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Q3333309 Filosofia
Consideremos a seguinte sentença: “Deve ter chovido recentemente, porque os peixes não estão mordendo a isca”. Se imaginarmos a cena descrita por essa sentença, podemos montar o seguinte argumento: “Sempre que chove, os peixes não mordem a isca. Os peixes não estão mordendo a isca. Então, deve ter chovido recentemente”.

(Savian Filho, 2010)

Segundo Juvenal Savian Filho, esse argumento deve ser considerado
Alternativas

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Alternativa correta: C – falacioso.

Tema Central da Questão:

A questão aborda a análise lógica de um argumento, especificamente se ele é falacioso. Para resolvê-la, é preciso reconhecer o tipo de inferência apresentada e compreender o conceito de falácia em lógica.

Resumo Teórico:

Em filosofia e lógica, uma falácia é um erro de raciocínio que, apesar de aparentemente válido ou persuasivo, é inválido do ponto de vista lógico. Um dos exemplos clássicos é a afirmação do consequente:

Se P, então Q.
Q.
Logo, P.

Esse tipo de inferência é inválido porque pode haver outras causas para Q, além de P.

Justificativa da Alternativa Correta (C):

No exemplo citado, o argumento segue exatamente o padrão da afirmação do consequente. A premissa é "Sempre que chove, os peixes não mordem a isca" (Se chove, então não mordem). O fato observado é "os peixes não estão mordendo a isca". Concluir que "deve ter chovido" é uma falácia, pois podem existir outros motivos para os peixes não morderem a isca.

Fontes clássicas como Copi & Cohen, "Introdução à Lógica", mostram esse erro no raciocínio.

Análise das Alternativas Incorretas:

A - seguro: Um argumento seguro é confiável, o que não ocorre aqui devido ao erro lógico.

B - verdadeiro: Não se trata de verdade, mas da validade da relação lógica.

D - válido: A validade exige que a conclusão decorra necessariamente das premissas, o que não ocorre neste caso.

E - verossímil: Verossimilhança significa parecer verdadeiro, mas uma falácia pode até soar plausível sem ser correta logicamente.

Estrategia de Interpretação:

Procure identificar o tipo de inferência e desconfie de argumentos que pulam etapas lógicas ou não consideram outras possibilidades. Palavras como “então” ou “logo” pedem atenção ao nexo lógico.

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Comentários

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O argumento é verdadeiro, porém não é válido, isso porque as premissas não garantem a verdade da conclusão. Ou seja, mesmo que seja verdade que a chuva geralmente impeça dos peixes morderem a isca, não há garantia, neste caso específico de que a ausência de mordida do peixe, seja devido à chuva. Em suma, o que temos aí é um argumento indutivo, sendo o argumento indutivo não considerado válido em termos de lógica formal.

O argumento é considerado falacioso (letra C) porque comete o erro lógico conhecido como afirmação do consequente. Isso ocorre quando alguém parte da ideia de que, se "A então B", e observa que "B" aconteceu, conclui incorretamente que "A" ocorreu. No exemplo, "Se chove, então os peixes não mordem" não significa que "se os peixes não mordem, então choveu", pois outros fatores podem fazer os peixes não morderem. Portanto, embora a conclusão pareça razoável, ela não é logicamente válida, sendo uma falácia formal de raciocínio.

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