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Q1702889 Medicina
Paciente A.F.M., 72 anos, internado em centro de terapia intensiva após sepse por pneumonia, tendo sido medicado inicialmente com Ceftriaxone + Azitromicina e, atualmente, com Piperaciclina + Tazobactan + Vancomicina, no momento, com diarreia fétida, ele está intubado, em ventilação mecânica, modo PCV, apresenta a seguinte gasometria arterial: pH 7,37, pCO2 29mmHg; HCO3- 14, Na+ 145, Cl- 116. Sobre a interpretação gasometria associada ao caso clínico, assinale a alternativa que explica melhor seus resultados:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda a interpretação da gasometria arterial em paciente crítico, possibilitando o diagnóstico diferencial dos tipos de acidose metabólica. Isso é fundamental na prática do médico clínico, especialmente em ambientes de terapia intensiva.

Justificativa da alternativa correta (C):
Ao analisar os dados da gasometria:

  • pH: 7,37 (ligeiramente ácido, mas quase normal)
  • pCO₂: 29 mmHg (baixo, indica compensação respiratória)
  • HCO₃⁻: 14 mEq/L (reduzido, marcando acidose metabólica)
  • Na⁺: 145 / Cl⁻: 116

Cálculo do ânion gap: AG = Na⁺ – (Cl⁻ + HCO₃⁻) = 145 – (116 + 14) = 15 mEq/L.
Valor normal: 8-12 mEq/L. O AG de 15 indica aumento.

Verifica-se que o paciente possui duas alterações acidobásicas simultâneas:

  • Acidose metabólica com ânion gap aumentado: frequente em quadros sépticos (como no choque séptico pelo excesso de lactato).
  • Acidose metabólica hiperclorêmica: a diarreia intensa causa perda de bicarbonato, levando à acidose com elevação de cloro, comum em pacientes críticos.

Segundo o Manual da Gasometria Arterial – Medway: “A acidose metabólica pode ser de ânion gap aumentado (lactato, sepse) e de ânion gap normal (hiperclorêmica, por diarreia).” O achado de ambos alinhados ao contexto clínico confirma a alternativa C.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Errada: desconsidera a acidose hiperclorêmica associada e supõe acidose "simples".
  • B) Errada: há compensação respiratória pela redução da pCO₂, e não uma alcalose respiratória isolada.
  • D) Errada: a alcalose respiratória é secundária (compensatória), não independente, e falta citar o componente hiperclorêmico.

Pegadinha importante: Observe sempre Na⁺, Cl⁻ e HCO₃⁻ juntos na hora de calcular ânion gap e considerar a coexistência de distúrbios mistos. Gasometrias em pacientes críticos frequentemente apresentam alterações complexas!

Dica de prova:
Sempre calcule o ânion gap e avalie se o paciente pode ter dois mecanismos de acidose sucedendo-se (lactato + diarreia), especialmente em graves de UTI.

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Para resolver essa questão devemos seguir alguns passos.

1° PASSO: DESCOBRIR QUAL DISTÚRBIO ÁCIDO-BÁSICO.

Existem 4 distúbios principais:

  • ACIDOSE METABÓLICA: PH baixo + HCO3 baixo
  • ALCALOSE METABÓLICA: PH alto + HCO3 alto
  • ACIDOSE RESPIRATÓRIA: PH baixo + PCO2 alto
  • ALCALOSE RESPIRATÓRIA: PH alto + PCO2 baixo

Vamos pegar os dados do exercício: pH é 7,37 (normal 7,35 a 7,45), HCO3 é 14 (normal 22 a 26) e PCO2 é 29 (normal 35 a 45). Eu te pergunto... isso é uma acidose ou alcalose? É uma acidose, pois o PH está próximo ao limite inferior de normalidade! Agora a segunda pergunta... isso é metabólico ou respiratório? É metabólico, pois o que explica a a acidose é o HCO3 baixo e não o PCO2 baixo. O PCO2 baixa faz alcalose e, nesse caso, ele age como forma de "tentar compensar" a acidose ou de "gerar alcalose respiratória".

