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Q4110166 Pedagogia
Em uma escola pública situada em uma comunidade com forte presença de povos originários, a professora de filosofia propõe um projeto interdisciplinar que valoriza saberes ancestrais, questiona narrativas históricas oficiais e estimula o diálogo entre diferentes epistemologias. Durante uma reunião, alguns pais manifestam preocupação, alegando que o projeto “desvaloriza o conhecimento científico tradicional” e pode gerar confusão nos alunos. Considerando o papel do pensamento decolonial na filosofia, assinale a alternativa que apresenta uma postura epistemológica e pedagógica adequada do docente.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era identificar a postura compatível com o pensamento decolonial na educação: valorização de saberes ancestrais, diálogo entre epistemologias e recusa da hierarquização do conhecimento científico ocidental como único referencial legítimo. Por isso, a alternativa C é a que responde corretamente ao enunciado.

Tema central: Pensamento decolonial na educação
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque manda priorizar o paradigma científico dominante e evitar abordagens que desafiem as bases estabelecidas do conhecimento formal. Isso contraria diretamente a crítica decolonial à hierarquização dos saberes e reafirma a supremacia epistemológica do conhecimento dominante.
B
Errada
Está errada porque combina suposta neutralidade epistemológica com privilégio do cientificismo como legitimidade incontestável. Pela própria formulação, não há neutralidade: há preferência explícita por um regime de saber, o que é incompatível com a pluralidade epistemológica defendida pela perspectiva decolonial.
C
Certa
A alternativa C está correta porque traduz a postura epistemológica e pedagógica compatível com o enfoque decolonial: valorização dos saberes ancestrais, articulação intercultural entre diferentes epistemologias e crítica às hierarquias produzidas pela colonialidade do saber. O ponto técnico é que a perspectiva decolonial não reduz legitimidade ao padrão científico ocidental como único referencial válido; ela exige reconhecer pluralidade epistemológica e enfrentar a subalternização histórica de outros saberes no processo educativo.
D
Errada
Está errada porque atribui à BNCC uma orientação de alinhamento ao discurso histórico canônico para manter coesão cultural e evitar antagonismos. Segundo a base, essa premissa normativa é indevida e incompatível com pluralidade, diversidade e criticidade.
E
Errada
Está errada porque admite os saberes ancestrais apenas de forma limitada e periférica, recusando sua integração epistemológica efetiva em nome de um suposto rigor acadêmico. Isso mantém a subordinação epistêmica desses saberes, em vez de promover diálogo horizontal entre epistemologias.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi apresentar como equilíbrio ou neutralidade posições que, na prática, mantêm a superioridade do cientificismo ou toleram os saberes ancestrais apenas de modo periférico, sem reconhecimento epistemológico efetivo.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões sobre decolonialidade, procure a alternativa que reconhece pluralidade epistemológica e questiona hierarquias entre saberes.
  • Elimine opções que tratem o conhecimento científico ocidental como único referencial legítimo ou superior por definição.
  • Desconfie de alternativas que falem em neutralidade, mas privilegiem expressamente um regime de saber.
  • Valorização de saberes ancestrais, nesse contexto, não é tolerância periférica; é integração dialógica no processo educativo.

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