A realização de revascularização miocárdica rotineira nesse...

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Q1673985 Medicina
Uma paciente de 71 anos de idade está em avaliação pré-operatória para a realização de colectomia esquerda por carcinoma de cólon. Nega qualquer sintoma cardiovascular, mantendo boa capacidade funcional e conseguindo subir dois lances de escada seguidos sem sintomas. Já apresentou acidente vascular encefálico de provável etiologia aterosclerótica há dois anos, sem sequelas motoras após reabilitação; utilizava diariamente AAS 100 mg e atorvastatina 40 mg. O exame físico, o eletrocardiograma, a radiografia de tórax e os exames laboratoriais encontram-se sem alterações séricas. 


Com relação a esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
A realização de revascularização miocárdica rotineira nesse grupo de pacientes de risco cardiovascular intermediário a alto pelo algoritmo de Lee deve ser efetivada com o objetivo de redução de eventos cardíacos perioperatórios.
Alternativas

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Tema central: Trata-se de conduta na avaliação cardiovascular perioperatória em paciente de risco intermediário a alto, já com história de evento aterosclerótico (AVE), mas assintomática do ponto de vista cardíaco, sem sinais de insuficiência coronariana ativa.

Análise do caso e justificativa da alternativa correta:
O enunciado propõe a realização rotineira de revascularização miocárdica pré-operatória para redução de eventos cardíacos em paciente estratificada pelo índice de Lee. De acordo com a 3ª Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2017), está claramente exposto: “A revascularização miocárdica pré-operatória só deve ser indicada quando há indicação independente da cirurgia não cardíaca”. Isso significa que apenas portadores de síndromes coronarianas agudas recentes, angina instável ou estenose grave de tronco de coronária esquerda devem ser submetidos à revascularização oportunamente, situação que não se aplica à paciente do caso, que está assintomática, com boa capacidade funcional e tratamento otimizado.

A estratégia correta nesses casos é otimização clínica e seguimento perioperatório rigoroso. A abordagem invasiva de rotina pode inclusive elevar o risco de complicações, sem benefício comprovado na redução de eventos.

Análise das alternativas:

C) certo: Incorreta. A alternativa erra ao defender uma prática não respaldada por evidências e que pode até prejudicar o paciente. Estudos (ex: Mangano et al., NEJM 1996) mostraram que procedimentos invasivos antes de cirurgias de risco intermediário/alto não reduzem mortalidade perioperatória.

E) errado: Correta. Segue os parâmetros normativos: a revascularização só se justifica se já houver indicação independente da cirurgia. Em pacientes assintomáticos ou bem controlados, não há benefício em intervenção miocárdica pré-operatória.

Estratégias para provas: Atenção a termos como “rotineira”, “todos os pacientes”, “redução obrigatória” — são geralmente armadilhas em provas médicas. Priorize sempre conduta baseada em sintomas, capacidade funcional e diretrizes atualizadas.

Resumo: O tratamento invasivo só é indicado nos casos já clássicos para revascularização independente do contexto cirúrgico. Rotineiramente, deve-se evitar intervenções desnecessárias em pacientes assintomáticos ou bem compensados, como reforça a SBC e demais diretrizes internacionais (AHA/ACC, ESC).

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Comentários

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A questão está errada. As diretrizes atuais recomendam contra a realização de revascularização miocárdica rotineira em pacientes de risco intermediário a alto que estão se preparando para cirurgia não cardíaca, como é o caso dessa paciente que está se preparando para uma colectomia. Esta recomendação é baseada em evidências que sugerem que a revascularização miocárdica rotineira não reduz o risco de eventos cardíacos perioperatórios nesses pacientes. Ao invés disso, a gestão do risco cardiovascular em tais pacientes deve focar no controle otimizado das condições médicas subjacentes, como a hipertensão e a dislipidemia, bem como no uso apropriado de medicamentos cardiovasculares, como o ácido acetilsalicílico e as estatinas. Portanto, a proposição de que a revascularização miocárdica rotineira deve ser realizada nesse caso com o objetivo de reduzir eventos cardíacos perioperatórios está incorreta.

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