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Q2368922 Português
Tropeçando nos acentos


       Quero começar com uma declaração de amor: escritor brasileiro, adoro a língua portuguesa, esta “última flor do Lácio, inculta e bela”, de que falava Bilac, o idioma em que foram escritas tantas e tão grandiosas obras de escritores como Saramago, Cardoso Pires, Lobo Antunes, Lídia Jorge, Pepetela (para não citar os brasileiros). Para celebrar o português, a riqueza do português, a musicalidade do português, nenhum elogio é bastante.

         Mas...

       O mas é o objeto destas mal-traçadas linhas. E este mas refere-se a uma questão que não é só do português, claro, mas que incomoda a quem escreve em português. É a questão dos acentos.

      Alguém já disse que os ingleses conquistaram o mundo porque não precisavam perder tempo acentuando as palavras. Pode não ser verdade, mas o gasto de energia representado pelos agudos, pelos circunflexos, pelos tremas, é uma coisa impressionante. E a pergunta é: para quê, mesmo? Alguém já disse que a crase não foi feita para humilhar ninguém. Tenho minhas dúvidas: acho que a crase foi feita, sim, para humilhar. A população brasileira se divide em pobres e ricos, mas também se divide em dois grupos, os que sabem usar a crase, a minoria, e a maioria que tem um medo existencial a este sinal.

      É possível aprender? É possível. Mas tomem o meu caso: escritor, médico, homem razoavelmente informado, eu deveria acentuar bem as palavras. Pois tenho minhas dúvidas. É que durante a minha existência o país passou por umas três reformas ortográficas que tiveram o mérito de esculhambar a minha cabeça. O acento diferencial consegui esquecer, mas há outros que ainda me causam dúvidas.

       Há duas soluções para este problema. Uma é representada por esses dispositivos de correcção que hoje fazem parte dos programas de computação (mas que às vezes cometem erros lamentáveis). Outra seria uma revolução na grafia que reduzisse os acentos ao mínimo possível ou, melhor ainda, a zero.

      A primeira máquina de escrever que eu ganhei, ainda menino, era uma velha Royal, importada dos Estados Unidos, e que não tinha acentos. Eu escrevia, e depois acentuava à mão. Com uma tremenda inveja dos americanos que estavam dispensados desta tarefa inglória. Não sei onde andará essa máquina. E nem quero saber. Ela me lembraria que há neste mundo pessoas felizes que podem escrever sem a preocupação de acentuar certo. Uma coisa que eu gostaria de esquecer.


(Moacyr Scliar. Disponível em: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Consultado em: 16/01/2024.)
O autor enfatiza, ao longo do texto, seu posicionamento de que “a crase foi feita, sim, para humilhar” (4º§). No entanto, embora admita ter dúvidas, ele corretamente dispensa o acento indicativo de crase acima do “a” no trecho “[...] a maioria que tem um medo existencial a este sinal” (4º§). Caso reescrevesse a oração intercambiando o vocábulo “sinal” por “marca” e mantivesse a postura de consideração com a norma culta, realizando a devida concordância nominal sem suprimir nenhum outro vocábulo da oração original, o autor:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Uso da crase e regência nominal. O ponto-chave é entender quando ocorre o uso do acento indicativo de crase (à) antes de pronomes demonstrativos, especialmente em relação aos pronomes "este/esta".

Pela norma-padrão, conforme gramáticas como Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra, a crase só ocorre pela fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou com os pronomes iniciais “a” (“àquele”, “àquela”, “àquilo”). Jamais ocorre crase antes dos demonstrativos iniciados por “e”, como “este/esta”, pois esses pronomes não aceitam o artigo feminino.

Regência nominal também é fundamental aqui: o substantivo “medo” rege a preposição “de” ("medo de algo"), então, em uso adequado da norma culta, o correto seria “medo existencial deste sinal”. O enunciado propõe, como hipótese, a troca de “sinal” por “marca”, mantendo a expressão “a este/esta marca”. A análise parte do funcionamento da crase antes de demonstrativos.

Alternativa Correta – A:
“Não usaria o sinal gráfico de crase, pois o pronome demonstrativo ‘este/esta’ repele o artigo.”
Explicação: O pronome “esta” é incompatível com o artigo feminino “a”, logo, não pode ocorrer a fusão da preposição com artigo. Como diz Bechara: “Os pronomes demonstrativos este, esta, estes, estas não se combinam com a preposição ‘a’, não admitindo crase.”

Análise das alternativas incorretas:

B) Errada. Generaliza dizendo que nenhum pronome demonstrativo admite crase. Está incorreta, pois existe crase antes de pronomes como “aquele”, “aquela” (“àquele”, “àquela”), como ensina a Gramática Tradicional.

C) Errada. O fato de haver palavra feminina antes da preposição não muda a regra: “esta” não aceita artigo feminino “a”, logo, não há crase.

D) Errada. Também generaliza de forma equivocada. Só pronomes inicia-dos por “a” (“aquele/aquela/aquilo”) podem admitir crase, nunca “este/esta”.

Dicas para prova: Sempre analise se o termo seguinte aceita artigo feminino. No caso de pronomes demonstrativos “este/esta”, não se usa crase, pois eles naturalmente repelem o artigo, conforme reforçado pelas gramáticas citadas.

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Comentários

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É proibido o uso da crase antes dos pronomes demonstrativos " ESTE / ESTA / ESSA / ESSE ". Visto que ambas não admitem ARTIGO.

Exemplos:

Responda a esta pergunta.

Eu aspiro a essa vaga.

Ele explicará a matéria a esse aluno.

Pra quem marcou a letra B como eu!!

Vai uma explicação...

DE acordo com site:

https://www12.senado.leg.br/manualdecomunicacao/estilos/crase#:~:text=Como%20regra%20geral%2C%20s%C3%B3%20se,pronomes%20demonstrativos%20aquele%20e%20aquilo.

Como regra geral, só se usa crase antes de palavras femininas. A exceção são os pronomes demonstrativos aquele e aquilo.

Na B está generalizando,visto que admite a crase nos pronomes demonstrativos seguidos de palavras femininas ex) aquela,aquilo

Crase proibida é quando um (a) sozinho não faz o fenômeno fonético (preposição + a)

(preposição + a = aquele) (Preposição + a qual);

Crase proibida=

  1. pronome;
  2. pronome indefinido;
  3. artigo indefinido ;
  4. demonstrativo.

Você precisa memorizar!

Bons estudos, galera! Deus está no controle.

Glória a Deus!

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