2° PASSO: DESCOBRIR SE O QUADRO É SIMPLES OU MISTO

Para descobrir se o quadro é compensado ou não devemos jogar na fórmula do PCO2 esperado que é (1,5 x HCO3) + 8 com variação de +2 ou -2. Após jogar nessa fómrula podemos ter três conclusões:

  • PCO2 ESPERADO NORMAL: trata-se de um acidose metabólica somente
  • PCO2 ESPERADO ABAIXO DO NORMAL: trata-se de uma acidose metabólica + alcalose respiratória.
  • PCO2 ESPERADO ACIMA DO NORMAL: trata-se de uma acidose metabólica + acidose respiratória.

Vamos pegar os dados para o cáculo então. Qual é o HCO3 e PCO2? HCO3 é 14 e PCO2 é 29! Dessa forma, temos que (1,5 x 18) + 8 é 29. Considerando a variação nós temos que o PCO2 esperado é 27 a 31. Qual a conclusão podemos tirar disso? O PCO2 está normal e, portanto, temos uma ACIDOSE METABÓLICA isolada, ou também chamada, acidose metabólica compensada.

3° PASSO: CALCULAR O ANION GAP.

Para descobrir o Anion Gap utilizamos a seguinte fórmula NA - (CL + HCO3). Do Anion gap podemos tirar as seguintes conclusões:

  • ANION GAP AUMENTADO (>12). As pricipais causas são acidose lática, cetoacidose, insuficiencia renal aguda ou intoxicação exógena (metanol, etilenoglicol, salicilato).
  • ANION GAP NORMAL (8 a 12). As principais causas são perda digestiva baixa, acidose tubular renal, insuficiencia renal aguda, intoxicação enxógena (tolueno) ou medicamentos (inibidores da anidrase carbonica ou uso de SF acima de 2L)
  • ANION GAP DIMINUÍDO (<8). As principais causas são erro laboritorial ou gamopatia monoclonal por IGG.

Vamos pegar os dados para o cálculo. Na é 145, Cl é 116 e HCO3 é 14. Jogando na fórmula temos 145 - (116 + 14) que é igual a 15. Dessa forma, temos que o ANION GAP É AUMENTADO! Portanto, trata-se de uma acidose metabólica isolada (compensada) de anion gap aumentado. VEJA O JULGAMENTO DAS ALTERNATIVAS NO PRÓXIMO COMENTÁRIO!

Continuando a resposta do comentário anterior... Vamos julgar as alternativas!

LETRA A: Errado. O paciente apresenta apenas uma acidose metabólica simples compensada, de ânion GAP aumentado, provavelmente em razão do acúmulo de lactato, em função da SEPSE! Não é a pneumonia que aumenta o lactato, mas sim, a sepse! Lembre-se que as principais causas de acidose lática são sepse, choque e insuficiência hepática!

LETRA B: Errado. O paciente apresenta uma acidose metabólica compensada, ou seja, isolada e a sem presença de outros distúrbios ácido-básico.

LETRA C: Correto. O paciente apresenta uma acidose metabólica de ânion GAP aumentado, associado a um componente hiperclorêmico, uma vez que o cloro está de 116! O normal do cloro é de 98 a 107.

LETRA D: Errado. O paciente apresenta uma acidose metabólica de ânion GAP aumentado compensada e sem alcalose respiratória. O termo compensado por alcalose respiratória, na teoria, é considerdo incorreto, pois se tem alcalose respiratória não é compensado. O quadro de acidose metabólica compensada são situações em PCO2 esperado está normal e, portanto, é um distúrbio acidobásico isolado. Quando o PCO2 esperado está abaixo do normal (alcalose respiratória associada) ou acima do normal (acidose respiratória associada) trata-se de um distúrbio descompensado!

Quem quiser estudar mais, estou disponibilizando gratuitamente minhas anotações e flashcards nesse link: https://www.brainscape.com/p/4EQ9O-LH-CMXLS

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