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Q1674204 Medicina
Uma paciente de 60 anos de idade, tabagista, previamente hígida, relata que, há aproximadamente oito horas, apresentou cefaleia súbita de severa intensidade enquanto evacuava. Relata cervicalgia associada nas últimas quatro horas e nega outras queixas. Ao exame físico, observaram-se AC = RR2T com BNF; FC = 92 bpm; AP = MVF sem RA; FR = 14 irpm; PA = 162 mmHg x 87 mmHg; SatO2 (ar ambiente) = 96%; Glasgow 15; pupilas isofotorreagentes; sem deficits focais; e meningismo associado. A tomografia computadorizada (TC) evidencia hiperdensidade < 1 mm em cisternas da base, com inundação da fissura sylviana à direita. Sem evidência de hidrocefalia. 
Quanto a esse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
É provável que a arteriografia evidencie um aneurisma fusiforme na artéria cerebral média direita.
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Gabarito: Errado (E)

Comentário:

O tema central da questão é hemorragia subaracnoidea (HSA) espontânea causada por aneurisma cerebral, enfocando o tipo e localização mais provável do aneurisma.

A paciente apresenta quadro típico de HSA: cefaleia súbita (em “raio em trovoada”), meningismo, hipertensão, ausência de déficit focal e TC evidenciando sangue nas cisternas da base e na fissura sylviana à direita. A relação com evacuação também é clássica, pois o aumento súbito da pressão arterial pode provocar ruptura aneurismática.

Segundo a literatura médica e manuais de referência, o tipo de aneurisma mais frequentemente relacionado a HSA espontânea é o aneurisma sacular (“em berry”), não o fusiforme. Conforme o Manual MSD para Profissionais de Saúde, “a causa mais comum de HSA espontânea é a ruptura de um aneurisma sacular intracraniano”.

Os aneurismas fusiformes são raros (aprox. 1% dos aneurismas cerebrais), aparecem habitualmente na circulação posterior (artérias vertebrobasilares) e dificilmente acometem a artéria cerebral média. Já os aneurismas saculares são predominantes na circulação anterior, sobretudo na bifurcação da artéria cerebral média, tornando-se a principal hipótese neste caso.

Portanto, a arteriografia deve evidenciar um aneurisma sacular na artéria cerebral média direita, que é o achado típico em pacientes com HSA com inundação da fissura sylviana à direita.

Análise crítica da alternativa:
A alternativa está ERRADA, pois afirma que haverá “aneurisma fusiforme”, o que contradiz a epidemiologia e fisiopatologia da HSA. O erro da opção está, justamente, em confundir o tipo habitual de aneurisma nesta região e quadro clínico.

Dica para a prova: Atenção a termos como “fusiforme” x “sacular” em descrição de aneurismas. Situações súbitas, com sangue em fissura sylviana, sugerem ruptura de aneurisma sacular na artéria cerebral média.

Segundo o Manual MSD: “A hemorragia subaracnoidea espontânea é quase sempre causada por ruptura de aneurisma sacular intracraniano.”

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Comentários

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A afirmação é falsa. A paciente relatou cefaleia súbita de intensidade severa e cervicalgia, que são sintomas compatíveis com um quadro de hemorragia subaracnóidea, tipicamente causada pelo rompimento de um aneurisma sacular, não fusiforme. A tomografia computadorizada evidencia hiperdensidade em cisternas da base, também consistente com hemorragia subaracnóidea. Aneurismas fusiformes geralmente não rompem e causam sintomas por compressão do tecido cerebral ou trombose, mas não costumam causar hemorragia subaracnóidea. Portanto, é mais provável que a arteriografia evidencie um aneurisma sacular na artéria cerebral média direita, não um aneurisma fusiforme.

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