Assinale a opção em que a substituição do termo sublinhado p...

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Q3880654 Português
ATENÇÃO: O texto a seguir se refere à questão.


'Quer adressar?', me perguntou a moça


         De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

          O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:

     “Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.

      A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

    A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:


      “Sim, por favor, adressa, sim”.


(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)
Assinale a opção em que a substituição do termo sublinhado por um sinônimo é incorreta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A questão cobra a equivalência semântica contextual dos termos sublinhados. No trecho "(...) no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina", "barbarismo" aparece associado a uso linguístico percebido na oralidade; por isso, não se equipara a "cacografia", que se restringe à escrita incorreta. Essa diferença de extensão semântica torna a substituição da alternativa D inadequada.

Tema central: sinonímia contextual
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada como resposta da questão porque a substituição é adequada. Em "A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista.", "linka" tem valor de combinação, harmonização, relação compatível; "coaduna" preserva esse sentido contextual.
B
Errada
Está errada como resposta da questão porque a substituição é adequada. No trecho "O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem", "target" funciona como meta ou finalidade pretendida; por isso, "objetivo" mantém o sentido do período.
C
Errada
Está errada como resposta da questão porque a substituição é adequada. Em "eu aquiesci jovial", o narrador já havia entendido a proposta e a aceitado; nesse contexto, "aquiesci" equivale a "concordei".
D
Certa
A alternativa D está correta como resposta da questão porque a substituição proposta não preserva o sentido do termo original. "Barbarismo", no contexto do texto, designa desvio ou impropriedade de linguagem em sentido mais amplo, inclusive em uso oral, o que é reforçado por "ouvido na esquina". Já "cacografia" nomeia especificamente má grafia. Houve estreitamento indevido do sentido, portanto não há sinonímia adequada.
E
Errada
Está errada como resposta da questão porque a substituição é adequada. No trecho "usando o etarismo a meu favor", "etarismo" e "idadismo" nomeiam discriminação ou preconceito com base na idade, sem mudança de sentido relevante no contexto.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: ler "target" mecanicamente como "público-alvo" e, principalmente, tratar "barbarismo" como se fosse qualquer erro de linguagem equivalente a erro ortográfico. O detalhe decisivo é "ouvido na esquina", que remete à oralidade e afasta "cacografia".
Dica para questões semelhantes
  • Verifique o sentido da palavra dentro do período, não o significado mais lembrado fora do texto.
  • Se o comando pedir sinônimo, a substituição precisa preservar o valor semântico contextual, não apenas ter alguma proximidade vaga.
  • Observe palavras do entorno que restringem o sentido, como "ouvido na esquina", porque elas podem excluir a alternativa aparentemente próxima.
  • Desconfie de termos técnicos com extensão diferente de sentido: um termo mais amplo não é sinônimo de outro mais específico.

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Comentários

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A) “linka” pode ser substituído por “coaduna” porque ambos indicam ideia de combinação ou compatibilidade.

B) “target” equivale a “objetivo”, mantendo o sentido de finalidade do texto.

C) “aquiesci” é sinônimo de “concordei”, pois expressa anuência.

D) “barbarismo” não pode ser substituído por “cacografia”, já que o primeiro se refere a uso inadequado da língua (especialmente estrangeirismos) e o segundo a erro ortográfico.

E) “etarismo” pode ser substituído por “idadismo”, pois ambos designam preconceito relacionado à idade.

Sinceramente, que po*** é essa!?

SOCORRO.

O elaborador de questões da FGV, antes de elaborar essas m*** deve fumar algo muito pesado

Idadismo é nova... fui direto nela!

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