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Q3651714 Português
Responda às questão com base no seguinte texto:

Inda estava longe, bem longe a vitória do abolicionismo, quando Bom-Crioulo, então simplesmente Amaro, veio, ninguém sabe donde, metido em roupas d’algodãozinho, trouxa ao ombro, grande chapéu de palha na cabeça e alpercatas de couro cru. Menor (teria dezoito anos), ignorando as dificuldades _________ passa todo homem de cor em um meio escravocrata e profundamente superficial como era a Corte —ingênuo e resoluto, abalou sem ao menos pensar nas consequências da fuga. Nesse tempo o “negro fugido” aterrava as populações de um modo fantástico. Dava-se caça ao escravo como aos animais, de espora e garrucha, mato a dentro, saltando precipícios, atravessando rios a nado, galgando montanhas... Logo que o fato era denunciado — aqui-delrei! — enchiam-se as florestas de tropel, saíam estafetas pelo sertão num clamor estranho, medindo pegadas, açulando cães, rompendo cafezais. Até fechavam-se as portas, com medo... Jornais traziam na terceira página a figura de um “moleque” em fuga, trouxa ao ombro, e, por baixo, o anúncio, quase sempre em tipo cheio, minucioso, explícito, com todos os detalhes, indicando estatura, idade, lesões, vícios, e outros característicos do fugitivo. Além disso, o “proprietário” gratificava generosamente a quem prendesse o escravo. Autor: Adolfo Caminha. Trecho extraído da obra O Bom-Crioulo
Há uma lacuna no texto, a qual está transcrita a seguir: ignorando as dificuldades _________ passa todo homem de cor.
Qual das seguintes alternativas preenche corretamente essa lacuna?  
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Esta questão aborda o uso correto dos “porquês” — ou seja, as quatro grafias (“por que”, “por quê”, “porque” e “porquê”), um ponto frequente e fundamental em provas de concurso, especialmente na área de Morfologia. Trata-se de um tópico que exige a associação entre conhecimento gramatical e a interpretação contextual do texto, habilidade indispensável para quem deseja a aprovação.

Regra central: Pela norma-padrão, explica Evanildo Bechara em sua Moderna Gramática Portuguesa, “por que” (separado e sem acento) é utilizado nas perguntas diretas e indiretas (“Por que você foi?” – Por qual motivo), mas também no início ou meio de orações relativas, quando equivale a “pelo(s) qual(is)” ou “pela(s) qual(is)”.

No contexto do trecho analisado (“ignorando as dificuldades _________ passa todo homem de cor”), devemos buscar o termo que possa ser substituído por “pelas quais”:

“ignorando as dificuldades por que passa todo homem de cor”

Aqui, “por que” liga “as dificuldades” à oração subordinada “passa todo homem de cor”, mostrando o meio ou motivo pelo qual algo ocorre. Logo, só “por que” (separado e sem acento) atende à construção sintática pedida.

Alternativas incorretas:

  • A) por quê: só se usa em final de frase interrogativa ou antes de pontuação forte: “Você não veio, por quê?” Não se aplica aqui.
  • C) porque: conjunção causal/explicativa (“Não fui porque chovia”), não cabe no contexto de oração adjetiva.
  • D) porquê: substantivo (“o motivo”), geralmente usado com artigo: “o porquê”. Não se encaixa gramaticalmente.

Orientação estratégica: Sempre substitua os “porquês” por suas equivalências:

  • por que = por qual(motivo), pelo qual, pelas quais;
  • porque = pois, uma vez que;
  • porquê = o motivo, a razão.

Gabarito: B) por que

Esta análise segue as gramáticas de referência (Bechara; Cunha & Cintra). Identifique sempre a função da expressão pelo contexto, evitando confusões comuns em provas. Assim, você estará seguro diante dessa recorrente armadilha bancária.

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