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Q3105615 Medicina
      Um paciente com 45 anos de idade procurou uma unidade de saúde apresentando dor em região epigástrica associada a pirose retroesternal e empachamento pós-prandial, desencadeada pelo jejum e aliviada pela ingesta alimentar. O exame físico mostrou um índice de massa corporal de 40 kg/m² e dor à palpação da região epigástrica.
Com base no caso clínico precedente, julgue o item que se segue.

A fisiopatologia da doença do paciente em questão tem como fator predisponente a presença do aumento da pressão intra-abdominal. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O quadro clínico (dor epigástrica que surge em jejum e melhora com alimento, pirose e empachamento) é mais compatível com úlcera péptica duodenal do que com DRGE. A obesidade (IMC 40) é um dado que pode confundir para DRGE, mas o padrão temporal da dor favorece úlcera duodenal.

Gabarito: E (errado)

Justificativa: O enunciado afirma que o aumento da pressão intra-abdominal é fator predisponente da doença em questão. Esse mecanismo é clássico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e da hérnia de hiato, pois eleva a pressão contra o esfíncter esofágico inferior, facilitando refluxo ácido (UpToDate; Diretriz ACG de DRGE, 2022). Já na úlcera duodenal, os principais fatores são Helicobacter pylori (antrite → ↑ gastrina → ↑ secreção ácida → metaplasia gástrica no duodeno) e AINEs (inibição COX-1 → ↓ prostaglandinas → menor barreira mucosa) — não o aumento da pressão intra-abdominal (Harrison’s Principles of Internal Medicine; ACG Guideline on H. pylori, 2017/2022). Portanto, a assertiva é falsa.

Análise das alternativas:

E – errado (correta para a questão): O fator citado não explica a fisiopatologia de úlcera duodenal; está ligado à DRGE. Logo, julgar como “errado” é adequado.

C – certo (incorreta): Seria verdadeira se o diagnóstico fosse DRGE como principal entidade. No entanto, a dor que melhora com alimento e é desencadeada em jejum aponta para úlcera duodenal, na qual a pressão intra-abdominal não é fator predisponente relevante.

Estratégia de prova (pegadinha): A presença de pirose e obesidade puxa para DRGE, mas o alívio com alimento é um marcador típico de úlcera duodenal. Priorize a relação dor–jejum–alimento para diferenciar de DRGE, que piora após refeições e ao decúbito.

Diagnóstico e conduta (úlcera duodenal):

  • Confirmar H. pylori: teste respiratório da ureia ou antígeno fecal; na endoscopia, teste da urease/biopsias (ACG H. pylori).
  • Endoscopia: indicada em sinais de alarme ou idade avançada; avalia complicações e permite biópsia.
  • Tratamento: erradicação do H. pylori (terapias quádruplas com IBP + bismuto + 2 antibióticos ou esquemas baseados em suscetibilidade) e IBP por 4–8 semanas; evitar AINEs, tabaco e álcool (UpToDate/ACG).

Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Peptic ulcer disease; GERD); American College of Gastroenterology Guidelines (H. pylori; GERD).

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