Deve-se recomendar a essa paciente a suspensão do AAS de tr...

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Q1673982 Medicina
Uma paciente de 71 anos de idade está em avaliação pré-operatória para a realização de colectomia esquerda por carcinoma de cólon. Nega qualquer sintoma cardiovascular, mantendo boa capacidade funcional e conseguindo subir dois lances de escada seguidos sem sintomas. Já apresentou acidente vascular encefálico de provável etiologia aterosclerótica há dois anos, sem sequelas motoras após reabilitação; utilizava diariamente AAS 100 mg e atorvastatina 40 mg. O exame físico, o eletrocardiograma, a radiografia de tórax e os exames laboratoriais encontram-se sem alterações séricas. 


Com relação a esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
Deve-se recomendar a essa paciente a suspensão do AAS de três a sete dias antes do procedimento proposto.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda o manejo perioperatório do ácido acetilsalicílico (AAS) em paciente em prevenção secundária por doença cerebrovascular aterosclerótica, submetida a cirurgia não cardíaca.

Justificativa da alternativa correta (E – errado):

Esta paciente, com histórico de acidente vascular encefálico (AVE) de origem aterosclerótica e indicação de AAS por prevenção secundária, será submetida a uma colectomia esquerda, cirurgia classificada como de risco intermediário para sangramento.

Segundo a I Diretriz Brasileira de Avaliação Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC):
"A aspirina não deve ser suspensa antes de uma intervenção cirúrgica, exceto nas neurocirurgias e prostatectomia transuretral."

A Sociedade Europeia de Cardiologia complementa que o AAS só deve ser suspenso se o risco hemorrágico for muito elevado – o que não é o caso da colectomia. Eles ressaltam, ainda, que a suspensão do AAS aumenta o risco de eventos trombóticos graves em prevenção secundária (risco maior para novo AVE ou infarto).

O estudo POISE-2 reforça que a suspensão do AAS não traz benefício em prevenir eventos isquêmicos e aumenta o risco de sangramento apenas em cirurgias de alto risco hemorrágico.

Análise das alternativas:

  • C (certo): Incorreto, pois a recomendação é não suspender o AAS em prevenção secundária, salvo exceções (neurocirurgia).
  • E (errado) – Gabarito: Correto, uma vez que a suspensão do AAS não se indica para o contexto clínico apresentado.

Dica de prova: Fique atento a detalhes do enunciado, como o tipo de cirurgia e o motivo do uso do AAS. Pegadinhas comuns incluem sugerir a suspensão do antiagregante em qualquer cirurgia, o que vai contra protocolos atuais.

Protocolos oficiais: Todas as grandes diretrizes nacionais e internacionais (SBC, ESC) reforçam: “Em prevenção secundária, não suspender AAS no perioperatório, exceto em cirurgias de altíssimo risco de sangramento.”

Resumo: O manejo seguro do AAS exige avaliação cuidadosa do risco trombótico frente ao hemorrágico, seguindo sempre as diretrizes. Neste caso, AAS deve ser mantido.

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Comentários

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A questão sugere a suspensão do AAS (Ácido Acetilsalicílico) de três a sete dias antes do procedimento proposto. Porém, a recomendação é incorreta. O AAS é comumente usado para prevenir eventos tromboembólicos, especialmente em pacientes com histórico de doença vascular, como é o caso desta paciente que teve um acidente vascular encefálico. A suspensão do AAS antes da cirurgia pode aumentar o risco de eventos tromboembólicos. Além disso, estudos indicam que a continuação do AAS não está associada a um aumento significativo do risco de sangramento que necessite de intervenção cirúrgica, transfusão de sangue, ou sangramento pós-operatório que leve à readmissão. Portanto, a maioria das diretrizes sugere que o AAS seja continuado durante o período perioperatório em pacientes submetidos à maioria das operações não cardíacas, particularmente aqueles em alto risco de eventos tromboembólicos.

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