Nos seguintes fragmentos textuais, adaptados de notícias de ...
Assinale a única opção totalmente adequada.
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A)Depois de muitos anos de improvisação, no Rio de Janeiro, o voluntariado nas favelas supria essa carência. Hoje os serviços estão melhores e dotados de recursos adequados.
Falta o referente: carência de quê?
B)Asseguram os demógrafos que o século XXI será o das megacidades. Mais de 70% da população mundial viverá na próxima década em grandes centros urbanos e no ano de 2030 haverá no mundo muitas áreas urbanas com população entre 5 e 25 milhões de pessoas.
"Asseguram os demógrafos...": Introduz o sujeito e a ação de forma direta.
"...século XXI será o das megacidades": Apresenta o tema central.
"...viverá na próxima década em grandes centros urbanos": "Grandes centros urbanos" é uma expressão que se liga logicamente a "megacidades" sem precisar de pronomes repetitivos ou sem referente.
"...haverá no mundo muitas áreas urbanas...": Novamente, mantém o assunto (urbanização) usando termos sinônimos ou relacionados (campo semântico), o que gera uma boa coesão lexical
C)O apartamento está quase vazio. Abandonou Viena em 1938 fugindo dos nazistas e se transferiu para Londres. Para lá levou todos os seus pertences. Freud morrer a seguir, em 1939, e sua filha e herdeira, Anna Freud, sempre resistiu a desfazer-se de um só bem.
Falta de coesão com "todos os seus pertences" e o "morrer" está totalmente errado, não sei se foi erro do qc ou a questão veio assim mesmo, mas o verbo não foi conjugado. Para o texto ser considerado "totalmente adequado" (como pede o enunciado), ele deveria estar no passado: "Freud morreu" ou "Freud morrera". Só esse "morrer" ali no meio já anula a alternativa de cara, tem a falta de coesão também:
- A primeira frase diz: "O apartamento está quase vazio".
- A última frase diz: "Anna Freud sempre resistiu a desfazer-se de um só bem".
se a herdeira nunca quis se desfazer de nada (resistiu a vender até um único bem), como é que o apartamento está vazio? Se ela guardou tudo, o apartamento deveria estar cheio de coisas
D)Em geral, elas constituem uma poderosa fonte energética por seu elevado conteúdo de carbono, completado com proteínas.
Falta o referente: elas quem?
E) Hoje, esses aborígenes australianos vivem de um modo muito diferente de um século atrás. Ainda que habitem em reservas naturais, já não ocupam cavernas ou choças, mas ocupam casas pré-fabricadas e desfrutam de eletricidade e de outras comodidades.
O pronome "esses" não tem antecedente no fragmento (ele é anafórico) creio que para estar de acordo com a FGV teria que ser "estes" pois aí introduziria os aborígenes
A alternativa correta é a B.
1. Desconstruindo o Gabarito (A Lógica da FGV)
Na alternativa B, a coesão é construída por especificação de dados:
“Asseguram os demógrafos que o século XXI será o das megacidades. Mais de 70% da população mundial viverá na próxima década em grandes centros urbanos...”
O "Pulo do Gato": A frase seguinte explica e quantifica o que foi dito na primeira. "Grandes centros urbanos" retoma e expande o conceito de "megacidades". A progressão temporal (século XXI -> próxima década -> 2030) é linear e logicamente encadeada. Não há pronomes "soltos" ou contradições.
2. Por que a "E" (que parecia perfeita) foi descartada?
Muitas vezes, a FGV considera inadequação discursiva a repetição excessiva ou o uso de termos que não se encaixam perfeitamente na elegância do texto:
O erro da E: "Ainda que habitem em reservas naturais, já não ocupam cavernas ou choças, mas ocupam casas pré-fabricadas..."
Vício de Linguagem: A repetição do verbo "ocupam" em um intervalo tão curto é considerada uma falha de coesão lexical (falta de variação). Além disso, o termo "aborígenes" é alvo de debates terminológicos, mas o peso maior aqui é a repetição desnecessária do verbo, que torna o texto "pobre" estilisticamente.
3. Revisão das demais (Onde está o erro?)
A: "Essa carência" (Carência de quê? De voluntariado? De recursos? O texto não diz antes).
C: Erro gramatical fatal: "Freud morrer" em vez de "morreu". Além da contradição entre "apartamento vazio" e "não se desfaz de um só bem".
D: O pronome "Elas" está sem antecedente (Coesão Exofórica).
O PENTE FINO DA FGV:
Evite Repetições: Se o mesmo verbo aparece duas vezes na mesma frase (como o "ocupam" na E), a banca vai preferir outra opção.
Referente Explicito: Se houver um "isso", "esse" ou "esta", a ideia anterior TEM que estar escrita claramente.
Gramática Pura: Verbo no infinitivo onde deveria ser passado ("morrer" vs "morreu") elimina a alternativa na hora.
Dica de Ouro: Na dúvida entre duas que parecem certas, escolha a que não repete palavras e que tem a pontuação mais "limpa". A FGV premia a concisão.
Ficou clara a "maldade" da banca com a repetição do verbo na letra E?
FGV cagou pra vírgula nessa letra B né, pqp
O gabarito é a B porque ela é a única que mantém a coesão referencial sem depender de informações que não estão no texto.
Aqui está o laudo da perícia técnica sobre os erros das outras alternativas:
- Por que a E está incorreta: O uso do demonstrativo "esses aborígenes" é um recurso de coesão anafórica, ou seja, ele serve para retomar algo que já foi citado. Como o fragmento começa com essa expressão sem que os aborígenes tenham sido mencionados antes, o pronome fica "solto", sem referente, o que é uma falha de coesão discursiva.
- Por que a B é a correta (Gabarito): O texto introduz o conceito de "megacidades" e logo em seguida o expande logicamente com "grandes centros urbanos" e a especificação populacional. Todos os termos nominais estão amarrados entre si sem precisar de um contexto externo.
- Falha na D: O pronome "elas" não possui nenhum antecedente no fragmento. Não sabemos a quem o texto se refere, o que quebra a continuidade.
- Falha na A: A expressão "essa carência" refere-se a algo que não foi dito. O texto menciona "improvisação", mas não define qual era a carência específica.
- Falha na C: Além do erro gramatical gritante ("Freud morrer a seguir" em vez de "morreu"), o texto apresenta problemas de encadeamento temporal.
Ponto de Perícia: Em provas da FGV, expressões como "esse/essa" no início de frases costumam ser "armadilhas". Se o termo não apareceu antes, o uso do demonstrativo está tecnicamente errado no nível do texto.
meu deus
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