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Q1674161 Medicina
Certo paciente de 58 anos de idade, vítima de AVC isquêmico troncoencefálico, encontra-se entubado há duas semanas e sem uso de sedação há 10 dias. Após avaliação neurológica, houve orientação para dar início a protocolo de morte encefálica (ME). Ao exame neurológico, ele encontra-se comatoso (Glasgow 3T), com tetraplegia; pupilas médio-fixas sem resposta fotomotora; reflexos corneopalpebral e de tosse ausentes; afebril; PA = 110 mmHg x 80 mmHg; TAX retal = 35,5 ºC; AC = RC2T com BNF; AP = MVF sem RA; e SatO2 = 100%. Exames laboratoriais sem alterações. Acerca desse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.
A presença de hipernatremia grave refratária ao tratamento sempre inviabiliza a determinação de ME.
Alternativas

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Tema central: O tema desta questão versa sobre critérios e impedimentos para o diagnóstico de Morte Encefálica (ME), especificamente quanto ao papel da hipernatremia (aumento do sódio sérico).

Comentário Didático:

Morte encefálica é a cessação irreversível de todas as funções encefálicas, sendo seu diagnóstico fundamental para a ética hospitalar e a doação de órgãos. Seus critérios são rigorosamente definidos em protocolos oficiais e legislações brasileiras. Para a realização segura do protocolo, é necessário excluir causas reversíveis de coma, como distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos (exemplo: hipernatremia grave).

Segundo o Manual para Notificação, Diagnóstico de Morte Encefálica e Manutenção do Potencial Doador do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná, “deve-se corrigir distúrbios hidroeletrolíticos antes de iniciar o protocolo.” Em caso de hipernatremia refratária, recomenda-se terapêutica específica, porém: a hipernatremia só impede o diagnóstico de ME se for a única causa justificadora do coma (p. 16 do manual citado).

Portanto, a presença de hipernatremia (mesmo que grave e de difícil controle) não inviabiliza necessariamente o diagnóstico de morte encefálica. Ela impede o início do protocolo apenas se for responsável isoladamente pela condição neurológica do paciente. Após a adequada busca e/ou tentativa de correção, se não for a única causa do coma, a investigação pode avançar normalmente.

Análise das alternativas:

  • C (certo): Errada. A afirmação é absoluta (“sempre inviabiliza”) e está INCORRETA perante protocolos brasileiros e literatura atual.
  • E (errado): Correta. Reflete a conduta segura e as diretrizes vigentes no Brasil para ME.

Ponto-chave de prova: Atente para generalizações nas alternativas (“sempre”, “nunca”, etc.), pois frequentemente constituem pegadinhas. Nos protocolos de ME, importa o contexto clínico global e a plausibilidade do distúrbio justificar totalmente o coma.

Resumo: A hipernatremia grave refratária não inviabiliza por si só o diagnóstico de morte encefálica, salvo quando é a única responsável pelo coma.

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Comentários

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A afirmação está incorreta. A presença de hipernatremia grave refratária ao tratamento não inviabiliza necessariamente a determinação de morte encefálica, embora possa afetar os resultados dos testes utilizados para confirmar a ausência de atividade cerebral. No caso descrito, não há menção de hipernatremia, portanto, essa informação não é relevante para a determinação da morte encefálica. A morte encefálica é um diagnóstico clínico que requer uma avaliação cuidadosa e rigorosa dos sinais de ausência de atividade cerebral, que devem ser confirmados por meio de testes específicos.

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