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Q3080492 Medicina
Homem, 28 anos, apresenta dor lombar de início gradual há cerca de oito meses, piorando progressivamente. Refere rigidez matinal de, aproximadamente, duas horas, que melhora com atividade física. Não há história de trauma significativo. No exame físico, há limitação da mobilidade lombar, especialmente em flexão e extensão; sem sinais inflamatórios locais. Radiografia da coluna lombar mostra alterações sugestivas de sacroileíte bilateral. Considerando o caso clínico apresentado, qual é o diagnóstico mais provável e qual seria um fator relacionado à pior evolução da doença? 
Alternativas

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Tema central: lombalgia inflamatória em adulto jovem com sacroiliíte bilateral e rigidez matinal prolongada, quadro típico de espondiloartrite axial radiográfica (Espondilite Anquilosante – EA).

Alternativa correta: D – Espondilite anquilosante; mudanças estruturais radiográficas na avaliação inicial.

Justificativa: O conjunto de sinais indica dor lombar inflamatória (início gradual, melhora com exercício, rigidez matinal longa) e a radiografia evidenciou sacroiliíte bilateral, o que classifica EA (ASAS/ACR/EULAR). Em EA, a presença de danos estruturais já na avaliação inicial (p.ex., sacroiliíte avançada, sindesmófitos) é fator de pior prognóstico, pois prediz maior progressão radiográfica e perda funcional ao longo do tempo. Evidências em diretrizes ASAS-EULAR (2022), UpToDate e Harrison corroboram que sindesmófitos iniciais, PCR elevada e tabagismo se associam a pior evolução.

Como identificar na prova: Pense em EA quando houver idade <40 anos, início insidioso, melhora com exercício, dor noturna e sacroiliíte na imagem. A sacroiliíte bilateral praticamente fecha o diagnóstico de forma clássica.

Análise das alternativas incorretas:

A – Artrite psoriásica; dactilite. A dactilite é manifestação típica de artrite psoriásica, mas o caso não descreve psoríase, onicopatia ou lesões cutâneas. Embora a AP possa ter sacroiliíte, o fenótipo clássico aqui é de EA. Além disso, dactilite é marcador de gravidade articular periférica, não o principal preditor de pior evolução axial.

B – Espondiloartropatia indiferenciada; sexo masculino. A presença de sacroiliíte radiográfica retira o diagnóstico de “indiferenciada” e enquadra como EA. Embora sexo masculino se associe a maior progressão em axSpA, a alternativa erra o diagnóstico e não apresenta o fator prognóstico mais robusto frente aos achados (as mudanças estruturais já presentes).

C – Artrite reumatoide; idade jovem no início. AR geralmente cursa com poliartrite periférica simétrica (mãos/punhos), fator reumatoide/anti-CCP positivos; sacroiliíte e lombalgia inflamatória não são típicos. Em AR, piores prognósticos incluem soropositividade, erosões iniciais e alta atividade, não “idade jovem”.

Achados e exames que reforçam EA: HLA-B27 frequentemente positivo; PCR/VHS elevados em atividade; radiografia com sacroiliíte; se RX normal e suspeita alta, RM (STIR) detecta edema ósseo. Testes como Schober modificado e FABER auxiliam no exame físico.

Conduta (resumo): Fisioterapia e AINEs como primeira linha; falha terapêutica: anti-TNF ou anti-IL-17 segundo ASAS-EULAR 2022.

Referências: ASAS-EULAR 2022 Recommendations for axSpA; UpToDate – Clinical manifestations and diagnosis of axial spondyloarthritis; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: D

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