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Tema central: fatores de risco para colelitíase. O quadro descrito (dor epigástrica/hipocôndrio D ou E pós-refeição gordurosa, náuseas, distensão; US com cálculos sem sinais inflamatórios) é típico de cólica biliar por colelitíase sem colecistite.
Alternativa correta (EXCETO): C – Dieta rica em gorduras monoinsaturadas e fibras é protetora, não fator de risco. Fibras reduzem a saturação de colesterol da bile e a circulação entero-hepática de ácidos biliares; gorduras monoinsaturadas (azeite, oleaginosas) associam-se a menor risco em estudos populacionais. O risco aumenta com dietas ricas em saturadas/trans e carboidratos refinados (Harrison’s; UpToDate; EASL 2016).
Análise das demais alternativas:
A - Anemias hemolíticas (doença falciforme): correta como fator de risco. A hemólise crônica aumenta bilirrubina não conjugada, promovendo formação de cálculos pigmentares pretos (Harrison’s; UpToDate).
B - Gestação (2º e 3º trimestres): correta como fator de risco. Estrogênio eleva secreção de colesterol biliar; progesterona reduz motilidade vesicular → estase e lodo biliar evoluindo para cálculos (EASL; UpToDate).
D - Rápida perda ponderal – pós-operatório, bariátrica ou uso de semaglutida: correta como fator de risco. Emagrecimento rápido aumenta secreção de colesterol na bile e reduz esvaziamento vesicular. Agonistas do GLP-1 (p.ex., semaglutida) associam-se a maior risco de doença biliar, em parte pelo peso perdido e por hipomotilidade vesicular. Profilaxia com ácido ursodesoxicólico pós-bariátrica reduz incidência de cálculos (EASL; estudos randomizados; UpToDate).
Estratégia de prova (pegadinha): atenção ao termo EXCETO. Diferencie “monoinsaturadas e fibras” (protetores) de “gorduras saturadas/trans e baixa fibra” (risco).
Diagnóstico resumido da situação clínica: US é exame de escolha para colelitíase. Achados de colecistite aguda (que não estão presentes): espessamento da parede, líquido pericolecístico e sinal de Murphy ultrassonográfico positivo. Em dúvida diagnóstica, cintilografia biliar (HIDA) pode confirmar (Harrison’s; UpToDate).
Conduta prática (quando sintomática): analgesia com AINE, antieméticos e colecistectomia videolaparoscópica eletiva. Em perda ponderal rápida, considerar ursodesoxicólico temporário; em gestantes, cirurgia é segura se recorrente/complicada (EASL; SAGES/UpToDate).
Referências úteis: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – Cholesterol gallstones: Risk factors; EASL Clinical Practice Guidelines on Gallstones (2016); SAGES guidelines.
Gabarito: C
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