As dislipidemias correspondem a distúrbios quantitativos ou...

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Q3770394 Medicina
As dislipidemias correspondem a distúrbios quantitativos ou qualitativos das lipoproteínas plasmáticas, associando-se a maior risco de aterosclerose e eventos cardiovasculares. O rastreamento e o tratamento adequados são fundamentais para reduzir a morbimortalidade por doenças cardiovasculares ateroscleróticas (DCVA). Com base nas diretrizes atuais da Sociedade Brasileira de Cardiologia, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pelas diretrizes da SBC, a hipercolesterolemia familiar heterozigótica é uma condição hereditária autossômica dominante com LDL-c persistentemente elevado e risco de aterosclerose precoce; no adulto, LDL-c acima de 190 mg/dL é fortemente sugestivo/compatível com o diagnóstico clínico. Como a alternativa D descreve esse padrão, ela é a correta.

Tema central: Hipercolesterolemia familiar
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque transforma um critério importante em critério exclusivo. Pelas diretrizes brasileiras, estatina não é indicada apenas quando LDL-c está acima de 190 mg/dL; a decisão terapêutica também depende de estratificação do risco cardiovascular global, prevenção secundária, diabetes e metas de LDL-c conforme o cenário clínico. A afirmação ainda erra ao dispensar a estratificação de risco, o que contraria diretamente a lógica de tratamento das dislipidemias.
B
Errada
Está errada por erro quantitativo no efeito clínico da redução do LDL-c. O benefício clássico de cerca de 20% a 25% de redução relativa de eventos cardiovasculares maiores se relaciona à redução absoluta de aproximadamente 1 mmol/L de LDL-c, e não a uma simples redução de 10% do LDL-c. A alternativa troca redução percentual arbitrária por redução absoluta validada nas evidências incorporadas às diretrizes.
C
Errada
Está errada porque restringe indevidamente o rastreamento aos maiores de 40 anos. A avaliação de dislipidemia não se limita a essa faixa etária; as diretrizes admitem rastreamento em adultos mais jovens conforme fatores de risco e também estratégias em faixas etárias pediátricas para detecção de dislipidemias familiares. Portanto, essa limitação etária contraria cenários reconhecidos de investigação mais precoce.
D
Certa
A alternativa D está correta porque corresponde à caracterização clínica adotada nas diretrizes brasileiras: a hipercolesterolemia familiar heterozigótica cursa com LDL-c elevado desde a infância e se associa a risco aumentado de eventos cardiovasculares prematuros. A Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e a I Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar sustentam que LDL-c acima de 190 mg/dL em adultos é um ponto de corte relevante para suspeição/diagnóstico clínico dessa condição no contexto adequado. Portanto, a alternativa descreve corretamente tanto o perfil lipídico quanto a implicação prognóstica da doença.
Pegadinha da questão
A banca misturou uma afirmação correta e estável sobre hipercolesterolemia familiar com alternativas que parecem plausíveis, mas erram por absolutização: estatina não depende só de LDL-c > 190 mg/dL, o benefício clínico não é de 25% para qualquer queda de 10% do LDL-c, e o rastreamento não começa exclusivamente após os 40 anos.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a alternativa usar termos como "apenas", "independentemente" ou dispensar estratificação de risco, confronte com a lógica diretriz-based do tratamento das dislipidemias.
  • Em estatinas, diferencie redução percentual do LDL-c de redução absoluta em mmol/L ao interpretar impacto em desfechos cardiovasculares.
  • LDL-c muito elevado desde cedo, especialmente acima de 190 mg/dL em adulto, deve fazer pensar em hipercolesterolemia familiar heterozigótica e risco cardiovascular precoce.

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