. Isso pode ocorrer após a mastectomia, especialmente quando os gânglios linfáticos axilares são removidos ou danificados. Embora o linfedema possa aumentar o risco de infecções no membro afetado, não está associado a um risco aumentado de eventos tromboembólicos. Portanto, embora seja importante monitorar e tratar o linfedema em pacientes pós-mastectomia, a realização de exames complementares para tromboembolismo não é mandatória nessa população, a menos que haja outros fatores de risco ou sintomas.

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