Um paciente do sexo masculino compareceu ao atendimento...
Com base no caso clínico apresentado, julgue o item a seguir.
Se a condição do paciente em questão evoluir para quadro de pielonefrite associada causada por enterobactérias produtoras de β-lactamase de espectro estendido, os antibióticos de escolha deverão ser ertapenem, meropenem ou imipenem-cilastatina.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (errado)
Tema central: O caso inicial sugere sífilis primária (cancro duro: úlcera única, indolor, com linfonodos inguinais reacionais). O item, porém, testa conhecimento sobre tratamento de pielonefrite por enterobactérias produtoras de ESBL.
Raciocínio clínico e por que o item é errado: Em pielonefrite por ESBL, as diretrizes recomendam priorizar opções orais ativas quando possível: TMP-SMX ou fluoroquinolonas (ciprofloxacino/levofloxacino) se o microrganismo for suscetível. Carbapenêmicos (ertapenem, meropenem, imipenem-cilastatina) são indicados quando há resistência a essas drogas, impossibilidade de uso, ou gravidade (sepse, instabilidade) — não “deverão ser” para todos os casos. Logo, a assertiva é excessivamente absoluta e conflita com as recomendações atuais.
Fontes: IDSA 2024 Guidance para ESBL-E (preferir TMP-SMX/quinolonas se suscetíveis; reservar carbapenêmicos quando necessário). UpToDate; Harrison’s.
Detalhes práticos importantes:
- Evitar nitrofurantoína e fosfomicina em pielonefrite (baixa penetração renal).
- Ertapenem é opção válida em ESBL-E não graves, mas não cobre Pseudomonas e pode ser inferior em pacientes críticos/hipoalbuminêmicos; meropenem/imipenem preferíveis nesses cenários.
- A alergia a penicilina do caso inicial não contraindica carbapenêmicos de forma absoluta (reatividade cruzada é baixa), mas isso não muda o erro conceitual do item.
Estratégia de prova: Sempre pergunte: “Há opções não carbapenêmicas ativas?” Se sim (TMP-SMX/quinolona sensíveis), use-as e poupe carbapenêmicos para reduzir pressão seletiva.
Diagnóstico do caso base (sífilis primária) — reforço didático:
- Clínica: úlcera genital única, limpa, indolor + linfadenopatia inguinal após 1–2 semanas.
- Exames: teste treponêmico (FTA-ABS/TPPA) e não treponêmico (VDRL/RPR) para confirmação e seguimento.
- Tratamento na alergia à penicilina: doxiciclina 100 mg 12/12 h por 14 dias (alternativa: ceftriaxona em regimes específicos). Desensibilizar se gestante/neurossífilis.
Análise das alternativas:
- C (certo): Incorreta, porque faz dos carbapenêmicos a escolha universal na pielonefrite por ESBL, contrariando IDSA/UpToDate, que priorizam TMP-SMX/quinolonas quando suscetíveis.
- E (errado): Correta, pois a assertiva é generalista e não reflete a conduta atual baseada em suscetibilidade e gravidade.
Referências principais: IDSA 2024 Guidance on the Treatment of Antimicrobial-Resistant Gram-Negative Infections; UpToDate (Treatment of ESBL-producing Enterobacterales UTIs); Harrison’s Principles of Internal Medicine.
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