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Q3105626 Medicina
    Um paciente do sexo masculino compareceu ao atendimento médico relatando a presença de uma pequena ferida, única, na região peniana. Ele informou que a ferida não causava dor, não coçava, não ardia, e não produzia pus. Também relatou que, após 15 dias do surgimento dessa ferida, surgiram “caroços na região das virilhas”. Em seu prontuário, consta que o paciente já teve quadro alérgico significativo quando precisou tomar benzetacil.
Com base no caso clínico apresentado, julgue o item a seguir.  

Se a condição do paciente em questão evoluir para quadro de pielonefrite associada causada por enterobactérias produtoras de β-lactamase de espectro estendido, os antibióticos de escolha deverão ser ertapenem, meropenem ou imipenem-cilastatina. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E (errado)

Tema central: O caso inicial sugere sífilis primária (cancro duro: úlcera única, indolor, com linfonodos inguinais reacionais). O item, porém, testa conhecimento sobre tratamento de pielonefrite por enterobactérias produtoras de ESBL.

Raciocínio clínico e por que o item é errado: Em pielonefrite por ESBL, as diretrizes recomendam priorizar opções orais ativas quando possível: TMP-SMX ou fluoroquinolonas (ciprofloxacino/levofloxacino) se o microrganismo for suscetível. Carbapenêmicos (ertapenem, meropenem, imipenem-cilastatina) são indicados quando há resistência a essas drogas, impossibilidade de uso, ou gravidade (sepse, instabilidade) — não “deverão ser” para todos os casos. Logo, a assertiva é excessivamente absoluta e conflita com as recomendações atuais.

Fontes: IDSA 2024 Guidance para ESBL-E (preferir TMP-SMX/quinolonas se suscetíveis; reservar carbapenêmicos quando necessário). UpToDate; Harrison’s.

Detalhes práticos importantes:

- Evitar nitrofurantoína e fosfomicina em pielonefrite (baixa penetração renal).

- Ertapenem é opção válida em ESBL-E não graves, mas não cobre Pseudomonas e pode ser inferior em pacientes críticos/hipoalbuminêmicos; meropenem/imipenem preferíveis nesses cenários.

- A alergia a penicilina do caso inicial não contraindica carbapenêmicos de forma absoluta (reatividade cruzada é baixa), mas isso não muda o erro conceitual do item.

Estratégia de prova: Sempre pergunte: “Há opções não carbapenêmicas ativas?” Se sim (TMP-SMX/quinolona sensíveis), use-as e poupe carbapenêmicos para reduzir pressão seletiva.

Diagnóstico do caso base (sífilis primária) — reforço didático:

- Clínica: úlcera genital única, limpa, indolor + linfadenopatia inguinal após 1–2 semanas.

- Exames: teste treponêmico (FTA-ABS/TPPA) e não treponêmico (VDRL/RPR) para confirmação e seguimento.

- Tratamento na alergia à penicilina: doxiciclina 100 mg 12/12 h por 14 dias (alternativa: ceftriaxona em regimes específicos). Desensibilizar se gestante/neurossífilis.

Análise das alternativas:

- C (certo): Incorreta, porque faz dos carbapenêmicos a escolha universal na pielonefrite por ESBL, contrariando IDSA/UpToDate, que priorizam TMP-SMX/quinolonas quando suscetíveis.

- E (errado): Correta, pois a assertiva é generalista e não reflete a conduta atual baseada em suscetibilidade e gravidade.

Referências principais: IDSA 2024 Guidance on the Treatment of Antimicrobial-Resistant Gram-Negative Infections; UpToDate (Treatment of ESBL-producing Enterobacterales UTIs); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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