Com referência a eletroterapia, termoterapia, hidroterapia e...
Com referência a eletroterapia, termoterapia, hidroterapia e uso terapêutico de radiações, julgue o item seguinte.
O ultra-som possui efeitos não-térmicos como a cavitação e a
deformação mecânica e localizada do tecido.
Gabarito comentado
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Tema central: efeitos não-térmicos do ultrassom terapêutico. Diferem dos efeitos térmicos (elevação de temperatura) por resultarem de forças mecânicas geradas pela onda sonora no tecido.
Por que a alternativa C (certo) está correta: o ultrassom produz efeitos não-térmicos cientificamente descritos como cavitação estável e microcorrente acústica (acoustic microstreaming), que geram deformação mecânica localizada das estruturas celulares e da matriz extracelular. Isso aumenta a permeabilidade de membrana, modula atividade de fibroblastos e facilita reparo tecidual, sobretudo em modo pulsado com baixas intensidades. Referências clássicas em Eletroterapia (Robertson, Low & Reed; Kitchen & Bazin) descrevem esses fenômenos como mecanismos-chave não-térmicos.
Conceitos essenciais:
- Cavitação: oscilação de microbolhas em fluidos teciduais. Em condições terapêuticas ocorre sobretudo a cavitação estável, que gera microfluxos e cisalhamento ao redor das células. A cavitação instável (colapso de bolhas) é indesejada e minimizada com técnica adequada.
- Deformação mecânica localizada: efeito da força de radiação acústica e do microstreaming, promovendo “micromassagem” tecidual e efeitos biológicos sem aquecimento significativo.
Estratégia para a prova: ao ler “efeitos não-térmicos” + “cavitação” + “deformação mecânica”, associe imediatamente ao ultrassom em modo pulsado. Lembre: contínuo → mais térmico; pulsado → mais não-térmico.
Por que a alternativa E (errado) está incorreta: negar esses efeitos contraria a literatura. Há robusta evidência experimental de cavitação estável e microstreaming como mecanismos não-térmicos do ultrassom, contribuindo para modulação do processo inflamatório e reparo tecidual. Logo, marcar “errado” ignora princípios fisiológicos aceitos.
Dicas práticas (parâmetros seguros):
- Para privilegiar efeitos não-térmicos: pulsado 20–50%, intensidade ~0,5–1,0 W/cm², tempo conforme área e objetivo; mover o transdutor para evitar ondas estacionárias e risco de cavitação instável.
- Frequência: 1 MHz (profundo 3–5 cm) e 3 MHz (superficial 1–2 cm).
Pegadinha comum: confundir com modalidades eletromagnéticas (ex.: ondas curtas). Ultrassom é onda mecânica, logo seus efeitos não-térmicos são mecânicos, não elétricos.
Fontes de referência: Robertson V et al. Electrophysical Agents; Low J & Reed A. Electrotherapy Explained; Kitchen S & Bazin S. Clayton’s Electrotherapy. Revisões de prática clínica (APTA/WCPT) corroboram uso de parâmetros pulsados para objetivo não-térmico.
Gabarito: C (certo).
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