Uma paciente obesa, grau II, de 64 anos de idade, procur...

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Q3105636 Medicina
    Uma paciente obesa, grau II, de 64 anos de idade, procurou a emergência com dor torácica havia cinco horas. A dor era de leve intensidade, ao repouso, em pontadas, sem relação com a respiração e sem outros sinais ou sintomas. Ela era portadora de hipertensão arterial controlada havia dois anos. Ao exame físico, encontrava-se afebril, eupneica, com frequência cardíaca de 72 bpm, frequência respiratória de 18 rpm, saturação de oxigênio de 95% e pressão arterial de 118 mmHg x 76 mmHg. Não foram detectadas alterações significativas ao exame físico. O valor do D-dímero foi de 600 ng/ml. A radiografia de tórax foi normal.
Com base nesse caso clínico, julgue o próximo item. 

As presenças de onda S em DI, onda Q e inversão da onda T em DIII são esperadas no eletrocardiograma da paciente. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E — Errado

Tema central: interpretação de ECG no tromboembolismo pulmonar (TEP) e uso do D-dímero ajustado pela idade para estratificação.

Por que a afirmação está errada? O padrão S1Q3T3 (onda S em D1, onda Q e inversão de T em D3) é um achado clássico, porém infrequente e inespecífico de cor pulmonale agudo/TEP. Nas Diretrizes ESC 2019 para TEP e no UpToDate, o achado mais comum no ECG é taquicardia sinusal e alterações inespecíficas de ST-T, enquanto S1Q3T3 ocorre em minoria dos casos e não é “esperado” de rotina.

Além disso, o quadro clínico sugere baixa probabilidade pré-teste de TEP: paciente sem dispneia, hemodinamicamente estável, FC 72 bpm, SatO2 95% e RX de tórax normal. O D-dímero = 600 ng/mL, em paciente com 64 anos, é negativo pelo critério ajustado à idade (≥50 anos: idade × 10 ng/mL64 × 10 = 640 ng/mL). Logo, TEP é improvável, e não se espera padrão S1Q3T3 no ECG desta paciente. Referências: ESC 2019 TEP, UpToDate, Harrison’s.

Pegadinha importante: atenção à unidade do D-dímero (FEU vs DDU) e ao ponto de corte ajustado à idade. Em provas, valores levemente acima de 500 ng/mL podem ser negativos se age-adjusted for aplicado.

Raciocínio clínico resumido (diagnóstico):

- Estimar probabilidade pré-teste (Wells/Genebra). Quadro aqui sugere baixa probabilidade.
- Em probabilidade baixa/intermediária, D-dímero negativo (ajustado à idade) exclui TEP sem imagem (ESC 2019).
- ECG no TEP: achados mais comuns são taquicardia sinusal, desvio do eixo para a direita, inversão de T em V1–V4. O S1Q3T3 pode ocorrer, mas é pouco sensível e não é esperado em casos de baixa probabilidade.

Análise das alternativas:

- C (Certo): Incorreta. Afirmar que S1Q3T3 é “esperado” contraria as diretrizes e o cenário clínico de baixa probabilidade e D-dímero negativo pela idade. É um padrão infrequente e inespecífico.

- E (Errado): Correta. Não se espera S1Q3T3 no ECG desta paciente.

Dica de prova: Sempre: 1) estime a probabilidade clínica; 2) aplique D-dímero ajustado à idade (>50 anos: idade×10 ng/mL); 3) lembre que ECG não confirma nem exclui TEP e o S1Q3T3 é raro.

Fontes: ESC Guidelines for Acute Pulmonary Embolism (2019/2020), UpToDate (Evaluation of suspected PE), Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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