Queimadura é toda lesão produzida no tecido de revestimento...
I. A gravidade da queimadura por choque elétrico depende do tipo de corrente, resistência, duração do contato, magnitude da energia aplicada e caminho percorrido pela corrente elétrica.
II. O corpo humano dificilmente sente os efeitos de uma descarga elétrica; é necessário um choque acima 1000 volts para ser fatal.
III. As primeiras condutas a serem realizadas quando ocorrem acidentes com choque elétrico são: auxiliar a vítima a afastar-se da fonte de eletricidade e oferecer água à vítima.
IV. As principais consequências decorrentes do choque elétrico são a parada cardiorrespiratória e as queimaduras.
Estão corretas as afirmativas
Gabarito comentado
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Tema central: assistência de enfermagem ao paciente vítima de choque elétrico — mecanismos de lesão, gravidade e condutas iniciais.
Alternativa correta: D (I e IV)
I — Verdadeira. A gravidade depende do tipo de corrente (corrente alternada 50–60 Hz tende a causar tetania e fibrilação ventricular), da resistência (pele seca vs. úmida), da duração do contato, da intensidade da corrente (amperagem) e do trajeto (mão–mão ou mão–pé atravessando o tórax é mais letal). Conceito-chave: I = V/R. Assim, não é apenas a voltagem que mata, mas a corrente efetivamente atravessando os tecidos. (ATLS; UpToDate; American Burn Association)
IV — Verdadeira. As consequências imediatas mais relevantes são parada cardiorrespiratória (por FV, assistolia ou apneia central) e queimaduras (muitas vezes profundas, com lesão muscular oculta), podendo evoluir com rabdomiólise e síndrome compartimental. (ABA; Ministério da Saúde)
Por que as demais estão incorretas?
II — Falsa. Não é “necessário” >1000 V para ser fatal. Correntes domésticas de 110–220 V podem causar fibrilação ventricular com correntes tão baixas quanto 50–100 mA, sobretudo se a pele estiver úmida e o trajeto cruzar o coração. A 1000 V falamos em alta voltagem, que tende a causar queimaduras extensas, mas fatalidade depende da corrente e do trajeto, não de um limiar fixo de voltagem. (UpToDate; Harrison’s)
III — Falsa. A primeira conduta é segurança da cena: desligar a fonte ou afastar o condutor com material não condutivo (madeira seca, plástico), sem tocar a vítima. Não oferecer água: risco de aspiração (especialmente em rebaixamento de consciência) e água aumenta condução elétrica se a fonte ainda estiver ativa. Após interromper a corrente: avaliação ABCDE, RCP se necessário, O2, monitorização cardíaca e busca por lesões ocultas. (ATLS; AHA)
Estratégia de prova: desconfie de termos absolutos como “dificilmente” e “é necessário” (afirmativa II); em primeiros socorros, lembre o mantra segurança do socorrista e NPO até avaliação (contrapõe a III).
Condutas essenciais na prática: remover a fonte com segurança; ABCDE; ECG e monitorização (24 h se alta voltagem, perda de consciência, arritmia ou dor torácica); controle de dor; avaliação de entradas/saídas e perfis de rabdomiólise (CK, mioglobinúria) e hidratação vigorosa quando indicado; considerar fasciotomias em síndrome compartimental. (ABA 2020; UpToDate)
Referências rápidas: American Burn Association (Guidelines Electrical Injuries); ATLS (10ª ed.); UpToDate “Electrical injuries”; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: D
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