Primigesta com idade gestacional de 38 semanas, obesa, chega...

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Q4039388 Medicina
Primigesta com idade gestacional de 38 semanas, obesa, chega à emergência com queixa de cefaleia refratária ao uso de analgésico iniciada há 2 dias, acompanhada de escotomas, náuseas e 6 episódios de vômito. Ao exame físico, apresenta PA 140/95 mmHg, saturação de Oxigênio de 92% em ar ambiente, frequência respiratória de 26 mrpm. Exames laboratoriais demonstraram Hb 12 g/dL, plaquetas 98.000 mm3 , creatinina 1,3 mg/dL, índice proteinúria/creatinúria 0,47 mg/dL, TGO 72 U/L. Qual a principal hipótese diagnóstica e conduta?
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade no termo. A ausência de convulsão afasta eclâmpsia, e a idade gestacional de 38 semanas não permite conduta expectante.

Tema central: Pré-eclâmpsia grave no termo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por dois motivos médicos objetivos. Primeiro, eclâmpsia exige convulsão ou coma não explicado em paciente com pré-eclâmpsia, e isso não foi descrito. Cefaleia e escotomas são sinais neurológicos de gravidade, mas não equivalem a crise eclâmptica. Segundo, a interrupção da gestação é indicada, porém cesariana não é obrigatória; a via de parto depende das condições obstétricas e materno-fetais.
B
Errada
Está errada porque o quadro não é hipertensão gestacional isolada. Há proteinúria e disfunção orgânica, o que já desloca o diagnóstico para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Além disso, a conduta proposta é inadequada: focar apenas em anti-hipertensivo e em meta pressórica de 110/70 mmHg ignora a necessidade de sulfato de magnésio e a indicação de interromper a gestação no termo.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro não é apenas hipertensão gestacional: há proteinúria e múltiplos sinais de gravidade materna, incluindo comprometimento neurológico persistente, plaquetopenia abaixo de 100.000/mm3, disfunção renal, alteração hepática e possível repercussão respiratória. Isso configura pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Nessa situação, o sulfato de magnésio é indicado para prevenção/tratamento de convulsões, e, por se tratar de gestação a termo, não cabe conduta expectante; a gestação deve ser interrompida após estabilização materna.
D
Errada
Está errada porque classifica o caso como pré-eclâmpsia sem gravidade apesar de existirem critérios inequívocos de gravidade: cefaleia refratária, escotomas, plaquetas abaixo de 100.000/mm3, creatinina elevada, TGO elevada e dessaturação com taquipneia. Com 38 semanas, a proposta de conduta expectante até 40 semanas é incompatível com esse cenário.
E
Errada
Está errada porque, embora reconheça pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, erra a conduta. No termo, sinais de gravidade indicam interrupção da gestação após estabilização materna, não expectância até 40 semanas. Além disso, a questão não se resolve por buscar normalização pressórica para 120/80 mmHg; o ponto central é estabilizar a mãe, fazer sulfato de magnésio e resolver a gestação.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa impressão de que PA de 140/95 mmHg indicaria quadro leve. Aqui a gravidade não é definida pelo valor absoluto da pressão, mas pelos sinais de lesão de órgão-alvo. Outra confusão real é chamar de eclâmpsia um quadro com cefaleia e escotomas sem convulsão.
Dica para questões semelhantes
  • Não use apenas o nível da PA para graduar gravidade em doença hipertensiva da gestação; procure sintomas neurológicos, plaquetas, creatinina, enzimas hepáticas e repercussão respiratória.
  • Se houver convulsão, pense em eclâmpsia; sem convulsão, mesmo com sintomas neurológicos intensos, o diagnóstico permanece pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.
  • Em gestação a termo com sinais de gravidade, a lógica da conduta é sulfato de magnésio e interrupção da gestação após estabilização materna, não manejo expectante até 40 semanas.
  • Interrupção da gestação não significa cesariana obrigatória; a via de parto depende de critérios obstétricos.

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