Mulher de 55 anos, sem comorbidades conhecidas, procurou a e...

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Ano: 2026 Banca: UERJ Órgão: UERJ Prova: UERJ - 2026 - UERJ - Médico/Plantão Geral |
Q4039363 Medicina
Mulher de 55 anos, sem comorbidades conhecidas, procurou a emergência devido à diplopia e dificuldade de deambular iniciadas há cinco dias. Negou febre ou sintomas sistêmicos. O exame neurológico evidenciou força preservada nos membros inferiores, com reflexos aquileu e patelar abolidos, sensibilidade superficial e profunda inalteradas, marcha atáxica além de oftalmoparesia bilateral. Os exames laboratoriais e a tomografia computadorizada de crânio foram normais. A análise do líquido cefalorraquidiano evidenciou celularidade = 2leucócitos/mm³, proteínas = 240mg/dL e glicose = 60mg/dL. Considerando o diagnóstico mais provável, a conduta mais adequada é:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A tríade clássica de síndrome de Miller Fisher — oftalmoparesia bilateral, ataxia e arreflexia — associada à dissociação albuminocitológica no líquor (proteína elevada com celularidade normal ou discretamente aumentada) caracteriza variante da síndrome de Guillain-Barré e, entre as alternativas, indica imunoglobulina humana intravenosa.

Tema central: Síndrome de Miller Fisher
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Antiagregação plaquetária pressupõe evento isquêmico cerebrovascular, mas o conjunto arreflexia difusa + líquor com dissociação albuminocitológica + tríade oftalmoparesia/ataxia/arreflexia aponta para polirradiculoneuropatia autoimune periférica, não para síndrome vascular central. Diplopia e ataxia isoladamente poderiam confundir com lesão de tronco, mas a arreflexia e o líquor afastam essa linha como explicação principal.
B
Errada
Incorreta. Ressonância magnética de crânio pode ter papel em diagnósticos diferenciais centrais quando há dúvida, mas a questão pede a conduta mais adequada considerando o diagnóstico mais provável. Aqui, o enunciado já oferece elementos suficientes para reconhecer Miller Fisher e indicar tratamento imunomodulador. Priorizar imagem nesse cenário atrasa a conduta dirigida.
C
Errada
Incorreta. Pulsoterapia com metilprednisolona não é tratamento de escolha da síndrome de Guillain-Barré nem da síndrome de Miller Fisher. No espectro Guillain-Barré, as terapias eficazes são imunoglobulina intravenosa ou plasmaférese; corticosteroide isolado não demonstra benefício clínico relevante equivalente a essas opções.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o quadro clínico-liquórico é compatível com síndrome de Miller Fisher no espectro da síndrome de Guillain-Barré: diplopia por oftalmoparesia bilateral, marcha atáxica, abolição dos reflexos e líquor com proteína de 240 mg/dL e apenas 2 leucócitos/mm³. Nesse contexto, a conduta terapêutica eficaz entre as opções é imunoglobulina humana intravenosa. A força preservada não afasta o diagnóstico, porque nessa variante a oftalmoplegia e a ataxia podem predominar sobre a fraqueza.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de interpretar diplopia e ataxia como AVC de circulação posterior e esquecer que a arreflexia, somada à dissociação albuminocitológica, desloca o diagnóstico para síndrome de Miller Fisher.
Dica para questões semelhantes
  • Reconheça a tríade oftalmoplegia/oftalmoparesia, ataxia e arreflexia como marcador de síndrome de Miller Fisher.
  • Valorize proteína liquórica alta com celularidade normal como dissociação albuminocitológica, achado de apoio do espectro Guillain-Barré.
  • Não exija fraqueza importante para admitir Guillain-Barré variante Miller Fisher.
  • No espectro Guillain-Barré, diferencie imunoterapia eficaz de corticoide isolado, que não é a conduta padrão útil.

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