Paciente de 63 anos de idade, hígida, com queixa de polaciúr...

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Q4039396 Medicina
Paciente de 63 anos de idade, hígida, com queixa de polaciúria, noctúria (5x/noite) e urgeincontinência urinária, com exame físico sem distopias genitais, retorna para reavaliação após mudança de estilo de vida e comportamentos saudáveis, treinamento vesical e uso de terapia tópica com estriol. Refere melhora parcial da noctúria (mantém 3x/noite) e redução da frequência urinária, porém persiste com urgeincontinência. Apresenta parcial de urina e urocultura normais.
Qual a melhor conduta?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso é de bexiga hiperativa/urgeincontinência: há polaciúria, noctúria e urgência com perdas urinárias, urina tipo I e urocultura normais, sem distopia genital, e a paciente já fez medidas comportamentais, treinamento vesical e estriol tópico, com resposta apenas parcial. Nessa situação, o escalonamento terapêutico indicado é iniciar antimuscarínico (anticolinérgico) ou agonista beta-3 adrenérgico.

Tema central: Bexiga hiperativa
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o quadro clínico é de bexiga hiperativa com urgeincontinência persistente após manejo conservador adequado. Nesse cenário, o tratamento deve ser escalonado para medicação específica da fase de enchimento vesical: antimuscarínicos reduzem contrações involuntárias do detrusor, e agonistas beta-3 favorecem relaxamento vesical. Como não há infecção urinária nem causa anatômica corretível ao exame, essa é a conduta tecnicamente apropriada como próxima etapa.
B
Errada
Está errada porque correção cirúrgica não é a conduta de escolha para urgeincontinência/bexiga hiperativa. Cirurgia se relaciona tipicamente à incontinência urinária de esforço ou a defeitos anatômicos; aqui o sintoma predominante é urgência com perda urinária por urgência, e o exame informa ausência de distopia genital. Indicar cirurgia nesse contexto erra o mecanismo fisiopatológico do quadro.
C
Errada
Está errada porque a troca de estriol por promestrieno não muda o eixo terapêutico principal da urgeincontinência persistente. Ambos são estrogênios tópicos com papel adjuvante em sintomas geniturinários da menopausa, mas não substituem a farmacoterapia específica para bexiga hiperativa quando a queixa decisiva continua sendo urgeincontinência após primeira linha.
D
Errada
Está errada porque toxina botulínica intravesical é terapia de linha posterior para bexiga hiperativa refratária, indicada após falha ou intolerância ao tratamento conservador e ao tratamento farmacológico. Nesta paciente, a etapa medicamentosa padrão ainda não foi tentada. Pular diretamente para Botox desrespeita o escalonamento terapêutico e antecipa uma conduta invasiva sem indicação nesse momento.
E
Errada
Está errada porque neuromodulação sacral também é opção avançada para casos selecionados e refratários, geralmente após insucesso de abordagens conservadoras e farmacológicas. Como a paciente ainda não recebeu antimuscarínico nem agonista beta-3, não se trata da melhor próxima conduta. O erro aqui é indicar método invasivo antes de esgotar a etapa medicamentosa apropriada.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre qualquer incontinência urinária e indicação cirúrgica, além da tentação de pular do tratamento conservador diretamente para terapias invasivas, apesar de o quadro descrito ser de urgeincontinência com etapa farmacológica ainda não realizada.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique o mecanismo da incontinência: urgência, polaciúria e noctúria com exames urinários normais apontam para bexiga hiperativa/urgeincontinência, não para incontinência de esforço.
  • Se a primeira linha já foi feita e houve persistência dos sintomas, pense em escalonamento para antimuscarínico ou agonista beta-3 antes de considerar procedimentos invasivos.
  • Ausência de distopia genital e de defeito anatômico afasta correção cirúrgica como próxima etapa no quadro de urgência miccional.
  • Estrogênio vaginal pode ser adjuvante para sintomas geniturinários, mas não substitui a terapia específica da bexiga hiperativa quando a urgeincontinência persiste.

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