Mulher, 73 anos, apresenta quadro de prostração e adinamia h...

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Q4111830 Patologia

Mulher, 73 anos, apresenta quadro de prostração e adinamia há 2 semanas, acompanhada de melena. Refere anemia crônica, com necessidade de reposição parenteral de ferro nos últimos 2 anos.



Antecedentes Pessoais:



•  Diabetes; histerectomia há 30 anos; em uso de metformina 1.000 mg/dia há 15 anos, pantoprazol 40 mg/dia há 2 anos.



Exame físico:



•  Descorada, PA = 110 x 70 mmHg, FC = 90 bpm, saturação de O2 97% em ar ambiente, IMC 27 kg/m2. Abdome globoso, flácido, indolor, sem sinais de peritonite.



Exames laboratoriais:



•  Hb = 6,5 g/dL, plaquetas = 150.000, INR 1,1.



Foi solicitada endoscopia digestiva alta que revelou 4 úlceras mucosas lineares ao nível do hiato esofágico, uma delas com sangramento em babação, além de hérnia de hiato de 6 cm. Foi realizada hemostasia da lesão. Um familiar trouxe endoscopias previamente realizadas, todas apresentando achados semelhantes. Uma endoscopia eletiva feita há 2 anos demonstrou pesquisa de H. pylori positiva, que não foi tratada. Realizou colonoscopia há 1 ano com achados de moléstia diverticular não complicada.



Qual é o tratamento mais recomendado para a regressão das lesões, o controle da anemia e a prevenção de ressangramentos?

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Lesões lineares/ulceradas no nível do hiato associadas a hérnia hiatal grande caracterizam lesões de Cameron, cuja fisiopatologia é trauma mecânico repetido e isquemia local. No caso, a hérnia de hiato de 6 cm, a melena, o sangramento ativo, a recorrência endoscópica e a anemia ferropriva crônica apesar de IBP e ferro parenteral indicam que a correção cirúrgica da hérnia é a conduta etiológica que melhor previne ressangramento.

Tema central: Lesões de Cameron em hérnia hiatal
Análise das alternativas
A
Errada
Gastrectomia vertical laparoscópica não trata a etiologia descrita. O problema causal é a hérnia hiatal com lesões de Cameron, não uma indicação bariátrica. Além disso, com IMC de 27 kg/m², esse procedimento não é a abordagem indicada para controlar o sangramento por lesões lineares do hiato.
B
Errada
A positividade para H. pylori é um achado acompanhante e pode ser tratada em contexto próprio, mas não explica o padrão decisivo do caso: lesões lineares recorrentes ao nível do hiato em hérnia hiatal grande. O mecanismo principal aqui é mecânico/isquêmico, portanto IBP com antibióticos não é o tratamento mais recomendado para prevenir ressangramento neste cenário.
C
Errada
Reposição parenteral de ferro e seguimento endoscópico tratam consequência e monitorização, não a fonte da perda sanguínea. Isso é insuficiente diante de Hb 6,5 g/dL, melena, sangramento ativo na endoscopia e recorrência em exames prévios, porque não corrige o fator mecânico causal.
D
Certa
A hiatoplastia laparoscópica é a alternativa correta porque corrige o defeito anatômico responsável pelas lesões de Cameron. O enunciado descreve múltiplas úlceras lineares ao nível do hiato em hérnia hiatal volumosa, com sangramento ativo e achados semelhantes em endoscopias prévias. Como há anemia por perda crônica, necessidade repetida de ferro e falha do tratamento clínico isolado com IBP, a correção da hérnia é o tratamento mais eficaz para regressão das lesões, controle da anemia e prevenção de novos sangramentos.
Pegadinha da questão
A banca tenta desviar para o H. pylori positivo, mas o achado que decide a questão é o padrão endoscópico típico de lesões de Cameron em hérnia hiatal volumosa, recorrente apesar de IBP e com anemia crônica por perda digestiva.
Dica para questões semelhantes
  • Úlcera ou erosão linear no nível do hiato, em hérnia hiatal grande, deve fazer pensar primeiro em lesões de Cameron.
  • Se há sangramento recorrente, dependência de ferro ou falha do manejo clínico, procure a alternativa que corrige a hérnia, porque ela trata a causa mecânica.
  • Não troque a causa principal por achado acompanhante: H. pylori positivo não supera um padrão endoscópico típico e topograficamente específico.
  • Tratamento de anemia e vigilância endoscópica não equivalem a tratamento definitivo quando a fonte anatômica do sangramento já foi identificada.

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