Uma paciente obesa, grau II, de 64 anos de idade, procur...

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Q3105635 Medicina
    Uma paciente obesa, grau II, de 64 anos de idade, procurou a emergência com dor torácica havia cinco horas. A dor era de leve intensidade, ao repouso, em pontadas, sem relação com a respiração e sem outros sinais ou sintomas. Ela era portadora de hipertensão arterial controlada havia dois anos. Ao exame físico, encontrava-se afebril, eupneica, com frequência cardíaca de 72 bpm, frequência respiratória de 18 rpm, saturação de oxigênio de 95% e pressão arterial de 118 mmHg x 76 mmHg. Não foram detectadas alterações significativas ao exame físico. O valor do D-dímero foi de 600 ng/ml. A radiografia de tórax foi normal.
Com base nesse caso clínico, julgue o próximo item. 

O peptídeo natriurético cerebral seria impreciso no caso dessa paciente, por ser o valor superestimado em obesos. 
Alternativas

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Tema central: interpretação do peptídeo natriurético cerebral (BNP/NT-proBNP) em contextos clínicos e o impacto da obesidade nos seus valores.

Gabarito: E (errado)

Justificativa: A afirmação diz que, em obesos, o BNP seria “superestimado”. Isso é o oposto do observado. Obesidade reduz os níveis circulantes de BNP e NT-proBNP para um mesmo grau de disfunção cardíaca, levando a subestimação do valor e risco de falso-negativo. Mecanismos propostos incluem maior depuração (receptor de clearance NPR-C no tecido adiposo) e menor secreção peptídica. Consequência prática: um BNP “baixo” em obesos não exclui insuficiência cardíaca com a mesma segurança de não obesos.

Evidências e diretrizes: As diretrizes ESC 2021/2023 e AHA/ACC/HFSA 2022 salientam que a obesidade reduz NP e recomendam cautela na interpretação; estudos sugerem reduzir pontos de corte em ~50% para manter sensibilidade, sobretudo no pronto-socorro (Januzzi et al.; UpToDate; Harrison’s).

Relação com o caso: Paciente obesa (grau II), dor torácica leve, sem dispneia, sinais vitais estáveis e RX normal. BNP não é o exame mais útil para dor torácica sem suspeita de insuficiência cardíaca. Se solicitado, um valor “baixo” poderia ser falso-negativo pelo efeito da obesidade. O D-dímero de 600 ng/mL, em idosa de 64 anos, pode ser negativo por ajuste etário (cutoff ≈ 640 ng/mL quando em FEU), mas isso é tangencial ao item.

Análise das alternativas:

– C (certo): Incorreta. Baseia-se na premissa de “superestimado”. Em obesos, os NP são subestimados (valores mais baixos), reduzindo sensibilidade diagnóstica para IC. Portanto, a assertiva não procede (ESC 2021; AHA/ACC/HFSA 2022; UpToDate).

– E (errado): Correta para a questão, pois a proposição do item é falsa. Logo, deve-se marcar “Errado”.

Estratégia de prova: Destaque palavras-chave. Se aparecer “BNP em obeso = superestimado”, lembre a regra prática: “Obesidade derruba BNP”. Em clínica, um BNP alto ainda é útil; o problema é o BNP baixo em obeso, que não exclui IC com segurança.

Referências rápidas: ESC Guidelines for HF (2021/2023); AHA/ACC/HFSA HF Guideline (2022); UpToDate “Natriuretic peptide measurement in heart failure”; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Conclusão: O item afirma superestimação do BNP em obesos; a evidência mostra o contrário. Portanto, gabarito E.

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BNP é subestimado em obesos

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