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Q4111870 Medicina

Homem, 68 anos, hipertenso e tabagista, com histórico de claudicação intermitente na panturrilha esquerda para 150 metros, de longa data, veio encaminhado ao cirurgião vascular e foi atendido como encaixe. O paciente relata que há três semanas tem apresentado dor persistente no pé esquerdo, mesmo em repouso. Tem dormido com o pé pendente para baixo na cama. O exame físico revela ausência de pulsos tibial posterior e pedioso no membro inferior esquerdo (pressão medida no tornozelo esquerdo foi 35 mmHg). O médico da atenção básica, que tinha visto o paciente há 15 dias (e o encaminhou para a consulta atual), prescreveu medicações analgésicas que não surtiram efeito e solicitou um exame de ultrassom arterial, em que foi identificado fluxo monofásico na artéria poplítea esquerda e também monofásico nas artérias infrapatelares.



Considerando o quadro clínico, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O caso preenche isquemia crônica ameaçadora do membro: dor em repouso há semanas, alívio com o pé pendente e pressão no tornozelo de 35 mmHg, achados compatíveis com hipoperfusão crítica distal. Nessa situação, a conduta é solicitar exame contrastado para definir a anatomia arterial e planejar revascularização.

Tema central: Isquemia crônica ameaçadora do membro
Análise das alternativas
A
Errada
Essa conduta corresponde ao tratamento da claudicação intermitente estável. O erro é ignorar a progressão para dor em repouso e pressão no tornozelo de 35 mmHg, achados compatíveis com isquemia grave. Exercício supervisionado, cessação do tabagismo e antiagregante são medidas para DAP estável, mas não são a conduta principal nessa situação.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro deixou de ser claudicação intermitente estável. A combinação de dor persistente em repouso, melhora com o membro pendente, ausência de pulsos distais, pressão de tornozelo de 35 mmHg e Doppler com fluxo monofásico caracteriza doença arterial obstrutiva grave com membro potencialmente salvável. Nessa situação, o passo apropriado é obter imagem anatômica contrastada para mapear a árvore arterial e planejar revascularização.
C
Errada
Anticoagulante oral não trata a fisiopatologia central descrita, que é obstrução arterial aterosclerótica crônica com hipoperfusão crítica. Aqui, a prioridade é definir anatomia e restabelecer fluxo por revascularização. Anticoagulação empírica não substitui a abordagem vascular indicada.
D
Errada
Essa alternativa usa medidas de insuficiência venosa em um quadro arterial. Na isquemia arterial em repouso, o membro pendente alivia porque aumenta a perfusão distal; por isso, elevar o membro piora a hipoperfusão. Além disso, meia elástica não corrige obstrução arterial e pode ser prejudicial.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre DAP estável e progressão para isquemia crítica: a história antiga de claudicação pode induzir à alternativa A, mas a dor em repouso, o alívio com o pé pendente e a pressão de tornozelo de 35 mmHg mudam a conduta.
Dica para questões semelhantes
  • Se a claudicação evolui para dor no pé em repouso, especialmente noturna e aliviada com o membro pendente, pense em isquemia grave e não em tratamento conservador isolado.
  • Pressão de tornozelo muito baixa, como 35 mmHg, sustenta hipoperfusão crítica e desloca a prioridade para avaliação anatômica e revascularização.
  • Doppler com fluxo monofásico sugere doença obstrutiva relevante, mas não substitui exame anatômico contrastado quando a questão pede planejamento terapêutico.
  • Não misture manejo venoso com arterial: elevação e compressão podem ser inadequadas em isquemia arterial.

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