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Q4156165 Português
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Texto 1

Competências e habilidades de leitura

    Ler envolve diversos procedimentos e capacidades (perceptuais, motoras, cognitivas, afetivas, sociais, discursivas, linguísticas), todas dependentes da situação e das finalidades de leitura. [...]
    O conhecimento sobre o conjunto de capacidades de todas as ordens que são requeridas nas diversas práticas de leitura vem crescendo acentuadamente com o desenvolvimento das pesquisas e teorias sobre leitura que tiveram lugar da segunda metade do século passado até hoje. Acumulou-se, nos últimos cinquenta anos, muita informação a respeito. E essas informações dependem dos focos dessas pesquisas e teorias.
    Podemos dizer que, no início da segunda metade do século XX, ler era visto – de maneira simplista – apenas como um processo perceptual e associativo de decodificação de grafemas (escrita) em fonemas (fala), para se acessar o significado do texto. Nesta perspectiva, aprender a ler encontrava-se altamente equacionado à alfabetização. [..]
   Uma vez construídas essas associações, uma vez alfabetizado, o indivíduo poderia chegar da letra à sílaba e à palavra, e delas, à frase, ao período, ao parágrafo e ao texto, acessando assim, linear e sucessivamente, seus significados. É o que se denominou na escola fluência de leitura. Nessa teoria, as capacidades focadas eram as de decodificação do texto, portal importante para o acesso à leitura, mas que absolutamente não esgotam as capacidades envolvidas no ato de ler. [...]
    No desenvolvimento das pesquisas e estudos sobre o ato de ler, ao longo desses cinquenta anos, muitas outras capacidades nele envolvidas foram sendo apontadas e desveladas: capacidades de ativação, reconhecimento e resgate de conhecimento armazenado na memória, capacidades lógicas de interação social etc. A leitura passa, primeiro, a ser enfocada não apenas como um ato de decodificação, de transposição de um código (escrito) a outro (oral), mas como um ato de cognição, de compreensão, que envolve conhecimento de mundo, conhecimento de práticas sociais e conhecimentos linguísticos, muito além dos fonemas e grafemas.
    Num primeiro momento, tratou-se da compreensão do texto, do que nele estava posto, ou pressuposto. Nessa abordagem, cujo foco estava no texto e no leitor, na extração de informações do texto, descobriram-se muitas capacidades mentais de leitura, que foram denominadas estratégias (cognitivas, metacognitivas) do leitor.
     Posteriormente, passou-se a ver o ato de ler como uma interação entre o leitor e o autor. O texto deixava pistas da intenção e dos significados do autor e era um mediador desta parceria interacional. Para captar estas intenções e sentidos, conhecimentos sobre práticas e regras sociais eram requeridos.
    Mais recentemente, a partir dos anos 1990, a leitura tem sido vista como um ato de se colocar em relação um discurso (texto) com outros discursos anteriores a ele, emaranhados nele e posteriores a ele, como possibilidades infinitas de réplica, gerando novos discursos/textos.
    Nenhuma dessas teorias invalida os resultados anteriores. O que acontece é que fomos conhecendo cada vez mais a respeito dos procedimentos e capacidades envolvidos no ato de ler. No entanto, a leitura escolar parece ter parado no início da segunda metade do século passado.
    Se perguntarmos a nossos alunos o que é ler na escola, eles possivelmente responderão que é ler em voz alta, sozinho ou em jogral (para avaliação de fluência entendida como compreensão) e, em seguida, responder um questionário onde se deve localizar e copiar informações do texto (para avaliação e compreensão). Ou seja, somente poucas e as mais básicas das capacidades leitoras têm sido ensinadas, avaliadas e cobradas pela escola. Todas as outras são quase ignoradas. Isso é o que mostram os resultados de leitura de nossos alunos em diversos exames, como o ENEM, SAEB e PISA, tidos como altamente insuficientes para a leitura cidadã numa sociedade urbana e globalizada, altamente letrada, como a atual.

ROJO, Roxane. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. p. 75-79. (Adaptado).
No trecho “No desenvolvimento das pesquisas e estudos sobre o ato de ler, ao longo desses cinquenta anos, muitas outras capacidades nele envolvidas foram sendo apontadas e desveladas”, o referente do pronome “nele” é
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O trecho “No desenvolvimento das pesquisas e estudos sobre o ato de ler, ao longo desses cinquenta anos, muitas outras capacidades nele envolvidas foram sendo apontadas e desveladas” vincula as capacidades à atividade de leitura. A compatibilidade semântica contextual identifica “o ato de ler” como referente de “nele”, o que corresponde à alternativa B.

Tema central: Referência pronominal e coesão
Análise das alternativas
A
Errada
“Desenvolvimento” é masculino singular, mas essa compatibilidade formal não basta. A retomada proposta atribuiria as capacidades ao desenvolvimento das pesquisas, enquanto o texto as apresenta como capacidades envolvidas na leitura. As pesquisas investigam essas capacidades; não são a atividade à qual elas são atribuídas.
B
Certa
A relação também é corroborada por outra passagem: “O que acontece é que fomos conhecendo cada vez mais a respeito dos procedimentos e capacidades envolvidos no ato de ler.”
C
Errada
“Os estudos” está no plural e exigiria “neles” em uma retomada direta, não “nele”. Além disso, os estudos investigam as capacidades envolvidas no ato de ler; essas capacidades não são apresentadas como envolvidas nos próprios estudos.
D
Errada
“Os cinquenta anos” é uma expressão plural, incompatível com a retomada direta pelo singular “nele”. Também indica o período de desenvolvimento das pesquisas, e não a atividade em que as capacidades estão envolvidas.
Pegadinha da questão
A expressão mais próxima, “cinquenta anos”, não é necessariamente o antecedente do pronome. Já “desenvolvimento” tem gênero e número compatíveis com “nele”, mas é excluído pela relação de sentido: as capacidades pertencem ao ato de ler.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique o gênero e o número do pronome para excluir antecedentes formalmente incompatíveis.
  • Substitua o pronome pelo possível antecedente e confira se a relação de sentido é preservada.
  • Distinga o objeto investigado das pesquisas que o investigam e das expressões que apenas situam o processo no tempo.

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 “No desenvolvimento das pesquisas e estudos sobre o ato de ler, ao longo desses cinquenta anos, muitas outras capacidades nele envolvidas foram sendo apontadas e desveladas”, Faça a pergunta a palavra, foram desenvovidas em que? No ato de ler.

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