“E, para garantir‐se (1) que a alternativa não se repita, é ...

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Alternativa

    Envelhecer é chato, mas consolemo‐nos: a alternativa é pior. Ninguém que eu conheça morreu e voltou para contar como é estar morto, mas o consenso geral é que existir é muito melhor do que não existir. Há dúvidas, claro. Muitos acreditam que com a morte se vai desta vida para outra melhor, inclusive mais barata, além de eterna. Só descobriremos quando chegarmos lá. Enquanto isso vamos envelhecendo com a dignidade possível, sem nenhuma vontade de experimentar a alternativa.
    Mas há casos em que a alternativa para as coisas como estão é conhecida. Já passamos pela alternativa e sabemos muito bem como ela é. Por exemplo: a alternativa de um país sem políticos, ou com políticos cerceados por um poder mais alto e armado. Tivemos vinte anos desta alternativa e quem tem saudade dela precisa ser constantemente lembrado de como foi. Não havia corrupção? Havia, sim, não havia era investigação pra valer. Havia prepotência, havia censura à imprensa, havia a Presidência passando de general para general sem consulta popular, repressão criminosa à divergência, uma política econômica subserviente a um “milagre” econômico enganador. Quem viveu naquele tempo lembra que as ordens do dia nos quartéis eram lidas e divulgadas como éditos papais para orientar os fiéis sobre o “pensamento militar”, que decidia nossas vidas.
    Ao contrário da morte, de uma ditadura se volta, preferencialmente com uma lição aprendida. E, para garantir‐se que a alternativa não se repita, é preciso cuidar para não desmoralizar demais a política e os políticos, que seja. Melhor uma democracia imperfeita do que uma ordem falsa, mas incontestável. Da próxima vez que desesperar dos nossos políticos, portanto, e que alguma notícia de Brasília lhe enojar, ou você concluir que o país estaria melhor sem esses dirigentes e representantes que só representam seus interesses, e seus bolsos, respire fundo e pense na alternativa.
    Sequer pensar que a alternativa seria preferível – como tem gente pensando – equivale a um suicídio cívico. Para mudar isso aí, prefira a vida – e o voto.

(Adaptado. Veríssimo, O Globo, 30/6/2013)
“E, para garantir‐se (1) que a alternativa não se repita, é preciso cuidar (2) para não desmoralizar (3) demais a política e os políticos, que seja. Melhor uma democracia imperfeita do que uma ordem falsa, mas incontestável. Da próxima vez que desesperar (4) dos nossos políticos, portanto, e que alguma notícia de Brasília lhe enojar (5), ou você concluir que o país estaria melhor sem esses dirigentes e representantes que só representam seus interesses, e seus bolsos, respire fundo e pense na alternativa”. As formas verbais destacadas correspondem a formas de infinitivo ou de futuro do subjuntivo. Assinale a alternativa que apresenta apenas as que pertencem   a formas de infinitivo.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A forma isolada não distingue infinitivo de futuro do subjuntivo nesses verbos regulares; a classificação depende da construção sintática. No trecho “E, para garantir‐se que a alternativa não se repita, é preciso cuidar para não desmoralizar demais a política e os políticos, que seja.”, as construções mostram o uso do infinitivo. Já “Da próxima vez que” enquadra desesperar e a oração coordenada com enojar em situações futuras eventuais, excluindo 4 e 5 do conjunto solicitado. Assim, a alternativa correspondente é A.

Tema central: Infinitivo e futuro do subjuntivo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A reúne os três infinitivos: garantir (1) e desmoralizar (3) integram construções reduzidas introduzidas por “para”; cuidar (2) encabeça a oração reduzida que funciona como sujeito de “é preciso”. O pronome ligado a garantir e a negação antes de desmoralizar não alteram essa classificação.
B
Errada
Seleciona apenas formas do futuro do subjuntivo. Desesperar (4) está na oração temporal introduzida por “Da próxima vez que”, e enojar (5) mantém esse mesmo enquadramento na oração coordenada. Ambas apresentam acontecimentos futuros eventuais, não construções de infinitivo.
C
Errada
Inclui corretamente os infinitivos 1, 2 e 3, mas acrescenta desesperar (4). Em “Da próxima vez que desesperar”, a forma integra uma oração temporal desenvolvida e está no futuro do subjuntivo.
D
Errada
Mistura os infinitivos cuidar (2) e desmoralizar (3) com desesperar (4) e enojar (5), formas do futuro do subjuntivo nas orações temporais referentes à próxima ocasião eventual. Além disso, omite garantir (1), infinitivo na construção introduzida por “para”.
E
Errada
Acrescenta enojar (5) aos infinitivos cuidar (2) e desmoralizar (3). A oração de enojar compartilha o enquadramento temporal de “Da próxima vez que”, por isso a forma está no futuro do subjuntivo. A alternativa também omite garantir (1), que é infinitivo.
Pegadinha da questão
As formas regulares apresentadas coincidem graficamente no infinitivo e no futuro do subjuntivo. A terminação isolada não resolve a classificação; também é necessário perceber que o enquadramento de “Da próxima vez que” alcança enojar, na oração coordenada.
Dica para questões semelhantes
  • Examine a construção completa: nesta questão, “para” introduz as construções de infinitivo de garantir e desmoralizar, enquanto cuidar encabeça a oração que funciona como sujeito de “é preciso”.
  • Verifique se uma expressão temporal também abrange as orações coordenadas: aqui, “Da próxima vez que” enquadra tanto desesperar quanto enojar.
  • Como teste auxiliar, use um verbo irregular: o contraste entre “para fazer” e “Da próxima vez que fizer” evidencia a diferença entre infinitivo e futuro do subjuntivo.

