Escolar, seis anos, masculino é levado ao atendimento pediá...

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Ano: 2019 Banca: FDC Órgão: SEHAC - RJ Prova: FDC - 2019 - SEHAC - RJ - Médico Pediatra |
Q1655867 Medicina
Escolar, seis anos, masculino é levado ao atendimento pediátrico para avaliação de perda urinária à noite. Sua mãe refere que nunca apresentou controle noturno, mas não tem incontinência diurna. O exame físico e a análise da urina (incluindo urocultura) são normais. Assinale a opção CORRETA considerando a principal hipótese diagnóstica:
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Tema central: Esta questão aborda enurese noturna primária em crianças, caracterizada por episódios recorrentes de perda urinária durante o sono, em pacientes que nunca adquiriram o controle noturno completo, e sem sintomas diurnos ou anormalidades clínicas. É um quadro comum na faixa etária pediátrica e importante para a prática clínica do pediatra.

Justificativa da alternativa correta (E):

A alternativa E afirma que em pelo menos metade dos casos a história familiar é positiva. Essa é a resposta correta, fundamentada por amplo respaldo científico. Estudos demonstram que há uma associação genética marcante: quando um dos pais apresentou enurese na infância, o risco do filho desenvolvê-la sobe para até 40%, e se ambos os pais foram enuréticos, esse risco pode chegar a 70-80%. Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB) e diretrizes internacionais, o componente hereditário está fortemente documentado em revisões sistemáticas e artigos da área (por exemplo, Principia, UpToDate).

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. A presença exclusiva de sintomas noturnos, sem incontinência diurna, é critério para diagnóstico de enurese noturna primária e monossintomática. Não há associação obrigatória com sintomas diurnos.
B) Errada. Ocorre o oposto: a enurese noturna é mais frequente em meninos, conforme as diretrizes da AMB.
C) Errada. A maioria das crianças não tem patologia urológica subjacente. A enurese primária geralmente está associada ao atraso no desenvolvimento no controle da micção, e não a doença orgânica.
D) Errada. A maior parte dos casos é autolimitada: muitos resolvem espontaneamente ao longo do tempo, sem necessidade de tratamento medicamentoso imediato. Somente quadros persistentes ou de grande impacto psicossocial exigem intervenção específica.

Estratégias de prova:

Fique atento à ausência de sintomas diurnos (critério clássico da forma monossintomática), prevalência por sexo, e à familiaridade dos sintomas na anamnese. Muitos enunciados tentam confundir os conceitos, portanto atenção a palavras como “sempre”, “a maioria”, “nunca”.

Segundo o Projeto Diretrizes da AMB, “a enurese noturna é mais frequente em meninos e história familiar positiva pode ser observada em até 70% dos casos” (seção Incidência).

Resumo: Antes de suspeitar de causas orgânicas, lembre-se do forte componente genético e caráter autolimitado da enurese noturna primária.

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A principal hipótese diagnóstica para o caso apresentado é a enurese noturna primária, o que significa que a criança nunca apresentou controle noturno da urina. A opção E é a correta, pois cerca de metade dos casos de enurese noturna primária têm uma história familiar positiva. É importante ressaltar que, na maioria dos casos, não há associação com incontinência diurna e a maioria das crianças não apresenta patologia urológica. Embora raramente seja autolimitada, a enurese noturna primária não exige intervenção terapêutica imediata, principalmente em crianças mais novas.

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