Homem de 66 anos, tabagista de 40 maços-ano, com diagnóstico...

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Ano: 2026 Banca: UERJ Órgão: UERJ Prova: UERJ - 2026 - UERJ - Médico/Plantão Geral |
Q4039367 Medicina
Homem de 66 anos, tabagista de 40 maços-ano, com diagnóstico recente de carcinoma epidermoide de pulmão, ainda sem tratamento oncológico, foi encaminhado à emergência após consulta no ambulatório de oncologia clínica por piora da dispneia há cinco dias. Referiu que, há três semanas, iniciou quadro de edema facial, cefaleia e tonteira, e, nas últimas 24 horas, evoluiu com piora importante da cefaleia, rouquidão e ortopneia. Ao exame, encontrou-se sonolento e dispneico, sem tolerância ao decúbito dorsal, com PA = 130x80mmHg, FC = 98bpm e saturação = 88% em ar ambiente. Notou-se edema de face e membros superiores, pletora facial, que piorou com a elevação dos braços, estridor em repouso, turgência jugular a 90° e circulação colateral em parede torácica anterior. Considerando a emergência oncológica descrita, a conduta terapêutica mais adequada no momento é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O caso é de síndrome da veia cava superior maligna grave, com estridor em repouso, ortopneia, intolerância ao decúbito, hipoxemia, cefaleia importante e sonolência, indicando comprometimento de via aérea e congestão venosa craniana; nessa situação, a medida de alívio mais rápida e eficaz é a recanalização endovascular com stent.

Tema central: Síndrome da veia cava superior
Análise das alternativas
A
Errada
Radioterapia local trata a massa tumoral compressiva, mas não tem a rapidez necessária para um quadro já complicado por estridor, hipoxemia e intolerância ao decúbito. O erro da alternativa é confundir tratamento etiológico do câncer com a medida de resgate mais adequada na emergência obstrutiva grave.
B
Errada
Quimioterapia sistêmica também atua sobre a causa tumoral, porém sua resposta é mais tardia e menos adequada como primeira intervenção quando há ameaça imediata à via aérea e congestão venosa craniana. Além disso, a base destaca que, neste carcinoma epidermoide de pulmão, não se trata do cenário clássico de resposta imediata esperado em alguns tumores mais quimiossensíveis.
C
Errada
Corticoterapia intravenosa isolada não corrige a obstrução mecânica da veia cava superior. Pode ter papel adjuvante em situações selecionadas, mas aqui não resolve a causa hemodinâmica da síndrome nem oferece descompressão efetiva no momento agudo. Em um paciente com estridor e hipoxemia, usá-la como conduta principal posterga a intervenção que realmente alivia a obstrução.
D
Certa
O implante endovascular de stent é a melhor conduta imediata porque o problema dominante não é apenas o tumor de base, mas a obstrução venosa central grave e ameaçadora à vida. O quadro reúne sinais típicos de síndrome da veia cava superior por neoplasia torácica e, além disso, já há sinais de gravidade clínica real: estridor, ortopneia, incapacidade de permanecer em decúbito, hipoxemia e rebaixamento do nível de consciência. Nessa situação, a prioridade é restaurar rapidamente o fluxo venoso e aliviar a obstrução. O stent faz essa descompressão mais prontamente do que terapias antineoplásicas isoladas.
Pegadinha da questão
A banca explora a diferença entre tratar o câncer e tratar a emergência oncológica atual: o diagnóstico tumoral é importante, mas a escolha da conduta é determinada pela gravidade imediata da síndrome da veia cava superior, não pelo tratamento definitivo da neoplasia.
Dica para questões semelhantes
  • Reconheça síndrome da veia cava superior pelo conjunto edema cervicofacial e de membros superiores, turgência jugular e circulação colateral torácica.
  • Se houver estridor, ortopneia, intolerância ao decúbito, hipoxemia ou sinais neurológicos, classifique como apresentação grave e pense em descompressão imediata.
  • Em emergência obstrutiva maligna grave, priorize a intervenção com resposta mais rápida; radioterapia e quimioterapia podem vir depois como tratamento etiológico.
  • Não superestime corticoide em obstrução venosa central predominantemente mecânica por tumor.

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