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Q1674202 Medicina
Uma paciente de 60 anos de idade, tabagista, previamente hígida, relata que, há aproximadamente oito horas, apresentou cefaleia súbita de severa intensidade enquanto evacuava. Relata cervicalgia associada nas últimas quatro horas e nega outras queixas. Ao exame físico, observaram-se AC = RR2T com BNF; FC = 92 bpm; AP = MVF sem RA; FR = 14 irpm; PA = 162 mmHg x 87 mmHg; SatO2 (ar ambiente) = 96%; Glasgow 15; pupilas isofotorreagentes; sem deficits focais; e meningismo associado. A tomografia computadorizada (TC) evidencia hiperdensidade < 1 mm em cisternas da base, com inundação da fissura sylviana à direita. Sem evidência de hidrocefalia. 
Quanto a esse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
Independentemente do Fisher ou dos níveis pressóricos da paciente, está indicado o uso de nimodipina 60 mg, de quatro em quatro horas, devendo ser iniciado preferencialmente em até 96 horas do ictus.
Alternativas

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Tema central: O caso aborda o manejo inicial da hemorragia subaracnoidea aneurismática (HSA), condição neurológica grave, e a indicação do uso da nimodipina na prevenção do vasoespasmo cerebral.

Justificativa da alternativa correta: Certo

O uso da nimodipina 60 mg VO a cada 4 horas é rotina em HSA conforme as principais diretrizes nacionais e internacionais, sendo recomendada para todos os pacientes com diagnóstico de HSA aneurismática, independentemente do escore de Fisher ou dos níveis pressóricos.
De acordo com o documento do Ministério da Saúde (Linhas de Cuidado: AVC Hemorrágico): “Nimodipina 30 mg: 2 comprimidos de 4/4 horas (da chegada até 21 dias).” Assim, a posologia totaliza 60 mg, por via oral, de 4/4 h, idealmente iniciada até 96 horas do ictus e mantida por 21 dias. (Fonte: Ministério da Saúde, Brasil, Hemorragia Subaracnóidea, Seção Condutas Hospitalares)

Estudos também comprovam que a nimodipina reduz significativamente o risco de vasoespasmo cerebral sintomático, isquemia secundária e desfechos ruins (Harrison's Principles of Internal Medicine, UpToDate, diretrizes AHA/ASA).

Análise das alternativas:

  • C) Certo ✔️ Alternativa correta. Está de acordo com os protocolos atuais: indicação universal do uso da nimodipina em HSA, independentemente do escore Fisher ou PA no momento, dado o risco do vasoespasmo.
  • E) Errado ❌ Incorreta, pois desconsideraria o conjunto de evidências e protocolos que preconizam o uso da nimodipina para todo paciente com HSA, independente de gravidade da hemorragia ou do controle pressórico inicial.

Estratégias de prova e pontos-chave:

Fique atento ao termo “independentemente do Fisher ou níveis pressóricos”: isso pode confundir, mas realmente a conduta não depende desses fatores.
Palavras como “preferencialmente em até 96 horas” indicam a necessidade de início precoce, mas o benefício permanece se houver atraso.

Citação de referência:
Segundo o Ministério da Saúde: "Nimodipina é indicada na HSA aneurismática de forma universal, pois diminui incidência de vasoespasmo e sequelas." (Linhas de Cuidado, 2023)

Portanto, o uso da nimodipina 60 mg VO 4/4h, iniciado nas primeiras 96h e mantido 21 dias, é conduta essencial na HSA aneurismática, independente do escore de Fisher e pressões.

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Comentários

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A afirmação é verdadeira. A paciente apresenta sintomas sugestivos de hemorragia subaracnóidea, como cefaleia súbita de severa intensidade, cervicalgia e meningismo associado. A tomografia computadorizada confirma o diagnóstico ao evidenciar hiperdensidade em cisternas da base, indicativo de sangramento subaracnóide. O medicamento nimodipina é um bloqueador dos canais de cálcio que, em casos de hemorragia subaracnóidea, é usado para prevenir o vasoespasmo cerebral, uma complicação grave que pode levar a isquemia cerebral e danos neurológicos. Essa medicação deve ser iniciada o mais rápido possível, independentemente do escore de Fisher (que avalia o risco de vasoespasmo e prognóstico em hemorragia subaracnóide) ou dos níveis pressóricos da paciente. A afirmação sugere iniciar a nimodipina preferencialmente em até 96 horas do início dos sintomas, que é o período onde o risco de vasoespasmo é maior. Portanto, o uso de nimodipina no cenário clínico descrito está corretamente indicado.

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