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Q3702843 Geografia

A permanência da estrutura fundiária colonial do Brasil continua sendo responsável pela violência no campo. Conforme a Comissão da Pastoral da Terra, em 2022, foram registrados 2.018 casos de conflitos no campo, envolvendo 909,4 mil pessoas e mais de 80,1 milhões hectares de terra em disputa em todo o território nacional, o que corresponde à média de um conflito a cada quatro horas. Essas ocorrências abrangem não apenas as disputas específicas pela terra, mas também a disputa por água, trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão, contaminação por agrotóxico, assassinatos, mortes e outros casos de violência. https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2023-04/brasil-registrou-um-conflito-no- campo-cadaquatro-horas-em-2022 


O aumento exponencial de conflitos e, por conseguinte, de mortes no campo, atualmente, tem relação direta com:

Alternativas

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Alternativa correta: C

Tema central: conflitos no campo decorrentes da concentração fundiária e da estagnação da Reforma Agrária. É preciso relacionar estrutura fundiária histórica (latifúndio, grilagem, monocultura extensiva) com violência rural.

Resumo teórico: A permanência de um padrão fundiário concentrado cria competição por terra, água e recursos, favorece práticas ilegais (grilagem) e resistência de movimentos sociais. A Reforma Agrária visa redistribuir terras improdutivas/latifundiárias; sua paralisação mantém desigualdade e impulsiona conflitos. (Fontes: Comissão Pastoral da Terra — relatórios; Constituição Federal: princípio da função social da propriedade; Lei nº 4.504/1964 — Estatuto da Terra.)

Por que C está certa: a alternativa aponta a "drástica estagnação da Reforma Agrária", que é causa estrutural e direta do aumento de conflitos. Sem políticas efetivas de redistribuição e titulação, ocupações e disputas por terra aumentam, gerando violências, despejos e enfrentamentos, conforme diagnóstico da CPT.

Análise das alternativas incorretas:

A — Novas tecnologias aumentam produtividade, mas não explicam por si só a explosão da violência; tecnologia pode até reduzir necessidade de terra e empregar menos mão de obra.

B — A expansão para Centro‑Oeste e Norte existe, porém seu modelo dominante é de grande escala e monocultura (soja, pecuária), não “diversificação”; além disso, a simples fronteira agrícola não explica totalmente a violência sem considerar a concentração fundiária.

D — Pluriatividade e urbanização do campo tendem a diversificar renda e reduzir dependência exclusiva da terra; isso não é explicado como causa direta do aumento da violência fundiária.

E — MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia) é relevante por expansão agrícola, mas a alternativa erra ao generalizar que inaugurou “novas ruralidades” e concentra os maiores casos do país; os conflitos têm base estrutural mais ampla ligada à concentração de terras.

Dica de prova: busque causas estruturais (palavras-chave: estagnação, redistribuição, latifúndio, função social) e desconfie de alternativas que apresentam consequências parciais ou termos imprecisos.

Fonte rápida: relatórios da Comissão Pastoral da Terra; Constituição Federal (função social da propriedade); Lei nº 4.504/1964 (Estatuto da Terra).

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