Um homem de 59 anos, diabético há 12 anos, comparece para ...

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Q3795925 Medicina

Um homem de 59 anos, diabético há 12 anos, comparece para consulta de rotina. Faz uso de metformina 850 mg 2x/dia e glifage XR 1.000 mg à noite, porém relata que há 8 meses sua glicemia tem oscilado e não está conseguindo controlar o peso. Nega episódios de hipoglicemia. Refere poliúria noturna e fadiga. Seu IMC é 33 kg/m².


Exames atuais:


• Glicemia de jejum: 162 mg/dL.

• HbA1c: 8,5%.

• TFG estimada: 68 mL/min.

• Microalbuminúria: 35 mg/g.


PA: 134/84 mmHg.

Perfil lipídico sem alterações significativas.

Ele nega doenças cardiovasculares conhecidas, mas tem irmão com IAM aos 52 anos.


Considerando a terapia atual, o perfil metabólico e os novos objetivos das diretrizes, assinale qual é o próximo passo mais indicado no tratamento farmacológico deste paciente. 

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes – Ed. 2024, capítulo "Avaliação e tratamento da doença renal do diabetes", Recomendação R5: "R5 – Em pacientes com TFGe maior ou igual a 60 mL/min/1,73m² e RAC maior ou igual a 30 mg/g, a terapia inicial com inibidores do SGLT2 É RECOMENDADA, independentemente da HbA1c." No caso, a TFGe é de 68 mL/min/1,73m² e a microalbuminúria é de 35 mg/g, preenchendo o critério para SGLT2i.

Tema central: SGLT2 na DRD inicial
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A coincide exatamente com o critério objetivo da diretriz oficial setorial vigente: DM2 com TFGe maior ou igual a 60 e RAC maior ou igual a 30 mg/g. O paciente tem TFGe de 68 e microalbuminúria de 35 mg/g, além de controle glicêmico inadequado. Nesse cenário, a recomendação R5 indica terapia inicial com inibidor de SGLT2 independentemente da HbA1c. A base ainda informa que a metformina deve ser mantida em associação ao SGLT2i para melhora adicional do controle glicêmico, o que reforça que o próximo passo é associar esse agente, e não substituí-lo por outra estratégia.
B
Errada
Está errada porque sulfonilureia atua apenas como opção de redução glicêmica, mas a diretriz utilizada na questão estabelece prioridade terapêutica específica para o perfil renal descrito: RAC maior ou igual a 30 mg/g e TFGe maior ou igual a 60. Como há recomendação expressa de SGLT2i independentemente da HbA1c, a elevação da HbA1c para 8,5% não desloca a escolha para sulfonilureia como próximo passo mais indicado.
C
Errada
Está errada porque a base informa que a insulina pode ser considerada para melhora do controle glicêmico, mas isso não a torna a opção prioritária neste caso. O paciente preenche critério expresso da Recomendação R5 para terapia inicial com inibidor de SGLT2; portanto, a regra prioritária específica prevalece sobre a possibilidade subsidiária de considerar insulina.
D
Errada
Está errada porque pioglitazona não corresponde à recomendação prioritária da diretriz para DM2 com doença renal do diabetes inicial, caracterizada aqui por albuminúria de 35 mg/g e TFGe preservada. O fundamento decisivo da questão é a preferência por estratégia com benefício cardiorrenal nesse contexto, e a alternativa não se enquadra nessa recomendação específica.
E
Errada
Está errada porque a base decisória não sustenta que a resposta adequada seja apenas majorar a metformina. Ao contrário, a diretriz de apoio indica metformina em associação ao SGLT2i para melhora adicional do controle glicêmico. Além disso, a própria base registra que não se deve eliminar a alternativa exclusivamente pela dose de 3 g/dia; o erro juridicamente relevante é propor aumento isolado da metformina em vez da associação recomendada ao SGLT2i.
Pegadinha da questão
A banca explorou a tendência de escolher a intensificação apenas pela HbA1c de 8,5% e ignorar o dado decisivo do caso: microalbuminúria de 35 mg/g com TFGe de 68, que já ativa a recomendação específica de SGLT2i independentemente da HbA1c.
Dica para questões semelhantes
  • Quando houver DM2 com albuminúria maior ou igual a 30 mg/g e TFGe maior ou igual a 60, verifique primeiro se a diretriz aplicável já impõe preferência por SGLT2i independentemente da HbA1c.
  • Não trate ausência de doença cardiovascular estabelecida como impeditivo para SGLT2i se o próprio caso já preenche critério renal suficiente.
  • Se a base indicar manutenção da metformina em associação, elimine alternativas que proponham apenas aumentar metformina sem acrescentar o agente prioritário.
  • Diferencie opção possível de opção prioritária: insulina pode ser considerada, mas isso não supera recomendação específica mais forte para o perfil descrito.

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