Mulher, 45 anos, com histórico de diabetes tipo 2 mal contr...

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Q4111865 Medicina

Mulher, 45 anos, com histórico de diabetes tipo 2 mal controlado, apresenta uma úlcera no pé direito há 2 semanas, decorrente de um trauma (acidente doméstico de baixa energia). A lesão tem bordas irregulares e exsudato purulento. O paciente relata dor moderada e vermelhidão ao redor da úlcera. Além disso, ele mencionou febre nas últimas 24 horas (38,3 ºC). O exame físico revela boa perfusão e os pulsos distais são palpáveis. Não há edema. Observa-se redução da sensibilidade ao toque leve e ao monofilamento de 10 g no pé afetado, além de diminuição do reflexo aquileu, indicando a presença de neuropatia periférica.



Considerando o caso clínico apresentado, assinale a alternativa que apresenta o principal fator contribuinte para a dificuldade de cicatrização dessa úlcera.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que resolve a questão é diferenciar fator de gênese da úlcera de fator principal de atraso da cicatrização: no enunciado, há diabetes tipo 2 mal controlado, infecção local e perfusão preservada, o que aponta para hiperglicemia persistente como determinante fisiopatológico central do reparo deficiente, por comprometer resposta imune, síntese de colágeno, angiogênese e remodelamento tecidual.

Tema central: Cicatrização no pé diabético
Análise das alternativas
A
Errada
A neuropatia periférica está presente e é importante, mas o papel dela aqui é principalmente favorecer o aparecimento e a manutenção da úlcera por perda da sensibilidade protetora e microtraumas não percebidos. A pergunta, porém, pede o principal fator para a dificuldade de cicatrização. Nesse recorte, a hiperglicemia persistente tem efeito sistêmico mais direto sobre reparo tecidual e susceptibilidade à infecção. O erro é confundir fator predisponente para ulceração com fator principal de retardo cicatricial.
B
Errada
Imobilidade prolongada não tem apoio no enunciado. A lesão descrita decorreu de trauma em paciente com neuropatia diabética, sem qualquer dado de restrição prolongada ao leito ou mecanismo de lesão por pressão. Portanto, a alternativa é incompatível com os achados clínicos apresentados.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o dado decisivo é o diabetes mal controlado, que traduz hiperglicemia sustentada. Esse estado prejudica as fases inflamatória, proliferativa e de remodelamento da cicatrização, reduz a função de neutrófilos e macrófagos, favorece infecção e compromete fibroplasia, deposição de colágeno, angiogênese e reepitelização. No caso, isso explica de forma mais direta a dificuldade de cicatrização do que os demais fatores listados.
D
Errada
O exame físico informa explicitamente ausência de edema. Assim, essa alternativa é excluída por confronto direto com o caso. Além disso, a banca retirou esse fator local para direcionar o raciocínio ao componente metabólico sistêmico.
Pegadinha da questão
A neuropatia periférica é o achado mais chamativo e pode induzir a marcar A, mas ela explica melhor a ocorrência da úlcera; para dificuldade de cicatrização, entre as opções dadas, o fator decisivo é a hiperglicemia persistente do diabetes mal controlado.
Dica para questões semelhantes
  • Separe o que favorece a formação da úlcera do que atrasa sua cicatrização; no pé diabético, neuropatia pesa na ulceração, enquanto hiperglicemia pesa diretamente no reparo.
  • Quando o enunciado mostra boa perfusão e pulsos palpáveis, a isquemia perde força como explicação principal do retardo cicatricial.
  • Se houver exsudato purulento, eritema e febre em diabético mal controlado, valorize que a hiperglicemia também agrava infecção por disfunção imune.
  • Exclua de imediato alternativas contrariadas pelo exame físico, como edema ausente ou condições não descritas, como imobilidade prolongada.

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