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Q1674060 Medicina
Um paciente de 90 anos de idade com quadro de demência vascular avançada, totalmente dependente para atividades básicas da vida diária, foi avaliado, em instituição de longa permanência, por síncope quando se levantava sozinho na madrugada anterior. Foi realizado eletrocardiograma que evidenciou bloqueio atrioventricular total, sendo o paciente transferido para o hospital. Em leito monitorizado, em repouso, mantém-se assintomático, com FC = 46 bpm, FR = 18 irpm, SatO2 = 94 % e PA = 130 mmHg x 60 mmHg. Após avaliação cardiológica, foi indicado implante de marcapasso para o paciente.


Tendo em vista esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
Se houvesse um implante de marcapasso definitivo agendado para o dia seguinte pela manhã, uma conduta possível seria a de monitorização cardíaca contínua sem necessidade de implante de marcapasso transvenoso provisório.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda a conduta clínica frente ao bloqueio atrioventricular total (BAVT) assintomático e estável, principalmente quanto à necessidade (ou não) do marcapasso transvenoso provisório em situação de espera para implante definitivo.

Fundamentação para a alternativa correta – C (Certo):

O paciente apresenta BAVT confirmado em ECG e teve um episódio de síncope, porém atualmente, na monitorização hospitalar, está hemodinamicamente estável (PA = 130/60 mmHg), assintomático, com frequência cardíaca de 46 bpm e sem sinais de hipoperfusão.

Segundo as Diretrizes Brasileiras de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis (2023), “o marcapasso transvenoso provisório deve ser considerado apenas frente à instabilidade clínica (instabilidade hemodinâmica ou sintomas significativos), ou quando há risco eminente para aguardar o definitivo” (Diretriz, seção 6.2).

Portanto, casos assintomáticos e estáveis podem ser apenas monitorizados até o implante definitivo, especialmente se este está agendado em curto período, evitando complicações desnecessárias de um procedimento invasivo.

Análise crítica – Alternativa incorreta (Errado):

Se a alternativa assinalasse “errado”, sugeriria que o marcapasso provisório fosse obrigatório mesmo sem instabilidade ou sintomas no momento, o que contradiz protocolos atuais. O risco-benefício deve ser considerado, principalmente em paciente idoso, com aumento do risco de infecção, arritmias e outras complicações associadas ao implante provisório.

Estratégia de prova:

Fique atento a palavras-chave: “assintomático”, “estável”. Questões que omitem sinais de instabilidade geralmente cobram exatamente esse ponto: nem toda bradicardia grave indica intervenção imediata!

Referências: UpToDate: “In patients with BAV and no or minimal symptoms, and who are hemodynamically stable, it is reasonable to monitor the patient…” (section: Temporary cardiac pacing). Harrison’s, 21ª ed.: “Urgent pacing is indicated for symptomatic bradycardia or hypotension.”

Resumo: Em BAVT assintomático, com estabilidade clínica e marcapasso definitivo agendado em breve, a monitorização contínua é suficiente.

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Comentários

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O texto está correto. O implante de um marcapasso definitivo é indicado para casos de bloqueio atrioventricular total, como o do paciente descrito. No entanto, como o paciente está estável e assintomático em leito monitorizado, a implantação de um marcapasso transvenoso provisório não seria necessariamente requerida. Pode-se optar por monitorar continuamente a condição cardíaca do paciente até a colocação do marcapasso definitivo. Esta seria uma conduta possível, desde que o paciente permaneça estável e não apresente sintomas de instabilidade hemodinâmica ou sinais de insuficiência cardíaca. Portanto, a afirmativa está correta ao indicar que a monitorização contínua seria uma conduta adequada nesse caso.

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