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Q1674183 Medicina
Uma paciente de 32 anos de idade, com 68 kg, previamente hígida e em uso regular de contraceptivo oral combinado, procura atendimento no pronto-socorro com quadro de cefaleia não localizada, iniciada há quatro dias, contínua, progressiva e sem fotofonofobia associadas. No momento, relata dor de intensidade 8 (escala visual da dor), refratária ao paracetamol e dipirona. Nega outras queixas e alergias. Ao exame físico, observaram-se AC = RC2T com BNF; FC = 96 bpm; AP = MVF sem RA; FR = 16 irpm; PA = 160 mmHg x 80 mmHg; e SatO2 = 98%. O exame neurológico mostra-se normal. É realizada tomográfica computadorizada (TC) de crânio (sem contraste) com urgência, que evidencia uma hiperdensidade espontânea em topografia do seio sagital superior, que se encontra um pouco aumentado de tamanho, e em veia cortical adjacente a ele, à esquerda. 
Com relação a esse caso clínico e considerando os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
Como a paciente está estável e o início dos sintomas já tem mais de 48 horas, é correto optar-se por iniciar anticoagulação oral, corticoide e acompanhamento ambulatorial.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E (Errado)

Tema central:
A questão aborda o manejo da trombose venosa cerebral (TVC), uma condição neurológica grave associada à formação de trombos nos seios venosos cerebrais, frequentemente relacionada a fatores de risco como uso de anticoncepcionais orais. Os sintomas, como cefaleia persistente e de forte intensidade que não cede aos analgésicos comuns, demandam abordagem imediata e hospitalar, ainda que exames neurológicos estejam normais.

Justificativa para a alternativa correta:
O manejo adequado da TVC segue o Primeiro Consenso Brasileiro do Tratamento da Fase Aguda do AVC, que afirma explicitamente: "Enquanto não existirem meios de determinar qual paciente terá evolução benigna, o tratamento de escolha é a heparina seguido por anticoagulantes orais por tempo variável de três a seis meses, dependendo da etiologia do quadro." Portanto, o correto é iniciar anticoagulação parenteral, geralmente com heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada (HNF), em ambiente hospitalar. O início imediato com anticoagulante oral, sem fase prévia com heparina, não é recomendado. Corticoides não têm benefício comprovado na TVC e seu uso não é indicado por diretrizes recentes.

Análise crítica das alternativas:
Iniciar anticoagulação oral: Erro conceitual. O tratamento se inicia com heparina, e só após o paciente estabilizar é feita a transição para anticoagulantes orais.
Corticoide: Não há respaldo científico para sua indicação de rotina na TVC.
Acompanhamento ambulatorial imediato: Inadequado. Como complicações graves podem surgir, o paciente deve estar sob monitorização hospitalar na fase inicial do tratamento.

Estratégias para resolver questões semelhantes:
- Fique atento a condutas “inovadoras” ou “simples demais” em situações graves. TVC requer manejo hospitalar agudo.
- Repare se há transposição de protocolos (ex. iniciar com anticoagulante oral sem etapa injetável).
- Desconfie do uso rotineiro de medicações sem respaldo em diretriz ou literatura recente.

Contribuição de referência: O “Primeiro Consenso Brasileiro do Tratamento da Fase Aguda do Acidente Vascular Cerebral” e revisões sistemáticas no UpToDate e SciELO reforçam: “O tratamento inicial sempre deve se dar com heparina e o paciente precisa de observação hospitalar.

Resumo final: A alternativa está errada pois o correto é anticoagulação injetável e observação hospitalar na fase aguda da TVC. O uso de corticoide não está indicado e o acompanhamento não deve ser apenas ambulatorial.

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Comentários

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A afirmação da questão é incorreta. O caso clínico descrito aponta para um diagnóstico de trombose venosa cerebral, uma condição de emergência médica que requer hospitalização e tratamento imediato. A paciente apresenta uma cefaleia intensa e progressiva, resistente a analgésicos comuns e uma tomografia computadorizada do crânio mostrou uma hiperdensidade no seio sagital superior e veia cortical adjacente, o que é indicativo de trombose. A anticoagulação oral é uma parte importante do tratamento, mas deve ser iniciada em ambiente hospitalar devido ao risco de hemorragia cerebral. O corticoide é frequentemente usado para reduzir o inchaço cerebral, mas também deve ser administrado sob supervisão em um ambiente hospitalar. Portanto, a maneira correta de gerenciar essa paciente seria a admissão hospitalar para monitorização e início do tratamento médico intensivo, não o acompanhamento ambulatorial.

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