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Comentários

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Futuro do subjuntivo começa com conjunções. Já o infinitivo vem antecipado por preposições, GERALMENTE.

Gabarito: letra (A)

-R → infinitivo ou futuro do subjuntivo.

FAZER: INFINITIVO

FIZER: SUBJUNTIVO

Um bizu muito legal do Prof. Marcelo Rosenthal é trocar o verbo por "fazer o trabalho" ou "fizer o trabalho", de acordo com o encaixe adequado. Por exemplo, a afirmativa 1:“E, para fazer o trabalho (1). Reparem que o FAZER é o modo do verbo que deixará a frase adequada, então sempre que isso ocorrer quer dizer que o verbo está no INFINITIVO; assim como nas afirmativas 2 e 3.

Já nas afirmativas 4 e 5, teríamos: Da próxima vez que FIZER O TRABALHO (4) e e que alguma notícia de Brasília lhe FIZER O TRABALHO (5) . Pois se utilizasse o FAZER, a frase ficaria incorreta. Portanto, quando o FIZER for adequado, o verbo estará no futuro do subjuntivo.

Créditos: colegas do QC.

Gabarito na alternativa A

Solicita-se indicação das formas verbais destacadas que representam forma nominal de infinitivo:

“E, para garantir‐se (1) que a alternativa não se repita, é preciso cuidar (2) para não desmoralizar (3) demais a política e os políticos, que seja. Melhor uma democracia imperfeita do que uma ordem falsa, mas incontestável. Da próxima vez que desesperar (4) dos nossos políticos, portanto, e que alguma notícia de Brasília lhe enojar (5), ou você concluir que o país estaria melhor sem esses dirigentes e representantes que só representam seus interesses, e seus bolsos, respire fundo e pense na alternativa”.

Nos verbos regulares, a formas nominais de infinitivo (jogar, amar, dormir) apresentam forma idêntica à encontrada na conjugação finita de futuro do subjuntivo (quando eu jogar, quando eu amar, quando eu dormir). A diferenciação pode ser feita com base na conjugação de formas verbais irregulares que apresentem alteração da conjugação de futuro do subjuntivo, distanciando-se da forma infinitiva.

Para fins de elucidação, utilizemos a simples substituição pela forma verbal "fazer", que quando conjugada no futuro do subjuntivo apresenta a forma "fizer" (quando eu fizer).

Os verbos 1,2 e 3 são formas de infinitivo, (para fazer; é preciso fazer; para não fazer), enquanto as formas 4 e 5 apresentam conjugações de futuro do subjuntivo (da próxima vez que fizer; que alguma notícia lhe fizer).

Entendi nada

Eu resolvi assim:

Sabemos que o futuro do subjuntivo em regra tem uma escrita idêntica ao do infinitivo.

Acontece que o modo subjuntivo indica uma hipótese, algo que pode ocorrer e o futuro do subjuntivo indica uma hipótese no futuro. Uma dica para conjugar os verbos nesse tempo e modo verbal é colocar "quando" antes do verbo:

Quando eu fizer aquela prova...

Quando eu estudar mais...

Dessa forma, é possível verificar que as ocorrências (4) e (5) se encontram no subjuntivo, pois expressam uma hipótese no futuro:

Da próxima vez que desesperar dos nossos políticos

(...)

[da próxima vez] que alguma notícia de Brasília lhe enojar

Inclusive, dá para substituir pelo quando:

Quando desesperar dos nossos políticos...

Quando alguma notícia lhe enojar...

Gab. A

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