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Q3615446 Técnicas em Laboratório
Em uma análise microscópica do sedimento urinário, é fundamental conhecer o valor do potencial hidrogeniônico da amostra. Um dos cristais encontrados em uma amostra de urina humana normal com pH ácido é descrito como: 
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Tema central: Identificação de cristais urinários depende fortemente do pH da urina. Em pH ácido, predominam cristais de uratos (como o urato monossódico), ácido úrico e oxalato de cálcio; em pH alcalino, aparecem fosfatos (ex.: fosfato triplo), carbonatos e biurato de amônio. Essa relação é um atalho essencial em provas e na prática laboratorial.

Alternativa correta: C — urato monossódico

O urato monossódico é um cristal típico de urina com pH ácido a ligeiramente ácido. Morfologicamente, costuma aparecer como agulhas finas ou em feixes, de coloração amarelo-acastanhada, podendo formar agregados. Dissolve-se com aquecimento e em meio alcalino. É um achado possível em amostra normal, especialmente após dieta rica em purinas ou concentração urinária elevada. Referências: Strasinger & Di Lorenzo, Urinalysis and Body Fluids, 6ª ed.; Henry’s Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods, 24ª ed.; UpToDate – “Urine microscopy in adults”.

Por que as demais estão incorretas?

  • A — Fosfato triplo (estruvita): Forma-se em pH alcalino, frequentemente associado a bactérias produtoras de urease (ex.: Proteus). Aspecto clássico de “tampa de caixão”. Não é típico de pH ácido. (Strasinger; UpToDate)
  • B — Biurato de amônio: Também de pH alcalino e comum em amostras antigas ou contaminadas, com aspecto de “maçã espinhosa” (thorny apple). Sua presença frequentemente indica alcalinização pós-coleta. (Henry’s; Strasinger)
  • D — Carbonato de cálcio: Cristais em “halteres” ou arredondados, surgem em urina alcalina. São menos comuns e não pertencem ao grupo esperado em pH ácido. (Strasinger)

Estratégia para provas:

  • Antes de pensar na morfologia, leia o pH (fita reagente). Depois, associe: ácido → uratos/ác. úrico/oxalato; alcalino → fosfatos/carbonatos/biurato de amônio.
  • Pegadinha comum: confundir “fosfato triplo” com ácido por nome. Lembre que “fosfato” remete a alcalino.
  • Desconfie de cristais alcalinos em amostra “ácida”: pode haver erro de leitura ou amostra envelhecida/contaminada.

Aplicação prática: Em sedimento com pH 5,5 e cristais amarelo-acastanhados em agulhas/feixes, pense em urato monossódico. Confirme contexto clínico (ingesta de purinas, desidratação) e, se necessário, reavalie com amostra fresca.

Fontes essenciais: Strasinger & Di Lorenzo. Urinalysis and Body Fluids, 6ª ed.; Henry’s Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods, 24ª ed.; UpToDate: “Urine microscopy in adults” e “Urinalysis in the diagnosis of kidney disease”.

Gabarito: C

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