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Q3880688 História e Geografia de Estados e Municípios
Em novembro de 2025, o Quilombo Forte Príncipe da Beira, localizado no município de Costa Marques (RO), foi o palco do evento “A Terra é Meu Quilombo”. A iniciativa promoveu uma imersão em arqueologia pública e educação patrimonial, unindo moradores do quilombo e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) em escavações arqueológicas comunitárias, oficinas e rodas de conversa. O principal objetivo do evento foi utilizar a arqueologia como instrumento de fortalecimento identitário: “Não estamos apenas procurando fragmentos do passado. Estamos desenterrando as provas materiais da nossa longa existência aqui, resgatando uma história que foi sistematicamente apagada. Cada fragmento encontrado no nosso quintal é um fio que tece a narrativa da nossa resistência e fortalece o nosso direito a esta terra”, afirma Lulu, presidente da Associação Quilombola do Forte Príncipe da Beira (ASQFORTE).

Adaptado de https://www.unir.br/cartao/exibir/313

Com base no relato sobre o evento “A Terra é Meu Quilombo”, realizado no Quilombo Forte Príncipe da Beira (Costa Marques– RO), e considerando a trajetória histórica das comunidades quilombolas em Rondônia, assinale a afirmativa correta.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O enunciado atribui à arqueologia pública a função de resgatar a presença histórica da comunidade e reforçar o vínculo com o território, o que direciona a resposta para a alternativa C.

Tema central: arqueologia e identidade quilombola
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque reduz a arqueologia a uma reconstituição acadêmica pautada por objetividade e isenção científicas. O enunciado afirma outra finalidade: escavações comunitárias, educação patrimonial, resgate de história apagada, fortalecimento identitário e direito à terra.
B
Errada
Está errada porque confunde reconhecimento constitucional de direitos com origem histórica das comunidades. A base informa que a Constituição de 1988 reconhece direitos territoriais de comunidades quilombolas preexistentes; ela não criou essas comunidades nem faz delas produto posterior de regularização fundiária.
C
Certa
A alternativa C está correta porque traduz o núcleo do texto-base: a valorização dos vestígios materiais, articulada à memória coletiva da comunidade, serve para afirmar a identidade quilombola e sustentar a reivindicação territorial historicamente negada. O critério decisivo aqui é a função da arqueologia pública no caso concreto, apresentada não como atividade neutra e isolada, mas como instrumento de resistência, visibilidade histórica e legitimação do vínculo da comunidade com a terra.
D
Errada
Está errada porque afirma uma titulação coletiva pelo Exército sem suporte na base. O que há, segundo a base, é identificação territorial pelo Incra e continuidade de disputa ou regularização fundiária, não título coletivo já concedido pelo Exército.
E
Errada
Está errada porque a conclusão de superioridade do saber científico sobre os saberes tradicionais não decorre do caso narrado e contraria sua descrição. A base destaca escavações arqueológicas comunitárias, oficinas e rodas de conversa, isto é, uma prática participativa e dialógica, não hierárquica.
Pegadinha da questão
A questão explorou confusões reais: tomar arqueologia como sinônimo de neutralidade acadêmica, confundir o reconhecimento constitucional de 1988 com a própria origem das comunidades quilombolas e presumir que a presença do Exército na área significaria titulação já concedida.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado explicita a finalidade de uma prática, a alternativa correta é a que reproduz essa função sem trocar o foco do caso concreto.
  • Diferencie reconhecimento jurídico de direitos e existência histórica do grupo: a norma pode reconhecer uma realidade anterior, não criá-la.
  • Não aceite afirmação sobre titulação, competência ou ato administrativo consumado sem base expressa no enunciado ou no apoio fornecido.
  • Se o texto descreve atuação comunitária e dialógica, elimine alternativas que imponham hierarquia automática do saber técnico sobre o saber tradicional.

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