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Q1674228 Medicina
Um homem de 55 anos de idade, natural e procedente do estado do Pará, com paraplegia espástica C5 AIS C por queda de dois metros do telhado, em 7 de janeiro de 2020, comparece ao consultório com queixa de dor em choque e queimação em membros inferiores, com sensação de frio e dolorosa, às vezes constante, mas de intensidade variável, com piora quando tem frio e melhora quando não passa por períodos de estresse, com pouca melhora com AINH ou dipirona. Também se queixa de edema e prurido em membros inferiores. Refere algumas perdas urinárias, atualmente esporádicas, até que foi orientado, em sua cidade, a passar sondagem vesical de alívio por pelo menos quatro vezes ao dia. Apresenta-se com PA = 150 mmHg x90 mmHg, FC = 115 bpm, FR = 16 irpm, SatO2 = 99% e rubor facial. Verificam-se panturrilhas sem sinais de empastamento e pulsos pediosos presentes e simétricos. 
Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
A escala de medida de independência funcional tem utilidade limitada na evolução desses pacientes, por não haver comprometimento cognitivo na fisiopatologia da lesão medular.
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Gabarito comentado

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Gabarito: E (Errado)

Tema central: A questão aborda a aplicação da Medida de Independência Funcional (MIF) em pacientes com lesão medular, confrontando seu valor na avaliação funcional, especialmente diante da ideia equivocada de que a ausência de déficit cognitivo limitaria seu uso nessa população.

Comentário didático:

A Medida de Independência Funcional (MIF) é uma escala amplamente utilizada na reabilitação de pacientes com lesão medular, pois avalia a autonomia em atividades básicas de vida diária (alimentação, higiene, locomoção, controle esfincteriano), bem como aspectos motores e cognitivos.

De acordo com as Diretrizes de Atenção à Pessoa com Lesão Medular do Ministério da Saúde, "O uso de escalas funcionais como a Medida de Independência Funcional facilita o processo de definição de metas, auxiliando os terapeutas ocupacionais na construção do projeto terapêutico".

É fundamental compreender que a fisiopatologia da lesão medular primariamente compromete a função motora e autonômica, porém déficits cognitivos podem ocorrer, principalmente em função do contexto social, estresse psicológico, alterações metabólicas e vasculares, e outras comorbidades associadas. Além disso, mesmo na ausência de alteração cognitiva, a avaliação funcional pelos domínios motores da MIF continua sendo indispensável — a utilidade da escala na evolução do paciente não depende exclusivamente do comprometimento cognitivo.

Análise da alternativa:
A afirmação da questão é errada porque desconsidera a real abrangência e aplicabilidade da MIF, que vai além do domínio cognitivo.
Mesmo em pacientes sem déficit cognitivo, a avaliação funcional motora é fundamental para o acompanhamento da rehabilitação, planejamento de condutas e monitoramento da independência.

Estratégia de prova:
A quase “pegadinha” da questão está em presumir que apenas déficits cognitivos justificam o uso da MIF, ignorando sua importância no acompanhamento de limitações físicas e funcionais. O candidato deve estar atento ao conceito amplo de “independência funcional”.

Referências: As recomendações acima estão de acordo com o Ministério da Saúde (Diretrizes de Atenção à Pessoa com Lesão Medular, seção sobre escalas funcionais) e são corroboradas por obras clássicas como o Tratado de Medicina de Reabilitação (Bolland/Rothstein).

Mensagem final:
A MIF é fundamental em todas as fases do cuidado ao paciente com lesão medular, seja no seguimento motor, seja captando possíveis déficits cognitivos. Domine esse conceito!

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Comentários

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A afirmação da questão está incorreta. A escala de medida de independência funcional (FIM - Functional Independence Measure) não é limitada apenas para avaliar comprometimentos cognitivos, mas sim para avaliar de forma abrangente a habilidade do indivíduo em realizar tarefas diárias de maneira independente, incluindo tanto aspectos físicos quanto cognitivos. No caso de um paciente com lesão medular, como o homem descrito, a FIM pode ser muito útil para acompanhar a evolução da sua funcionalidade e independência ao longo do tempo, independente de existir ou não comprometimento cognitivo. Portanto, a escala de medida de independência funcional tem utilidade significativa na evolução desses pacientes, mesmo sem comprometimento cognitivo na fisiopatologia da lesão medular.

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