O pericárdio é uma membrana serosa que envolve o coração e ...

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Q3770393 Medicina
O pericárdio é uma membrana serosa que envolve o coração e contém uma pequena quantidade de líquido seroso que atua como lubrificante durante o ciclo cardíaco. Alterações estruturais ou inflamatórias dessa membrana podem levar a manifestações clínicas diversas. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__) A pericardite idiopática representa menos de 10% dos casos de pericardite aguda e geralmente exige tratamento cirúrgico imediato, devido ao alto risco de constrição pericárdica.
(__) A pericardite tuberculosa é uma causa rara em países desenvolvidos, mas no Brasil tem alta incidência, especialmente em indivíduos imunocomprometidos, sendo a dosagem de adenosina deaminase (ADA) no líquido pericárdico um exame útil para o diagnóstico.
(__) O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINH) está contraindicado no tratamento das pericardites virais, pois aumenta o risco de recorrência e complicações cardíacas.
(__) O ecocardiograma é um exame essencial na avaliação inicial das pericardiopatias, permitindo identificar espessamento pericárdico, derrame e sinais de tamponamento cardíaco.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A resolução depende de quatro pontos clássicos das pericardiopatias: a pericardite idiopática/viral é frequente e tem manejo clínico, não cirúrgico imediato; a pericardite tuberculosa é relevante em contextos como o brasileiro e em imunocomprometidos, com ADA no líquido pericárdico como apoio diagnóstico; os AINEs são tratamento de primeira linha na pericardite aguda idiopática/viral; e o ecocardiograma é exame essencial na avaliação inicial por detectar derrame e tamponamento. Isso leva à sequência F, V, F, V.

Tema central: Pericardiopatias
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque considera verdadeiras a 1ª e a 3ª assertivas. A 1ª erra a epidemiologia e a conduta: pericardite idiopática/viral é frequente e geralmente tratada clinicamente, não com cirurgia imediata. A 3ª erra o tratamento: AINEs constituem terapia de primeira linha na pericardite aguda idiopática/viral, portanto não estão contraindicados por princípio nesse cenário.
B
Errada
Incorreta porque classifica a 1ª assertiva como verdadeira, quando ela é falsa pelos mesmos motivos de epidemiologia e manejo clínico da pericardite idiopática/viral. Também erra a sequência, pois a 2ª é verdadeira, a 3ª é falsa e a 4ª é verdadeira.
C
Certa
A alternativa C acerta a sequência F, V, F, V. A 1ª assertiva é falsa porque a pericardite idiopática/viral não corresponde a menos de 10% dos casos e, em geral, não exige tratamento cirúrgico imediato; o manejo habitual é clínico. A 2ª é verdadeira porque a pericardite tuberculosa tem maior relevância em cenários com maior carga de tuberculose e em imunocomprometidos, e a ADA no líquido pericárdico pode auxiliar o diagnóstico. A 3ª é falsa porque os AINEs são base terapêutica da pericardite aguda idiopática/viral, não uma contraindicação. A 4ª é verdadeira porque o ecocardiograma é essencial na avaliação inicial das pericardiopatias, sobretudo para detectar derrame pericárdico e sinais de tamponamento.
D
Errada
Incorreta porque torna falsa a 2ª assertiva. Isso contraria o critério epidemiológico e diagnóstico cobrado: a pericardite tuberculosa é mais relevante em locais com maior carga de tuberculose e em imunossupressão, e a ADA no líquido pericárdico pode auxiliar o diagnóstico. A menor frequência em países desenvolvidos não invalida sua importância no contexto citado.
Pegadinha da questão
A banca misturou exceções com regra geral: transformou a pericardite idiopática/viral, que é frequente e de manejo clínico, em condição rara com indicação cirúrgica imediata, e tentou inverter o papel dos AINEs, que são tratamento de primeira linha.
Dica para questões semelhantes
  • Em pericardite aguda, primeiro confira se a questão respeita a regra geral: formas idiopática/viral são frequentes e o manejo inicial costuma ser clínico.
  • Se a alternativa disser que AINE está contraindicado na pericardite viral/idiopática como regra, a tendência é estar errada, porque ele faz parte da base terapêutica.
  • Na suspeita de doença pericárdica, valorize o ecocardiograma como exame inicial essencial para derrame e tamponamento, mesmo que outros métodos sejam melhores para detalhe anatômico.
  • Em cenário epidemiológico compatível ou imunossupressão, tuberculose pericárdica deve permanecer no diferencial, e a ADA no líquido pericárdico pode ter utilidade como apoio diagnóstico.

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